Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 823

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Neo abriu os olhos.

Mesmo após tudo que tinha visto no passado de Hades, e depois de encontrar Apollyon, ele permanecia calmo.

Será que era porque Neo começava a compreender seu próprio [Destino]?

Ou porque começava a entender como as coisas inevitavelmente chegariam ao fim?

Talvez fosse ambos.

E… mesmo que fosse pouco, ele começava a captar o significado por trás das palavras:

'O Caminho está corrompido.'

'[Destino] da Crueldade. Será que Hades consegue me explicar mais sobre isso.'

Outro nome surgiu em sua mente.

'Será que Ultris sabia por que o Demônio da Crueldade era importante?'

Neo exalou suavemente.

Sabia que seus pensamentos não poderiam ser respondidos no momento.

O fragmento de Hades que ainda permanecia com eles não tinha memórias completas.

E tudo que Ultris sabia, tudo que escondia ou temia, estava preso além do alcance.

Pelo menos, por ora.

Se Neo quisesse respostas, teria que procurar Paul.

E perguntar diretamente sobre Ultris.

Sobre o Demônio da Crueldade.

"Neo?"

Ele virou a cabeça.

Perséfone estava a alguns passos, com as mãos entrelaçadas de forma inconsciente.

Ela tentava parecer calma desde que ele despertou, mas seus olhos a traiam. Havia tensão ali. Uma preocupação que ela não conseguia esconder.

"Você veio…?" ela perguntou cuidadosamente, a voz baixa, mas insegura.

Neo acenou com a cabeça.

Ela ficou paralisada por meia fração de segundo, depois soltou uma longa respiração que claramente vinha segurando.

Seus ombros relaxaram, e um sorriso sincero e radiante se espalhou pelo rosto dela.

"Que ótimo! Agora, ninguém precisa ficar bravo. Você devia conversar com ele agora. Vamos—"

"Depois."

O sorriso dela vacilou.

"…O quê?"

Neo percebeu imediatamente a decepção em seu rosto, e aquilo o atingiu mais forte do que esperava.

Ver ela assim lhe lembrou do quanto ela tinha dedicado de amor a ele.

Antes mesmo de nascer, ela lhe dera tempo e carinho infinitos.

Ele era grato por sua graça e amor.

Não queria vê-la triste.

Por isso, falou, escolhendo bem as palavras.

"Sei por que o—" Ele parou, corrigindo-se. "Pai fez o que fez. Agora entendo as razões dele."

Os olhos de Perséfone se arregalaram um pouco.

"Mas preciso de tempo. Respeito ele. De verdade. Mas tenho carregado ressentimentos há duas eras. Isso não desaparece só porque entendo por que ele tomou certas decisões."

Ele olhou diretamente para ela.

"Preciso de um tempo para… refletir. Para saber o que devo dizer a ele. Se for agora, não sei se estou falando honestamente ou apenas me forçando a perdoar."

Perséfone permaneceu em silêncio.

Depois, assentiu lentamente. Com delicadeza.

Ela compreendia. Uma dor que durou incontáveis anos não se apagava simplesmente com entendimento.

"Mãe…"

Neo estendeu as mãos e segurou as dela.

"Só me dê um pouco de tempo. E…"

Ele sorriu, suave e sincero. "Obrigado. Por ser minha mãe."

Era tudo que precisava.

A calma de Perséfone se quebrou completamente. Lágrimas começaram a rolar pelo rosto enquanto ela o puxava para um abraço apertado.

Neo envolveu seus braços nela e a sustentou enquanto ela chorava.

Ele não apressou nada.

Estas não eram lágrimas de tristeza.

São lágrimas de alívio.

A partir daquele momento, Neo passou a viver uma vida infinitamente feliz.

Fazia piqueniques com Moraine e Elizabeth. Discutia sem parar com Paul, às vezes sério, às vezes só por hábito.

Ficava em silêncio com Hades, tomando chá e observando o pôr do sol, sem sentir a necessidade de falar.

Fazia compras com Perséfone, tolerando horas de indecisão e comparações desnecessárias, mesmo que ela acabasse sempre comprando a primeira coisa que pegava.

Havia momentos bons.

E depois, havia os momentos "difíceis".

"M-Moraine?" Neo perguntou, com os dentes cerrados, seu sorriso tenso. "Você consegue caminhar, né?"

"Não," ela respondeu calmamente.

Os lábios de Neo se remexeram.

Ela era pesada, droga!

