Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 780

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Neo ignorou sua raiva.

Ele não pediu fragmentos da alma de sua mãe que Karax havia levado embora enquanto fugia do Sítio Voraka.

Ele já os tinha.

Extraíra-os das tramas temporais enquanto retrocedia o universo.

Neo já possuía nove fragmentos de alma de sua mãe, incluindo aquele destinado ao Sítio Voraka.

Os demais ainda estavam desaparecidos. Neo suspeitava que estavam em outro universo.

Ele já tinha culpado as propriedades do Caos antes, achando que o motivo de não conseguir ver Karax no Sítio Voraka fosse algum tipo de propriedade dos Elementais do Caos.

Agora ele compreendia a verdadeira razão. Esse bastardo tinha se deslocado no tempo. Por isso Neo não conseguiu capturá-lo, mesmo tendo encontrado um fragmento da alma de sua mãe.

Karax cuspiu uma sequência de palavras que soava como lógica desesperada.

"Você não pode parar isso, Quebra-Céus. Mesmo que não se lembre, minha presença mostra que lutamos. Eu vou manter o Olho—"

"Isso é ótimo. Significa que posso te espancar várias vezes," disse Neo.

Karax ficou estático.

Olhou para Neo com uma expressão de perturbação absoluta.

Chegaram exatamente ao momento em que Karax havia conquistado o Olho de Todo Destino.

O céu era um caos de fragmentos onde os Sóis Esquecidos lutavam.

Planetas se despedaçavam como cascas de ovo, e os generais do Sol Esquecido jaziam feridos em crateras sangrentas.

Apenas os Três Sóis — os três Líderes Supremos — permaneciam, lutando entre si com fogo divino e poder bruto.

Neo e Karax surgiram no meio daquela devastação como se tivessem caído do céu.

Apollo, o Primeiro Sol, virou-se e olhou através da fumaça, entrecerrando os olhos.

"Quem é aquele?" ele murmurou.

Neo deu um aceno curto na direção de Apollo.

Apollo piscou, confuso.

O Terceiro Sol moveu-se, mas sua trama temporal já tinha sido retirada e guardada no Cosmos de Neo.

Apollo se endireitou, convencido de que um inimigo tinha chegado.

Karax rugiu e lançou-se contra o Segundo Sol, aquele que segurava ambos os olhos.

Neo abriu a boca.

"Pare."

A única ordem silenciou o campo de batalha.

O corpo de Neo quase foi destruído, reduzido a uma consciência e a uma massa de relâmpagos vermelhos.

Ele tinha quase nenhuma energia restante para formar carne.

Mesmo assim, uma simples ordem foi suficiente.

Sua presença obrigava obediência.

Nenhum soldado se moveu.

Até mesmo os generais congelaram no meio de uma respiração.

Neo atravessou o campo arruinado com os relâmpagos rubros como se fosse um manto.

Parou diante do Segundo Sol e agarrou os olhos de Apollo.

O Segundo Sol só conseguiu baixar a cabeça e deixar Neo pegar os olhos.

Neo devolveu o Olho de Todo Observador para Apollo e ficou com o Olho de Todo Destino.

"Q-Que? O quê?" murmurou Apollo, confuso.

Ele achava que o estranho era um inimigo, mas ao mesmo tempo tinha ajuda-lo.

Neo usou seu último suspiro de energia para transferir as tramas temporais completas de todos os integrantes dos Sóis Esquecidos — exceto o Segundo Sol — para seu Cosmos.

Reuniu-os como fios soltos e os guardou cuidadosamente.

O Segundo Sol e a Aliança Universal podiam continuar lutando na guerra no universo.

Neo não tinha energia ou interesse em trazê-los para seu Cosmos.

Karax tropeçou adiante, apesar da pressão de Neo.

"Devolva esse olho para mim!" ele rosnou, com a voz visceral.

Neo jogou o Segundo Sol de lado sem esforço.

Então aconteceu algo impossível.

O Olho de Todo Destino na mão de Neo e o Olho de Todo Destino no encaixe do Karax começaram a vibrar.

