
Capítulo 809
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Com um sorriso suave e melancólico, Neo virou-se para o mercado movimentado.
Abriu a lista na mão e começou a procurar os materiais um a um, com um ritmo tranquilo enquanto a multidão fluía ao redor dele.
O mercado era enorme, muito maior do que ele esperava.
Não era apenas um lugar para trocar mercadorias. Parecia uma cidade dentro de uma cidade.
Caminhos largos de pedra se estendiam em várias direções, cada um ladeado por longos estandes de madeira e telhados tiles.
Banners vermelhos e dourados tremulavam no alto, carregando os símbolos de guildas de comerciantes e clãs antigos.
A arquitetura remetia fortemente ao antigo campo da Era Pré-Apocalipse da Terra. Havia beirais curvados, pilares esculpidos e lanternas penduradas que brilhavam suavemente mesmo durante o dia.
O ar era preenchido por sons sobrepostos.
Vendedores chamavam suas mercadorias em vozes altas, treinadas, enquanto sinos tocavam ao passarem carrinhos.
O estrondo de metais vinha das bancas de ferreiros, enquanto o aroma pungente de ervas e incensos se espalhava das farmácias próximas.
Pessoas usavam longas vestes, uniformes marciais ou trajes de comerciante.
De vez em quando, ele via cultivadores com expressões calmas caminhando ao lado de mortais comuns, e ninguém parecia surpreso com isso. Claramente, havia ali um lugar onde força e comércio se encontravam de forma natural.
Neo atravessava tudo aquilo silenciosamente, escondendo o rosto dos Cultivadores.
Ele parou em um estande que vendia ervas espirituais eris esculpidas na lista da Vivi.
Em outro estande, comprou minérios refinados selados em amuletos.
O tempo passou sem que ele percebesse.
Quando finalmente amarrar o último pacote na sua alça de armazenamento, percebeu que horas tinham se passado.
Ele franziu levemente a testa e olhou ao redor.
Vivi não estava à vista.
Considerou procurá-la, mas ela era mais do que capaz de cuidar de si mesma.
No entanto, o pensamento permanecia na sua mente.
Enquanto voltava para uma rua mais quieta na extremidade do mercado, uma voz rouca chegou aos seus ouvidos.
"Só uma Ji! Eu vou ler seu [Destino] em uma só Ji!"
Neo parou.
Virou a cabeça na direção do som.
Na extremidade da rua, onde geralmente se reuniam mendigos, um homem ferido e abatido estava sentado no chão.
Seus roupas estavam rasgadas e manchadas, o cabelo embaraçado, e uma de suas pernas parecia torcida em um ângulo estranho.
"Deixe sua [Destinação] ser lida por uma Ji!" o mendigo gritou novamente.
Ji era a moeda comum usada neste mundo. A quantia que ele pedia era insignificante.
Mas isso não era o que chamou a atenção de Neo.
"Destino? Não… Ele está dizendo outra coisa."
Franzindo a testa, Neo se aproximou.
'Será que essa pessoa é alguma cultivadora poderosa ou artista marcial?' pensou.
Ele parou na frente do mendigo.
"Então, você consegue ler Destino?" Neo perguntou.
"S–Senhor, seja bem-vindo!" o mendigo respondeu com entusiasmo. "Sim! Eu posso ler seu [Destino]! É diferente de Destino e muito mais poderoso!"
Vários pedestres próximos bufaram e riram ao ouvirem aquilo.
"Mais um enganador."
"Acha mesmo que as pessoas vão acreditar nisso?"
Neo franziu o rosto.
Ele tentou repetir a palavra que o mendigo usara.
Mas só saiu "Destino".
Era estranho.
Parecia que a palavra verdadeira estava logo além do seu alcance.
Como se o mendigo estivesse usando uma língua especial, imbuindo a palavra com algo que não poderia ser dito de forma descomplicada.
Neo olhou ao redor.
'Parece que só eu percebo que há algo errado,' pensou.
Os demais claramente não ouviam nada de estranho.
"Então, o que é esse Destino que você está falando?"
"[Destino] é a força motriz de tudo!" o mendigo respondeu empolgado. "A Sorte! O Caminho! Está acima do Dao do Destino e do Paradoxo. [Destino] é nascido do karma e das suas escolhas!"
