
Capítulo 781
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
“Como você soube?” a voz do Void ecoou, carregada de diversão que preenchia o espaço ao redor deles.
Neo olhou para cima, apesar de a voz vir de lugar nenhum.
Karax gaguejou ao seu lado. “Q-Quê? O que isso—”
“Cale a boca,” Neo disse sem tirar os olhos do ar vazio. “Esse idiota viajou para o passado. Não acho que tenha sido feito pela Autoridade do Tempo, que, segundo ele, acabou perdendo mais tarde. Em vez disso, acredito que alguém o enviou de volta.”
Ele fez uma pausa e respirou fundo.
“Não pode ser os Eternos. Eles não fariam uma coisa dessas tão perversa.”
Ele mudou sua postura.
“Também não pode ser os Supremos. Eles não podem interferir demais em um universo.”
Neo estreitou os olhos para o local onde sentia a presença mais forte.
“Só sobra o grupo que se opõe aos Eternos. Seu grupo. Então me diga. Qual era sua intenção ao fazer isso?”
Void deu uma risada alta, o som reverberando pelo universo.
“Hahaha! Eu sabia que esse moleque ia descobrir!” ele parecia conversar com alguém atrás dele.
Antes que Neo pudesse responder, o universo tremeu.
Uma rachadura atravessou a fronteira do universo, abrindo-se como vidro frágil sendo empurrado de um lado.
Duas figuras entraram pela borda partida.
Uma era um homem de cabelo selvagem, como uma juba, e corpo robusto.
A outra era uma mulher de cabelos Brancos e olhos vermelhos, cujo rosto fez o coração de Neo apertar.
“Eliz… não,” Neo falou lentamente. “Você… é ela a irmã gêmea?”
Julie de Beaufort pigarreou. Ela virou o rosto e cruzou os braços como se não quisesse estar ali.
Void agitou a mão casualmente. “Ah, não ligue para ela. Ela só está com raiva. Na verdade, não conseguimos observar muito do que estava acontecendo nesse universo. Se víssemos de perto demais, os Eternos perceberiam. Então, deixamos tudo como deveria ser e recuamos.”
Neo rangeu a mandíbula enquanto ouvia.
Void continuou, com um sorriso demasiado relaxado. “Por causa disso, não sabíamos que você tinha bagunçado todos os planos dela, e agora ela está pistola.”
A expressão de Neo ficou escura.
Se Void estava dizendo a verdade, então quase tudo que vinha acontecendo tinha sido planejado por eles.
O nó no estômago apertou forte.
“Como você pode rir?” Neo perguntou em voz baixa.
“Ora, olhar para a sua cara de quem come o bolo é divertido,” Void respondeu. “E pode me culpar? Julie passou um bom tempo preparando tudo para despertar a filha como a Demônio da Crueldade. A marca do Ouroboros, os Deuses do Caos fora da Terra, Karax, Armas de Alma, treinamento sob Ceifadores… Amelia deveria conquistar cada um deles. Preparamos tudo certinho. Mas aí apareceu uma variável.”
Void apontou para Neo com um sorriso aberto.
“Você. Algo que ela não previu. E você se meteu em todos os problemas sozinho, tirando toda a evolução que pertencia à Amelia. Enfim, não nos culpe pelo que você enfrentou. Você mesmo fez isso.”
Neo fechou o punho.
Virou o olhar para Julie.
Ele não entendia como ela pôde colocar tantos perigos no caminho da própria filha.
Amelia era sua própria filha. E, ao invés de protegê-la, ela criou uma série de obstáculos tão mortais que poderiam destruir qualquer um.
A voz de Karax quebrou de repente. “O-que… é… isso?”
Ele parecia completamente perdido.
Ficou parado, os olhos tremendo, percebendo que tudo que julgava ser seu — suas escolhas, seu caminho, sua vida — nunca foi realmente dele.
Abriu a boca, mas nada saiu.
Seu rosto se retorceu de raiva impotente.
Neo deu um passo à frente e falou antes que Karax pudesse dizer alguma coisa. “O Void que encontrei no passado. Foi você?”