Eles se atraíam como se fossem puxados por alguma lei oculta.

Karax avançou contra Neo, com garras brilhando, desesperado para agarrar o que estava parcialmente entre eles.

Neo agarrou seu pescoço e o prendeu no lugar.

O olho no encaixe de Karax começou a se desprender, deslizando como uma pérola soltando-se de uma ostra.

Movia-se em direção à outra mão de Neo.

"Como ousa! Como ousa fazer isso comigo? Você destruiu minha casa e agora vai tirar minha força também?" gritou Karax, tentando se libertar da pegada de Neo.

"…o quê?"

Neo fez uma pausa.

"Então é por isso que você não salvou sua colônia, mesmo tendo a capacidade de viajar no tempo," murmurou Neo. "Você não queria arriscar criar paradoxos demais e acabar mudando seu próprio passado. Não queria perder sua força. Então… deixou sua colônia e sua família morrerem."

A diferença entre Neo e Karax não poderia ser maior.

Por um lado, Karax estava disposto a sacrificar sua família e amigos pelo poder.

Por outro, Neo estava disposto a sacrificar seu poder pelos amigos e pela família.

Ambos perseguiam o objetivo supremo de força.

No entanto, suas naturezas eram diametralmente opostas.

O ódio que Neo sentia por Karax começou a fraquejar e deu lugar a uma sensação fria e silenciosa: pena e repulsa.

Algo como Karax não valia sua ira.

O olho de Karax soltou-se e se fundiu com o de Neo na mão dele.

Uma luz entrelaçou-se entre eles, formando então uma gema vibrante, que pulsava suavemente.

"E agora, o que fazemos?" ele cuspiu, com uma mistura de indignação e desespero. "Ainda posso viajar no tempo. Você não consegue me matar. E agora, não é forte o suficiente para destruir a barreira do universo e sair. Então nem mesmo posso entregá-lo àquela vadia lá fora para que me mate."

Karax tentou fugir, mas sob a autoridade de Belzebu, ele não conseguiu se mover.

Ele se encheu de desespero.

Neo retirou seu Olho de Todo Destino.

Belzebu contrapôs sua Autoridade do Tempo.

Os planos que Neo fez durante bilhões de anos foram destruídos.

Ver uma causa tão perdida era suficiente para deixar qualquer um louco.

Mas Karax sorriu com desprezo, recusando-se a dar a Neo o prazer da vitória.

"Ele logo voltará. E quando isso acontecer, tudo que você poderá fazer é se contorcer como um verme sob seu pé. Saiba, Quebra-Céus, as coisas que você fez hoje, você vai se arrepender por toda a eternidade que virá—"

" Cala a boca."

Neo apertou ainda mais a pegada no pescoço de Karax até que o guerreiro inseto não pudesse emitir um único som.

Então, ele quebrou o pescoço dele.

A Autoridade de Karax reagiu imediatamente, puxando seu corpo para trás através de uma fresta no tempo e obrigando-o a sobreviver.

Neo não hesitou. Quebrou o pescoço de novo.

E mais uma vez.

De novo, várias vezes.

A vitória foi... surpreendentemente fácil.

De fato, Neo não podia mais usar energia.

Seus reservatórios estavam vazios, seu corpo mal suportava-se.

Mas ele tinha vencido.

Contudo, nenhuma sensação de alívio veio.

Sua Consciência trepidou e brilhou.

Quanto mais ele revisava os eventos na cabeça, mais irritado ficava.

"Saia," disse Neo.

Karax gritava maldições de onde jazia partido, mas Neo ignorava.

"Não perca meu tempo. Sei que você está assistindo, Vazio," disse Neo.

Silêncio.

Karax franziu a testa, lutando contra a dor e a confusão.

Ele se perguntou se Neo tinha enlouquecido. Talvez a tensão de ter se tornada uma aberração o tivesse levado longe demais.

Então, uma risada alta e retumbante ecoou pelo universo.

As bordas do universo tremeram sob sua força.

"Como você sabia?" a voz de Vazio ecoou, divertida e imensa.

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