Neo não conseguiu compreender completamente o que o homem dizia.
Mas a própria palavra o incomodava.
Mesmo após queimar a Llama da Vida, mesmo com sua percepção absurda, ele não conseguia analisá-la adequadamente ou pronunciá-la direito.
Só isso já despertava sua curiosidade.
Ele lançou uma moeda de Ji em direção ao mendigo.
"Certo. Leia o meu."
"Obrigado! Obrigado pelo dinheiro!" o mendigo exclamou.
Ele pegou a moeda com velocidade surpreendente e sorriu, mostrando dentes sujos e irregulares.
Depois, agarrou a mão de Neo.
Vários ao redor recuaram com nojo.
"Um homem elegante deixando um mendigo tocar nele?"
"Isso é Ridículo."
Neo ignorou as críticas.
Esperou.
"Y–Você tem um [Destino] grandioso!" o mendigo de repente gritou.
Seus olhos se arregalaram, tremendo.
"Seu [Destino] é ■ (Transcendente Eterno / Inferno Sem Fim / Assento da Virtude / Deus Louco)!" ele gaguejou. "Y–Você também tem um [Destino] temporário de Crueldade! Tantos [Destinos]… Você com certeza vai se tornar alguém grande!"
Os olhos de Neo encolheram.
"O que esses Destinos devem significar?" perguntou.
"H–Hmm," o mendigo hesitou. "Como eu disse, [Destino] é seu Destino e seu Caminho. Veja seu passado. Você verá como seu [Destino] sempre o acompanhou."
Neo franziu a testa.
Começou a olhar para dentro de si mesmo.
Transcendente Eterno.
Alguém que continua ficando mais forte.
Isso combinava muito bem com seu Caminho.
Depois, havia o Inferno Sem Fim.
Esse, ele achou estranho.
"O que significa o Destino do Inferno Sem Fim?" perguntou Neo.
"Y–Você tem passado pelo Inferno de novo e de novo, não é?" disse cuidadosamente o mendigo. "Juntamente com o Transcendente Eterno, isso significa que toda vez que superar um Inferno, você fica mais forte."
Neo ficou parado.
Memórias avançaram rapidamente.
A Prova da Sombra.
Tártaro.
O Deus do Estágio Seis que o capturou.
Sítio Voraka.
A Aliança Universal, e os Dragões Antigos.
'Eu.'
Apollyon.
"…O que significa 'Sem Fim'?" perguntou Neo em voz baixa.
"Y–Seu Inferno nunca vai parar até você morrer."
Neo sorriu.
"Entendi."
O mendigo piscou.
"N–Não está preocupado? Seu Inferno nunca vai acabar."
"Mas eu vou ficar mais forte, não é? Esse é o meu sonho. Não vejo problema nisso."
Ele lançou mais duas moedas de Ji na direção do mendigo.
"Explique Assento da Virtude, Deus Louco e Crueldade também," Neo acrescentou. "Ah, e qual é o seu nome? Quer vir para minha seita? Você parece ter uma habilidade útil. Não precisaria mais mendigar."
O mendigo hesitou.
"Meu nome é ■ (Mu De). Agradeço sua oferta, mas não posso acompanhá-lo. Quanto aos seus outros [Destinos], não consigo explicá-los."
"Por quê?" perguntou Neo.
"Só posso explicá-los quando você mesmo entender seu significado. J–Justamente como o Transcendente Eterno e o Inferno Sem Fim."
"Huh?" Neo franziu o cenho.
Ele prestes a insistir mais quando uma voz familiar veio de trás.
"Pai? Procurei por você por uma hora!"
Neo virou-se.
Vivi caminhava na direção dele, com um sorriso no rosto. Parecia que ela tinha se acalmado depois de passar um tempo sozinha.
Ao olhar para ela, uma pergunta inconsciente saiu de seus lábios.
"Espera, qual era mesmo seu nome? Não consegui ouvir direito."
"É ■ (Mu De). Mas acho que você vai achar mais fácil reconhecer meu outro nome."
A voz respondeu por trás dele.
"Valor Celestial."
"…!"
Neo arqueou o olhar rapidamente.
O mendigo havia desaparecido.
A rua estava vazia, como se ninguém tivesse passado por ali.