Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 815

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Passaram-se minutos.

Neo abriu a boca, fechou, e depois abriu novamente.

Finalmente, falou.

"Por favor, sente-se. Vou fazer um pouco de chá."

"Hm."

Hades olhou ao redor da sala uma vez, como se fosse guardar na memória toda a disposição do ambiente, e então se sentou tranquilamente.

Neo se virou e entrou na cozinha.

Seus passos eram firmes, mas seus ombros estavam tensos.

Ele ferveu água, mediu as folhas, e despejou cuidadosamente.

Suas mãos não tremiam, mas seus pensamentos não se acalmavam.

Quando voltou, colocou duas xícaras na mesa e se sentou do lado oposto a Hades.

Eles beberam em silêncio.

O chá esfriava lentamente entre eles.

Nenhum deles falou nada.

Depois de um tempo, Neo se levantou, recolheu as xícaras, e as levou de volta para a cozinha.

Enxaguou-as, secou, e colocou-as no lugar de sempre.

Depois, apoiou ambas as mãos no balcão e respirou fundo.

[Mestre, converse com ele. Você vai ficar em silêncio o tempo todo?]

" Cale a boca," Neo resmungou baixinho, lançando um olhar para a tela. "Tô tentando."

Ele respirou fundo de novo, se trouxe à calma, e voltou ao cômodo com o que esperava parecer determinação.

"Quer almoçar? Já está na hora, então eu ia preparar a comida."

"Mhm."

Antes que pudesse pensar demais, Neo se virou e voltou para a cozinha.

Os Registros Celestiais assistiram em silêncio.

Já tinham esperado que isso acontecesse.

Neo cozinhava de forma metódica.

Preparo pratos simples, nada sofisticado.

Era comida que ele sabia fazer sem precisar pensar demais.

Quando ficou pronto, serviu, e se sentou novamente do lado de Hades.

Eles comeram em silêncio.

Hades lançava olhares a ele, como se houvesse algo que desejasse dizer, mas não encontrava o momento certo.

Neo notou, mas fingiu que não era com ele.

Na metade da refeição, Hades quebrou o silêncio. "Está bom."

"Obrigadão," Neo respondeu.

O silêncio voltou a pairar.

Quando terminaram de comer, Neo limpou a mesa e fez a louça.

Enxugou as mãos, ficou ali por um instante sem mais nada para fazer, e finalmente voltou ao cômodo.

'Vou falar com ele. Vou perguntar por que ele me tratou assim,' pensou Neo.

Entrou, viu Hades sentado lá, e as palavras ficaram travadas na garganta.

Hades olhou na direção dele, e Neo falou a primeira coisa que veio à cabeça.

"Você deve estar meio travado, ficando dentro de casa por tanto tempo. Quer fazer uma visita à Seita?"

Assim que as palavras saíram, Neo quis bater em si mesmo.

"Mhm."

Hades assentiu.

E assim, ficou decidido.

Pai e filho saíram juntos da residência.

A Seita era cheia de vida.

Discípulos treinavam nos pátios, anciãos discutiam assuntos sob passarelas sombreadas, e crianças corriam carregando livros que pareciam pesados demais para elas.

Enquanto Neo e Hades caminhavam, as pessoas começaram a notar.

Olhares curiosos seguiam Hades.

Alguns percebiam sua presença e rapidamente desviavam os olhos. Outros olhavam todo prosa, sem se controlar.

Neo notou tudo isso, mas não disse nada. Hades também não reagiu.

Eles caminharam em silêncio.

Então, uma voz gritou.

"Avô! Avô!"

Uma mancha azul veio correndo em direção a eles.

Vivi parou bruscamente na frente de Hades, olhando para cima com os olhos arregalados. "Você é meu avô, né? Você parece o papai, só que mais velho."

Hades olhou para Neo.

Neo acenou com a cabeça uma única vez.

O rosto de Vivi se iluminou instantaneamente. "Finalmente te conheci! Já peço pro papai me deixar te conhecer e à vovó, mas ele sempre dá desculpa."

Neo tossiu suavemente.

"Ah, você está fazendo uma tour pela Seita? Venha! Vou te mostrar tudo!"

Antes que alguém pudesse responder, ela pegou a mão de Hades e começou a puxá-lo junto.

Hades deixou, acompanhando o ritmo dela sem resistência.

Neo os seguiu atrás.

O silêncio constrangedor entre pai e filha logo foi abafado pelo entusiasmo de Vivi.

Ela falou de tudo. Dos pátios de treinamento. Da biblioteca. De qual ancião era assustador e qual entregava lanche às crianças segredo.

Hades escutava quieto, assentindo de vez em quando.

Assim se passou uma semana.

