Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 836

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Ao ver o sorriso de Neo, Cole também sorriu.

"Podemos ser mais velhos, mas ele é mais sábio do que nós", murmurou a Pessoa Celestial, com uma risada amarga.

Cole assentiu tenuamente.

Ele levantou a mão, e desta vez, o poder que liberou não foi destrutivo.

Foi tranquilo.

Compartilhado.

Neo sentiu. A autoridade de Cole, seu controle sobre o tempo, sua capacidade de rejeitar o fim.

Uma tela apareceu na frente dos olhos de Neo.

Não era dele.

[Tentando novamente.]

[### Dificuldade: ### Legen###]

[#F3O@1 ponto focal: Cole— ColecolecolecoleColecolecolecoleColecolecolecoleColecolecolecoleColecolecolecoleColecolecolecoleColecolecolecoleColecolecolecoleColecolecolecole]

A tela pisca violentamente.

O texto se sobrepõe. As letras se torcem. Os símbolos se quebram.

Então, de repente, tudo se encaixa com precisão.

[Novo ponto focal escolhido: Neo Hargraves]

"…O quê?"

"Já te falei? Eu sou o mais forte."

Cole sorriu.

Ele tocou o ar levemente com um dedo.

"E essa é minha força. A força de tentar novamente."

Neo não conseguiu sorrir.

Porque ele entendeu.

'O ponto focal mudou.'

'Então, vou reter minhas memórias ao invés do Cole quando o tempo voltar atrás.'

Ele olhou para Cole.

O homem que iniciou tudo para proteger sua esposa e o filho que ainda não nasceu.

O homem que destruiu um mundo, e depois o enterrou com as próprias mãos.

E agora—

Ele estava abrindo mão das próprias memórias.

Ele esqueceria.

Tudo pelo que sofreu.

Tudo que suportou.

Ao ver o olhar de Neo, Cole sorriu.

Era um sorriso cheio de alívio e confiança, sabendo que deixava a tarefa nas mãos de alguém confiável.

"Por favor, proteja-os."

A luz engoliu a visão de Neo.

O mundo perdeu peso.

Por um breve instante, Neo sentiu como se não existisse mais.

Então—

Ele estava de pé em uma floresta.

Vegetação densa o cercava. Árvores antigas se erguiam ao céu, seus galhos entrelaçados formando um teto vivo.

O ar estava pesado com Qi, bruto e sem refinamento.

Uma pressão esmagadora recaiu sobre seus ombros.

Parecia que o próprio céu o observava e o julgava.

Neo não se mexeu.

Ele fechou os olhos.

E pensou em tudo que havia acontecido.

"Que mundo horrível."

Nenhuma pessoa havia sido realmente feliz.

A Mãe Dragão sofreu. Hades sofreu. Ouroboros sofreu. Ultris sofreu. Apollyon sofreu.

Assim como a Pessoa Celestial, Cole, e todos no Mundo Verdadeiro.

Nenhum deles foi verdadeiramente feliz.

"Sempre há outro problema. Não importa o que eu conserte, alguém ainda sofre."

"É como…"

'Como se eu estivesse vivendo no inferno.'

Neo sacudiu esses pensamentos pessimistas da cabeça.

Abriu os olhos e elevou-se ao ar.

Espíritos das Técnicas saíram dele em ondas. Incontáveis fragmentos de intenção espalharam-se em todas as direções, varrendo a terra.

Ele buscava Emperadores do Dao.

Porque os Daos tinham vivido uma vez dentro de seu corpo, ele podia identificá-los por sua intenção.

Pelo menos aqueles que tiveram alguma ligação com ele.

Neo voou rapidamente, cruzando grandes distâncias em questão de momentos.

Ao mesmo tempo, começou a romper suas barreiras.

O céu existia nesta era. Então, ele não acelerou rumo ao Quarto Reino de forma imprudente.

Mas aqui não havia Daos.

Nem mãos invisíveis esperando para tomar seu corpo.

Começou seu avanço.

Dez dias se passaram.

Neo atingiu o Quarto Degrau.

Foi rápido, mas não instantâneo. Considerando que já estava no pico do Terceiro Degrau e tinha conhecimento até o Sétimo Degrau, o ritmo foi mais lento do que deveria.

Ele sabia por quê.

'A ausência de Dao desacelerou meu crescimento.'

'E meu Caminho é instável sem o Dao como base.'

No entanto, foi suficiente.

Com o Quarto Degrau, sua percepção se expandiu drasticamente.

Seu raio de busca aumentou.

Ele atravessou condados.

Depois, reinos.

Pessoas existiam nesta era. Muitas delas.

Caminhos também existiam.

Guerreiros eram familiares. Estavam limitados pelos mesmos obstáculos de sempre. O Terceiro Reino era seu teto.

Contudo, os cultivadores eram diferentes.

Eram poucos e mais fracos do que Neo tinha visto nas Terras Abençoadas Verdadeiras.

Seus Caminhos eram instáveis e incompletos.

Sem o Dao, cultivar era muito mais difícil.

Somente uma pequena parcela persistia, e mesmo assim, lutavam para manter seu progresso.

Neo observava tudo sem interferir.

Pois isso não era sua preocupação neste momento.

Ele continuou se movendo.

Mais rápido.

Mais longe.

Então—

"Lá está você."

Crianças do Imperador e da Imperatriz.

Trinta e três ao todo.

Neo fechou os olhos por um instante e estendeu sua percepção. Intento tocou seus sentidos.

Não eram crianças comuns.

Dentre elas, já podia sentir aquelas que, no futuro, criariam o Dao da Criação, o Dao da Destruição, o Dao do Destino e do Paradoxo, o Dao da Transcendência Absoluta, o Dao da Sombra Além dos Mundos, o Dao Elemental e o Dao da Sangue.

Sua mandíbula se tensionou.

"Isso é bom. Ainda são crianças, fracas. Ainda nem começaram a cultivar."

Não hesitou nos movimentos.

Não tinha mais espaço para misericórdia. Não quando essa misericórdia poderia, um dia, ameaçar a segurança de sua família, de seu Cosmos, de todos que estavam sob sua proteção.

Assim que confirmou a presença deles, agiu.

Sensoriou-os desde a fronteira do Império.

Em poucos minutos, cruzou uma distância inimaginável e apareceu acima do próprio palácio imperial.

Flutuou silenciosamente no céu.

Abaixo, o complexo do palácio, grandioso e imponente, protegido por formações que, aos seus olhos, eram grosseiras, mas reforçadas por algo perigosamente poderoso.

Os olhos de Neo fixaram-se em um ponto específico.

O alvo mais próximo era a criança que se tornaria o Imperador do Sangue do Dao.

Neo desapareceu.

Reapareceu instantaneamente ao lado da criança, sua espada já em movimento. Sem floreios ou hesitação. Apenas um arco limpo em direção ao pescoço.

Seu golpe nunca chegou ao alvo.

Uma mão o segurou.

"O que você está fazendo com meu filho?"

A voz era calma, fria.

Os olhos de Neo contraíram-se.

Ele recuou instantaneamente, o espaço distorcendo-se enquanto se retirava alguns dezenas de metros.

Seu coração acelerou.

À sua frente, um homem vestindo roupas imperiais.

A primeira vista, parecia régio.

Era alto, e compostamente calmo.

Sua presença transmitia autoridade.

Pelado por sua roupa, Neo identificou pelo estilo que se tratava do imperador.

“Céu?” Neo perguntou, percebendo que esse imperador, pai da criança, era justamente o homem que se tornaria o Céu. 'Espera, como não percebi ele até que estivesse ao meu lado? Como ele é forte—'

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