Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 803

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

No entanto, Sarah não ousou questionar ela abertamente.

"Então... vai embora agora?" perguntou Sarah após uma breve pausa.

Elizabeth percebeu como Sarah continuava olhando para Neo enquanto falava.

Suas sobrancelhas se franziram levemente.

Essa garota…

Era evidente.

Sarah estava desconfortável com o quão próxima Elizabeth estava de Neo.

Ela gosta dele.

Estava tão claro que até alguém sem compreensão de emoções poderia perceber.

Elizabeth lançou um olhar penetrante para Neo, como se perguntasse por que ele estava deixando alguém que tinha sentimentos por ele ficar tão perto.

Neo desviou o olhar.

"Vou partir em breve", disse Elizabeth com firmeza. "E vou levar Neo comigo."

"Q-Que?" exclamou Sarah.

"Seus pais eram meus amigos. Infelizmente, eles não tinham talento para artes marciais, então não pude ajudar muito. Mas Neo tem talento. Em memória deles, vou levá-lo como meu discípulo e cuidar dele até que cresça."

Os olhos de Sarah se arregalaram.

Sua mente ficou vazia.

Um Mestre de Seita.

Um discípulo.

Neo deixando a vila.

Tudo acontecia rápido demais.

Elizabeth virou-se e foi em direção à saída.

"Vou ter uma conversa rápida com o chefe da vila antes de partir com Neo."

"E-espera!"

Sarah chamou antes que pudesse se controlar.

Elizabeth parou, olhou para trás.

"P-Pode vir com o Neo?" disse Sarah apressadamente, depois corrigiu-se. "Não, posso me juntar à sua Seita, Mestre?"

A cabana caiu em um silêncio constrangedor.

A expressão de Elizabeth mudou.

A calorosidade que ela tinha demonstrado anteriormente desapareceu, substituída por uma frieza calma e distante. Seu olhar permaneceu por um breve momento em Sarah antes de se voltar para Neo, que ainda estava de pé dentro da cabana.

Ela não disse nada.

Ela não precisava.

Seus olhos deixaram claro.

Resolva ela antes que eu termine de conversar com o chefe da vila.

Neo entendeu o sinal instantaneamente.

Ele assentiu sem hesitar.

Ele já sabia o quão perigosas podiam ser as bruxas.

E, no estado em que se encontrava, sendo apenas um mortal, absolutamente não tinha intenção de ficar do lado ruim dela.

Elizabeth virou-se e saiu da cabana, a porta de tecido balançando suavemente atrás dela.

Assim que ela se foi, a compostura de Sarah desmoronou.

Lágrimas encheram seus olhos e, antes que Neo pudesse dizer algo, ela se lançou para frente e agarrou a manga dele.

"Neo, não vá," ela disse, com a voz tremendo. "Por favor. Fica aqui comigo."

Neo soltou um suspiro silencioso.

"Sarah", disse calmamente, "ouça só um momento."

Ela sacudiu a cabeça.

"Você vai me deixar para trás", disse ela, apertando a pegada. "Você prometeu que ficaria. Disseram que cuidaríamos da vila juntas."

"Eu não prometi isso", respondeu Neo suavemente.

Ela gritou com ele depois.

Acusou-o de abandoná-la, de esquecer seus pais, de escolher o poder em vez das pessoas que se importavam com ele.

Neo escutou.

Ele não interrompeu.

Não discutiu.

Tudo o que pôde fazer foi sorrir amargamente e falar em um tom calmo e firme, tentando acalmar suas emoções sem desconsiderá-las.

O tempo passou lentamente assim.

Eventualmente, a porta de tecido se abriu novamente.

Os pais de Sarah entraram, seguidos de perto pelo chefe da vila e sua esposa.

No instante em que viram Sarah chorando e agarrada a Neo, entenderam o que estava acontecendo.

"Sarah", disse sua mãe com firmeza. "Chega."

Ela tentou puxar a filha, mas Sarah resistiu, segurando Neo ainda mais forte.

"Não!"

"Sarah", disse o chefe da vila, com uma voz severa, "Você está se envergonhando."

Com algum esforço, finalmente conseguiram puxá-la para longe.

Ela lutou o tempo todo, gritando pelo nome de Neo, pedindo para que ele ficasse, implorando para que não a deixasse sozinha.

Neo permaneceu ali, silencioso, com as mãos fechadas ao lado do corpo.

Ele não a perseguiu.

Não chamou pelo nome dela.

Logo, eles a arrastaram para fora da cabana, seus soluços se apagando à medida que se afastavam.

Elizabeth voltou pouco depois.

Ela parou na frente de Neo e o olhou com uma expressão indecifrável.

Seu olhar estava fechado, afiado e levemente descontente.

"Eu só a via como uma irmã mais nova", disse Neo rapidamente.

"Ela claramente não pensa o mesmo", respondeu Elizabeth sem emoção.

"Ela ainda é uma criança. É normal ela confundir afeição familiar com outra coisa", disse Neo.

Elizabeth bufou com descrença.

Sem mais palavras, ela segurou sua mão e, com a outra, cortou o ar.

A primeira escisão tore o espaço como se fosse cortado por uma lâmina invisível.

Antes que Neo pudesse reagir, a paisagem se distorceu.

A cabana, a vila e as montanhas desapareceram.

Eles atravessaram a rasgadura e apareceram bem longe, com o vento passando por eles como se tivessem cruzado uma distância incalculável em um único passo.

Neo se equilibrou.

Ao se preparar corretamente, começaram a se mover em direção ao local escondido onde Elizabeth e os demais estavam hospedados.

A jornada foi demorada.

Eles passaram por caminhos isolados, espaços secretos e regiões onde seres comuns jamais pensariam em procurar.

Durante todo o percurso, Elizabeth pouco falou com ele.

Ela o ignorou, respondendo apenas quando necessário e mantendo distância.

Neo não forçou a conversa.

Ele sabia que era melhor não provocá-la quando ela claramente estava irritada.

Foi só no segundo dia que ela finalmente começou a falar novamente.

"Este lugar chama-se Terras Verdadeiras Abençoadas. Aqui, as regras são diferentes."

Neo escutou atentamente.

"Aqui, Deuses Elementais e Deuses Divinos não são diferentes de mortais."

Neo franziu a testa.

"Até mesmo os Supremos?" perguntou.

"Sim. Até os Supremos se tornam mortais aqui."

Neo diminuiu um pouco a velocidade.

"Isso... é extremo."

"Apenas Deuses de Reino Divindade (Deuses Extremos) e Quebradores do Céu (Cultivadores) podem usar seus poderes normalmente. Todos os demais são reprimidos."

Neo lembrou-se de seu próprio estado.

Antes, ele tinha um corpo de Nível Oito.

Isso sozinho o tornava absurdamente forte.

"Se eu não fosse um Quebrador do Céu ou um Deus de Reino Divindade, e fosse, por exemplo, um Deus Elemental ou Divino, meu corpo de Nível Oito também estaria sendo reprimido até o nível mortal?"

Elizabeth assentiu.

"Exatamente."

Neo exalou.

As informações o surpreenderam mais do que esperava.

"As autoridades ainda atuam aqui. Então os Supremos não estão totalmente indefesos. E também podem usar Espíritos, do mesmo tipo que muitos semi-deuses e despertantes dependem."

"Espíritos..."

"Eles nascem de Sementes Elementais," explicou Elizabeth. "Cada Semente Elemental existe por conta de um envolvimento de um Supremo. São versões inferiores dos Espíritos Técnicas."

Neo entendeu.

"Então, mesmo sendo mais fracos, os Espíritos ainda podem funcionar aqui."

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