Void sorriu. “Sim. Mas, como eu disse, não sou o Void que você pensa. Eu sou Ultris, o Primeiro Quebrador do Céu.”
Os olhos de Neo se arregalaram um pouco.
Mas quanto mais ele pensava, mais fazia sentido.
O Void que ele conheceu criou um ciclo temporal grande o suficiente para envolver todo o Cosmo.
Somente um Quebrador do Céu tinha energia suficiente para fazer algo assim.
E a natureza do elemento Void — evolução descontrolada — combinava perfeitamente com o Caminho criado por Ultris, o Caminho da Evolução.
Ambos tinham evolução em seu núcleo.
Um selvagem.
Outro refinado.
“Severant?” Neo perguntou.
“Sim,” respondeu Ultris, balançando a cabeça com naturalidade. “Era Severant. Seu pai me cortou em duas partes porque eu era teimoso. Uma ficou com ele para lutar contra ‘ele’ e morreu. Essa é a Suprema do Void. A outra sou eu. Ultris.”
Neo concordou lentamente.
Depois apontou sua espada para Ultris.
“Obrigado pela resposta. Agora, vou acabar com você.”
Ultris explodiu em risadas.
Naquele momento, a Vontade Universal começou a se mover.
Sua voz falou pelo ar, firme e antiga. “Não façam coisa estúpida.”
Neo piscou.
A Vontade Universal permanecido em silêncio até parecer que ele ia destruir o universo e depois começar a regredi-lo.
Mas agora ela optou por falar.
“O que você quer dizer?” Neo perguntou.
“Ultris é louco,” disse a Vontade Universal, de forma direta. “Espero que ele morra numa vala qualquer. Mas ele não é cruel. Provavelmente, está bravo porque criou tantas tragédias para despertar a Demônio da Crueldade. Mas esse foi o único método dele. Era a única arma que dava uma chance real de vencer ‘ele’.”
Ultris gemeu dramaticamente. “Boo. Por que você falou isso já? Era divertido vê-lo agir como uma galinha brava.”
A Vontade Universal o ignorou completamente.
Neo respirou fundo.
Ele não sabia como se sentir.
Continuava com raiva.
Mas se a Vontade Universal falava a favor de Ultris, então o perigo que enfrentavam devia ser muito maior do que ele imaginava.
Enquanto todos se concentraram uns nos outros, ninguém percebeu Karax se desintegrando por dentro.
Finalmente, suas emoções romperam.
Ele gritou e atacou Ultris e Julie com toda força que tinha.
Julie mal olhou para ele.
“Lixo. Nem consegue fazer uma coisa certa,” ela murmurou.
Ela estalou os dedos.
Uma esfera de energia se formou ao redor de Karax instantaneamente e o prendeu completamente.
Ele não conseguiu se mover.
Não conseguiu nem respirar sem a permissão dela.
Julie virou-se para Neo com olhar frio.
“Você pode vir conosco por enquanto. Mas se não conseguir mostrar que é digno das nossas expectativas, tirarei a Demônio da Crueldade do seu Cosmos.”
A mandíbula de Neo ficou tensa.
Ouvir Amelia chamada de Demônio da Crueldade pela mãe, ao invés de pelo nome, o irritou profundamente.
“E se eu não vier com vocês?” Neo perguntou.
Julie não piscou. “Os Eternos chegarão aqui em breve. Eles vão te apagar. E você vai vir conosco, quer goste ou não. Já temos muita coisa em jogo para aceitar uma recusa.”
Ultris deu um passo ao lado dela e apontou diretamente para a forma espiritual de Neo.
“Além disso,” disse, alongando a palavra, “você não tem corpo. E, sem energia, não consegue se regenerar nem manter seu estado atual. Seis horas. É o máximo que pode viver. Venha comigo, e eu vou te ensinar a ficar vivo.”
Neo apertou mais a grip na espada.
“Eu posso reencarnar.”
Ultris balançou a cabeça. “Você não pode reencarnar no passado fora do universo. Mesmo se fizer isso dentro do universo e voltar ao passado, o tempo na Terra Proibida continuará avançando. ‘Ele’ vai acordar em breve. Quanto mais tempo você perder morrendo e se reerguendo, piores ficarão nossas chances.”