Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 824

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Elizabeth bufou.

"Aprender?" ela repetiu sem entusiasmo.

Neo não respondeu.

Seu Caminho lhe permitia copiar qualquer pessoa conectada a ele. Se ele realmente quisesse "aprender", poderia simplesmente observá-los passivamente e incorporar suas técnicas. A competição era claramente uma desculpa.

Uma desculpa para dominar todo mundo.

E mostrar serviço.

Elizabeth suspirou.

Mesmo assim, sabia que a competição beneficiaria outros, mesmo que os motivos de Neo fossem questionáveis, no mínimo.

"Certo. Mas não exagere," ela avisou.

"Claro." Neo assentiu com a cabeça.

A primeira fase da competição aconteceu em uma arena de batalha, com regras pensadas para eliminar vantagens.

Todos tinham suas forças suprimidas. Sem força física superior. Sem Espíritos Técnicas. Sem Autoridades.

Apenas domínio na luta, experiência e instinto.

De dezenas, apenas dez passariam para a próxima fase.

No início, Neo observava calmamente do lado, seus olhos alternando de uma luta para outra.

Alguns participantes o surpreenderam. Outros caíram exatamente como ele previa.

À medida que a rodada se aproximava do fim, percebeu algo estranho.

Paul ainda estava de pé.

Dos vinte últimos, Paul era um deles.

Neo estreitou os olhos.

'Não há como ele estar aqui,' pensou.

Como um bom pai, Neo sabia que Paul não sobreviveria às criaturas que esperavam na segunda fase. Essas não eram batalhas que se vencem só com força de vontade. Então, decidiu resolver pessoalmente.

Ele eliminaria Paul.

Depois de dar uma surra nele.

Com todos suprimidos e limitados ao domínio na luta, Neo tinha certeza de que poderia vencer Paul de olhos fechados.

Paul também parecia querer lutar contra Neo, afinal.

Os dois se encararam na arena.

Paul sorriu.

Neo sorriu de volta.

Ambos avançaram.

E pararam exatamente ao mesmo tempo.

Hades estava entre eles.

Ele parecia tranquilo, com os braços cruzados de forma relaxada, como se estivesse descansando, e não participando de uma competição. Sua presença simplesmente distorcia a atmosfera ao redor.

Paul ficou tenso.

Ele não conseguiu evitar lembrar da aura de Hades na última vez em que flertou com Perséfone — sua futura avó — só para irritar Neo.

Aquela pressão tinha sido sufocante, mesmo sem intenção.

Neo também se acalmou, controlando a empolgação.

Seus olhos ficaram atentos.

Ele olhou ao redor da arena.

'Todo mundo está evitando o Hades.'

'Faz sentido.'

Neo já tinha ouvido muitas histórias sobre Hades. Feitos absurdos contados como lendas, exagerados com o tempo.

Depois de ver suas memórias, Neo soube a verdade.

As histórias não eram exageradas.

Na verdade, eram incompletas.

Um sorriso surgiu no rosto de Neo.

Embora eles tenham entrado na área onde Hades descansava por engano, essa era uma oportunidade boa.

"Vamos dançar?" perguntou ele de leve.

Antes que alguém pudesse reagir, os três partiram para o combate.

Hades lutou de maneira casual, seus movimentos limpos e eficientes, mas sem força. Ele não tinha interesse real na competição.

Estava lá apenas porque Perséfone insistira, e claramente pretendia fazer o mínimo esforço.

Paul se moveu de forma inteligente.

Posicionou-se de maneiras que forçavam Neo e Hades a se confrontarem, escapando do perigo sempre que possível.

Seu timing era preciso e seu pé de forma que Neo, relutante, teria que reconhecer como adequado.

Neo percebeu o que ele tentava fazer.

'Ele está nos fazendo lutar entre si,' pensou Neo.

Enquanto isso, Neo deixou de prestar muita atenção em Paul.

Seu foco estava em Hades.

Ele intensificou seus ataques, golpeando mais rápido, tentando provocá-lo. Queria que Hades levasse isso a sério. Que parasse de segurar as forças.

Paul viu isso e se adaptou rapidamente, recuando ainda mais e deixando a pressão entre os dois aumentar.

No meio do embate, Hades ouviu uma voz de repente.

Ele virou a cabeça e viu Perséfone torcendo com uma faixa.

Torcendo por Neo.

Para que vencesse Hades.

Ele parou por um momento.

