
Capítulo 837
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
O Imperador olhou para Neo com olhos indecifráveis.
Um instante depois, o palácio tremeu.
A batalha que se seguiu não tinha nada a ver com o que Neo tinha imaginado.
Ele estava dominado.
Cada movimento seu era anticipado.
Cada ataque era desviado ou redirecionado.
Seu poder foi suprimido, distorcido, esmagado por uma autoridade que parecia absoluta dentro daquele domínio.
Neo foi jogado ao chão, depois atravessou paredes, até atingir as profundezas sob o palácio.
Quando tudo terminou, ele estava acorrentado.
Foi jogado numa prisão abaixo do palácio, no subterrâneo profundo.
A porta se fechou atrás dele, e camadas de formações se ativaram uma após a outra.
Ele deveria estar presente no tribunal amanhã, e provavelmente seria executado logo depois.
Neo tentou as correntes.
Elas não cediam.
A supressão era assustadoramente completa.
“…Isto não faz sentido. Mesmo que o Céu seja forte, todo o resto neste mundo é fraco. Como alguém conseguiu fazer correntes fortes o suficiente para me prender? De onde veio o conhecimento para isso?”
Enquanto murmurava baixinho, uma presença familiar se manifestou.
Uma tela surgiu na sua frente.
[Pergunta: Como evitar a vigilância dos Céus?]
[Vaga de Primogênito disponível.]
[Deseja receber uma resposta?]
“…Hã?”
Neo parou congelado.
“Primogênito? Como isso ainda funciona?”
Isso não deveria ser possível.
A Feiticeira da Ganância lhe forneceu respostas através da Grande Rede da Vida.
Mas aquela rede não existia mais para ele. Podia sentir isso claramente.
Estava completamente desconectado da sua antiga Grande Rede da Vida (Mar de Toda Consciência) desde que veio ao passado.
Então—
'Você veio ao passado comigo?'
Neo franziu o cenho.
Se aquela tela ainda funcionava, havia só uma explicação.
A Feiticeira da Ganância estava aqui.
Com ele.
'Agora que penso nisso… nunca entendi direito por que essa Habilidade de Primogênito era tão estranha.'
'E…'
Seus olhos ficaram afiados.
"Se não me engano, você foi quem mandou Zeus matar o Demônio da Crueldade? Estava tentando sabotar o plano de Cole?"
Não houve resposta.
"Que jogo você está jogando, Feiticeira da Ganância?"
A inquietação no peito de Neo aumentou.
Por que ela tinha agido como a Primeira Filha de Mana?
Por que ela ajudou a criar o Registro Akáshico na Terra?
Por que ela interferiu na tentativa de Cole de criar o Demônio da Crueldade?
E, mais importante—
Ela terá manipulado a Llama da Vida de Neo para poder se ligar a ele através de sua Habilidade?
"Qual é o seu objetivo?" Neo perguntou frio. "Não… você é realmente uma Feiticeira? Ou é algo completamente diferente?"
[…]
[Confirmação recebida]
[Resposta: Os Céus observam de cima. Tudo que está abaixo do céu é visível para os Céus. Esconda-se em um local onde céu ou luz não sejam visíveis para fugir da visão dos Céus.]
Neo olhou para a mensagem.
Sua habilidade respondeu por conta própria.
'Ou seja… ela está dizendo que preciso evitar os olhos do Céu antes que possamos conversar.'
Neo respirou lentamente.
Se isso era verdade, então os Céus estavam o observando o tempo todo.
E ele nem sabia.
A escuridão começou a emergir do corpo de Neo.
Ela se espalhou, engolindo a cela e cortando toda fonte de luz.
As correntes suprimiam seu poder pesadamente, mas ações menores como essa ainda eram possíveis.
A escuridão se estabeleceu.
Então—
Algo despertou dentro dele.
Energia fluiu para fora, formando uma figura familiar.
A Feiticeira da Ganância apareceu diante dele.
Os olhos de Neo se endureceram.
'Ela esteve dentro de mim por tanto tempo que nem percebi que veio ao passado comigo.'
Ele guardou esses pensamentos para si mesmo, mantendo uma expressão calma e séria.
"Pois bem?" Neo disse. "O que você está esperando? Comece a falar."
A Feiticeira da Ganância olhou para ele.
"Eu sou a Terra."
Neo piscou.
"…O quê?"