E ele era mortal!

Um mortal escalando uma montanha com ela nas costas!

Neo rangeu os dentes e jurou dar uma sova naquele cara que tinha contado para Moraine que tinha um bom lugar para piqueniques no topo da montanha.

A única boa notícia era que Elizabeth tinha tomado o conjunto de piquenique que ele segurava, dando-lhe um descanso.

Algumas poderiam pensar que Elizabeth era perfeita, diferente da Moraine de humor difícil, por causa desse incidente.

Mas não poderiam estar mais longe da verdade.

Alguns meses depois, outro episódio aconteceu.

"O que você está fazendo?" Neo perguntou, com aspecto neutro.

"O quê?" Elizabeth respondeu, confusa.

Como estavam conectados pela percepção, ela sabia exatamente onde ele olhava.

Ele apontou para o seu Cosmos.

"Minha reencarnação, e a sua. Por que você fez isso?"

"…?"

"Você deu alguma informação para ela, não deu?"

Elizabeth o encarou como se ele estivesse falando bobagem.

As almas fragmentadas de Neo vinham se reencarnando por todo o seu Cosmos e nos Nove Céus. A técnica, criada por Hades, permitia que ele permanecesse imune à manipulação do tempo. Era para protegê-lo de inimigos que mexiam com o tempo.

De um jeito ou de outro.

Os fragmentos de Moraine e Elizabeth agora estavam inclusos na técnica.

Fizeram um acordo. Uma vida seria passada com o fragmento de Moraine. Outra, com o de Elizabeth.

Esta vida era com Elizabeth.

Seus fragmentos existiam em um mundo chamado Terra, onde Espíritos Corrompidos vagavam e Clãs de Exorcistas governavam nas sombras.

O fragmento de Elizabeth era uma Líder de Clã lá.

O fragmento de Neo havia reencarnado no mesmo clã.

Naturalmente, isso significava que eles não estariam casados nesta vida.

Neo decidiu não interferir. Se seus fragmentos vivessem em paz ou morressem, ele não se envolveria.

Mas então—

O fragmento de Elizabeth tinha uma espingarda apontada para a cabeça do seu fragmento.

E o forçou a casar com ela.

"O que você fez?" Neo perguntou de novo.

"Eu só expressei meus sentimentos por você," Elizabeth respondeu calmamente.

"Por quê? Eu te disse para não interferir. Mesmo você sendo meu Avatar e ela o padrinho, não significa que podemos dar privilégios—"

"O quê?" Elizabeth finalmente retrucou. "Você acha que foi isso?"

Ela se inclinou para frente, encarando-o com raiva.

"Fiz ela fazer isso porque você tava sendo sem vergonha. Sabe quantas garotas seu fragmento flirtou no último final de semana? Vou fazer pior que casamento se ele não se comportar. Então, é melhor você garantir que ele se comporte."

Neo ficou sem fala.

Depois de ouvir suas palavras, ele internally chorava.

Como era culpa dele se sua reencarnação tava dando em cima de outras garotas?

Aquele idiota nem fez mais do que flertar. Não tocou ninguém. Não dormiu com ninguém. Não cruzou nenhuma linha importante.

Ele só flirtou.

Isso que foi.

'Merda, que diabos tem nesse cara.'

'Deveria matá-lo?'

'Minha vida tá ficando um inferno por causa dele!'

Ele apertou a ponte do nariz e se recostou na cadeira, olhando para o nada.

Em algum lugar dentro do seu Cosmos, sua reencarnação provavelmente estava sorrindo, totalmente inconsciente de que seu criador estava levando uma fria da esposa por causa dele.

O tempo passou.

Apesar de Neo reclamar internamente de Elizabeth e Moraine, ele também não era sem culpa.

Alguns meses depois, outro incidente aconteceu.

"Uma competição?" Elizabeth perguntou, olhando os relatórios que ele tinha enviado.

"Sim," Neo respondeu. "Sabe como Arthur, Felix e os outros agora estão lá fora do meu Cosmos, totalmente aqui. Todo mundo está inquieto. Precisam de algo para fazer. Pensei que um torneio dentro da Seita ajudaria. Seria divertido."

Elizabeth levantou uma sobrancelha.

"E qual é a sua verdade razão?"

"Quero dar uma surra no Pau—" Neo se interrompeu no meio da frase, tossiu discretamente. "A luta com Apollyon está se aproximando. Quero lutar com outros, aprender seus estilos de batalha, e melhorar."

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