Neo e Hades ainda não tinham tido uma conversa decente.

Ponto de vista de Elizabeth

Elizabeth explicou tudo para Amelia.

Ela não escondeu nada. Nem sua origem. Nem a Bruxa do Orgulho. Nem a mãe de Amelia, nem a verdade sobre sua existência.

Falou calmamente, com cuidado, para que Amelia entendesse cada detalhe.

Quando terminou, Amelia chorava apoiada nos braços dela.

"Desculpe. Desculpe por esconder a verdade sobre sua mãe," Elizabeth disse suavemente.

"Não," Amelia entre soluços. "Ela não é minha mãe. Você é."

Elizabeth congelou.

Amelia a apertou mais forte. "Você foi quem ficou. Você foi quem me protegeu. Você é minha mãe."

Trocas parecidas aconteceram ao longo do dia.

Amelia chorou, depois se acalmou, e chorou de novo.

Seus sentimentos estavam frágeis, esticados ao limite após perder muitas pessoas importantes.

Diferente de Neo, Amelia não tinha a mesma força de vontade.

Ela não conseguia simplesmente seguir em frente após perdas e dores.

Estava quase desmoronando sob o peso de tudo isso.

Mesmo após seus amigos serem salvos por Neo, sua condição não melhorou de fato.

Mas algo havia mudado.

Uma semente de esperança fora plantada.

E com a chegada de Elizabeth, essa semente finalmente floresceu.

Amelia começou a falar do futuro novamente. Sobre coisas que queria fazer. Sobre lugares que queria visitar.

Pela primeira vez em muito tempo, acreditou de verdade que nada mais de ruim ia acontecer.

Elizabeth sabia que precisaria ficar por mais alguns meses.

Amelia ainda precisava de cuidados.

E Elizabeth também tinha outras pessoas para conhecer.

Quando saiu do quarto de Amelia naquele dia, foi imediatamente interceptada.

"Minha nora finalmente é livre. Venha passar um tempo comigo," disse Perséfone alegremente.

Antes que Elizabeth pudesse protestar, Perséfone a puxou pelo braço e começou a levá-la junto.

Mesmo alguém tão composta quanto Elizabeth se sentiu constrangida.

Perséfone tratava ela como uma criança, chamava-a de nora na frente de todo mundo, e não tinha pudor nenhum.

Elizabeth não demonstrou na expressão.

Mas, por dentro, se sentia feliz.

Quanto à sua outra nora, Elizabeth ainda não a havia conhecido.

Ela passou meses se preparando mentalmente. E hoje era o dia.

"Desculpe," disse Elizabeth suavemente, parando a caminhada. "Mas tenho algo que preciso fazer hoje."

"…?"

Perséfone inclinou a cabeça.

'Fofa,' veio o pensamento na cabeça de Elizabeth.

"Quero conhecer o fragmento da Bruxa da Gula."

"Ah," respondeu Perséfone com alegria. "Então vamos juntas!"

Elizabeth foi puxada para uma direção diferente.

Observando o entusiasmo de Perséfone, ela não pôde deixar de perguntar: "Você não está preocupada?"

"Confio na minha nora," respondeu Perséfone sem hesitar.

Chegaram a uma sala tranquila e bateram na porta.

A porta se abriu, revelando uma criada.

Dentro, Morrigan estava sentada à janela, tomando chá e lendo um livro.

Ela levantou os olhos e ficou tensa.

"Oh… entre", disse Morrigan rapidamente.

Ela estava visivelmente nervosa.

Na reação, quase idêntica à de Neo quando foi pega de surpresa.

Ver essa semelhança fez algo cerrar no peito de Elizabeth, mas ela manteve a expressão neutra.

A criada foi logo despedida, e as três se sentaram à mesa.

Morrigan se moveu para servir chá, com movimentos um pouco excessivamente cuidadosos.

Ela ficava olhando para Elizabeth de canto de olho, como se alguém estivesse prestando atenção.

Perséfone riu suavemente, pegou a chaleira das mãos dela e despejou chá para todos.

"Sente-se", disse Perséfone gentilmente. "Relaxe."

Morrigan obedeceu.

Elizabeth permaneceu em silêncio, fixando o olhar nela.

O clima ficou tenso.

Perséfone deu uma risadinha e tocou a mão de Elizabeth.

Uma onda de energia revigorante fluíu por ela.

A raiva que fervia no interior diminuiu um pouco, o suficiente para controlar.

Elizabeth respirou lentamente.

Só então percebeu que Perséfone havia ajudado intencionalmente.

"…Obrigada," ela disse baixinho.

"Que isso, não precisa se preocupar," respondeu Perséfone, sorrindo como se fosse algo trivial.

Elizabeth virou o olhar para Morrigan.

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