"Tomei todos os meus poderes do Céu. Depois, fui morta. E, após isso, fragmentos da minha alma vagaram pelo Mundo Verdadeiro."
Ela fez uma pausa.
"Quando fui ressuscitada, percebi que reencarnei no Cosmos Elemental de Mu De. Tornei-me uma Feiticeira. Foi por acaso… mas também uma oportunidade."
Neo a encarou.
"Então você interferiu e bloqueou o plano de Cole," disse.
"Sim. Ele nunca me observou de perto. Então, agi nos bastidores e me tornei um obstáculo."
"Por quê?"
"…Porque ele quer matar meus filhos."
As sobrancelhas de Neo se franziram.
"Você é…"
"A Imperatriz. Esposa do Imperador dos Céus. Mãe das crianças que se tornariam Imperadores do Dao. Ou, pelo menos… um fragmento dela."
Neo assentiu lentamente.
Começava a entender suas motivações.
"Por que ajudou a criar o Registro Akáshico?" ele perguntou.
"Permitiu-me observar a utopia que Hades criou. Através do Registro Akáshico, podia ver tudo sem chamar a atenção de Cole. Era uma vigilância disfarçada de preservação."
Os olhos de Neo se estreitaram levemente.
"E você mandou Zeus me matar porque eu era o que Cole queria."
"Sim."
"E por quê? Por que explicar tudo isso para mim?"
Ela o olhou por um longo momento. Seus lábios comprimiram-se, então tremeram levemente.
Devagar, ela se ajoelhou.
Ela se curvou completamente, a testa tocando o chão de pedra.
"...O que você está fazendo?"
"Por favor," ela disse, sua voz abafada contra o chão. "Salve meus filhos."
"Estou aqui para matá-los."
"Se eu os criar corretamente, eles não se tornarão monstros como antes. Em primeiro lugar, se eu soubesse que Cole tinha a capacidade de enviá-los ao passado, teria ajudado ele. Por favor. Confie em mim."
Neo permaneceu em silêncio.
Vendo que ele não respondia, ela levantou a cabeça um pouco e voltou a falar, suas palavras agora saindo mais rápido.
"Os Céus devorarão todos os meus filhos em poucos anos."
“…O quê?”
Ela apertou tanto as mãos que elas tremiam.
“Ele vai me matar,” ela disse, a raiva transbordando em cada palavra. “Vai absorver tudo o que eu tenho. E então, comerá meus filhos para aproveitar seu potencial e subir de nível.”
"O motivo pelo qual ele protegeu eles de você não foi por amor. É porque quer que estejam inteiros. Seu talento. Seu futuro. Seu potencial."
Neo sentiu algo pesado se instalar em seu peito.
"Então…" ele começou.
"Sim," ela respondeu tristemente. "Essa é a razão pela qual o Dao continua ressuscitando através dos cultivadores. É por isso que os Daos não morrem de verdade até que o Céu seja morto. Eles querem se vingar."
Ela respirou com dificuldade.
"Sabiam que eram fracos comparados a ele. Então, criaram seus Daos de uma forma que permite que eles retornem várias vezes. Através de vasos. Através da cultivação. Até o dia em que puderem matar seu pai."
Neo ficou em silêncio por um longo tempo.
"…Conte-me tudo", finalmente disse.
Ela revelou tudo.
Para ficar mais forte, o Céu devorou seus próprios filhos.
Todas as trinta e três.
No momento final, um filho se sacrificou, usando tudo que tinha para reviver os outros.
Os trinta e dois restantes sobreviveram e se esconderam.
Queriam vingança.
Forjaram trinta e dois Daos.
Mas o Céu ainda era forte demais. Eles seriam mortos. Então, criaram seus Daos para se fixarem ao mundo, às pessoas, aos Caminhos. Qualquer um que cultivasse inadvertidamente se tornaria um vaso.
Eles voltariam.
De novo.
E mais uma vez.
Até que o Céu caísse.
Até que eles vingassem a mãe, o irmão trinta e terceiro, e a si mesmos.
"Por favor," ela sussurrou, lutando para manter a voz firme. "Ajude-me a salvá-los. Não quero que meus filhos sofram por eras infinitas, movidos apenas pelo ódio."
Neo fechou os olhos.
Suas próprias palavras ecoaram de volta para ele.
Sempre há alguém sofrendo em algum lugar.