Seu olhar se cruzou com o de Perséfone.

Ela sorriu para ele.

Hades olhou para Neo.

Seu olhar se enrijeceu, e ele decidiu que Neo não entraria na segunda fase.

Ponto de vista de Zeus

Zeus e Marte não participaram da competição.

Eles estavam em um local totalmente diferente, longe da Seita, sob a tutela do Rei Marcial da Aliança Marcial Justa.

Depois de descobrir a habilidade de Neo em gerar Qi sem uma Raiz Espiritual, a Aliança Marcial Justa tomou uma decisão.

Eles iriam ajudar.

Não por bondade, mas por necessidade.

Se os Cultivadores conseguissem capturar Neo e produzir Qi em massa, eles não se segurariam mais.

Eliminariam qualquer oposição, incluindo os Artistas Marciais.

Claro que, oficialmente, a Aliança Marcial Justa não podia ajudar abertamente.

Se fizessem isso, os Cultivadores enviariam um Cultivador do Quarto Passo e destruiriam a Aliança, mesmo que isso gastasse suas reservas de Qi já quase no limite.

Por isso, a ajuda precisava ser secreta.

Concordaram em três métodos.

Primeiro, enviariam Artistas Marciais para ajudar Neo e os outros na batalha contra Apolião.

Segundo, treinariam Artistas Marciais talentosos do lado de Neo e lhes ensinariam os verdadeiros segredos das Artes Marciais.

Foi assim que Zeus e Marte acabaram aqui.

O Rei Marcial estava na frente deles.

Era enorme, forte como uma fortaleza, cada movimento transmitia pressão. Sua presença sozinha tornava a respiração mais difícil.

Ele atacou.

Zeus e Marte se moveram juntos, coordenando-se instintivamente.

Foram recuados.

De novo.

E de novo.

"Hahaha!" o Rei Marcial riu alto. "Muito bem! Ambos têm espírito ardente!"

Seu punho acertou a guarda de Marte, fazendo-o escorregar pelo chão.

"Zeus! Você tem talento celestial para copiar os outros, aprimorar técnicas e criar contramedidas!"

Zeus escapou por pouco do próximo golpe, sangue escorrendo de sua testa.

"Mars! Você tem talento divino para levar as Artes Marciais ao extremo e mostrar força que parecia impossível!"

Mars cambaleou e levantou-se, com os dentes cerrados.

"Vocês nasceram para serem Artistas Marciais (Céus Extremos)!"

O Rei Marcial sorriu ao atacar novamente.

E de novo.

Seus punhos caíram com precisão assustadora, cada golpe suficientemente exato para não matá-los, mas sem deixar espaço para respirar.

Zeus caiu de lado, enquanto Mars escorregou para trás, pisando forte para parar o corpo.

Mesmo assim, ambos se levantaram.

Apesar de batidos dia após dia, lutando até que seus corpos quase não aguentassem, nem Mars nem Zeus desistiram.

Sei lá, provavelmente a pressão os fez crescer mais rápido do que esperavam.

Suas movimentações ficaram mais afiadas. Suas reações, mais rápidas. Sua coordenação, mais suave.

O Rei Marcial percebeu.

"Certo!" ele gritou, recuando pela primeira vez naquele dia. "Hora de revisar tudo o que vocês aprenderam!"

Mesmo enquanto falava, avançou novamente, acertando Zeus nas costelas e forçando Mars a bloquear outro golpe forte.

"Como vocês já sabem," ele continuou casualmente, "as Artes Marciais se dividem em três reinos. Primeiro Reino. Segundo Reino. Terceiro Reino."

Mars cuspiu sangue para o lado e bufou. "Sim. A gente sabe disso."

"O Quarto Reino existe," continuou o Rei Marcial, impassível, "mas quem chega lá morre sem exceção."

Zeus franziu um pouco a testa ao desviar de outro golpe. "Então, qual é a graça de falar nisso?"

O Rei Marcial riu.

"E o que isso significa?" ele perguntou em voz alta. "Seremos Artistas Marciais presos no Terceiro Reino para sempre? Não há como evoluir?"

" Cala a boca, velho!" gritou Mars.

Chamas vermelhas saíram do corpo dele enquanto ele avançava, socando com toda força. O chão se rachou sob seus pés.

O Rei Marcial desviou do ataque com uma única palma.

"Podemos ficar mais fortes. A resposta está nas próprias Artes Marciais," disse calmamente.

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