
Capítulo 779
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
'Eu' observei Neo continuar avançando através do Rio do Tempo com determinação obstinada.
Os novos olhos por trás de Neo brilhavam com uma luz que fazia toda a extensão congelada tremer.
Mas então 'Eu' percebi algo importante.
Neo estava consumindo energia demais.
A energia caótica do universo resistia constantemente a ele.
E a presença dos milhões de Deuses que 'Eu' tinha preparado anteriormente obrigava Neo a queimar poder incessantemente.
A cada segundo, ele se esgotava.
Um pequeno pensamento de alívio surgiu dentro de 'Eu'.
'Sim… isso pode funcionar.'
'Ele vai ficar sem energia. Vai ficar incapacitado antes mesmo de chegar ao momento em que consegui o olho.'
'Eu' até tinha reescrito seu próprio passado em algum momento, mas agora isso parecia inútil.
Neo podia simplesmente escolher qual versão do passado queria interagir.
Reescrever o passado agora não iria parar Neo.
Agora, tudo o que 'Eu' podia fazer era observar e esperar.
Para aumentar suas chances de vitória contra Neo, ele já deveria ter alcançado o Nível 7.
Ou chamado um Eterno para ajudar.
Mas ambas as opções eram impossíveis.
Se ele chegasse ao Nível 7, seria forçado a deixar o universo.
E, uma vez fora, ou o Supremo Sombrio ou o Supremo Louco o encontrariam.
Nenhum dos resultados era compatível com sobrevivência.
Chamar um Eterno era ainda pior.
Eles tomariam o Olho de Toda a Sorte imediatamente, reivindicando como seu relicário legítimo.
'Droga… seria melhor escapar para as Terras Verdadeiras Abençoadas?'
O pensamento foi tentador por um instante.
Mas ele sacudiu a cabeça.
Ele sabia que nada do que realmente acontecia dentro daquele lugar era conhecido.
Apenas um por cento daqueles que entravam voltava.
Mesmo eles tinham suas memórias apagadas, como se o próprio mundo se recusasse a deixá-los lembrar.
Quem não retornava simplesmente desaparecia.
Até alguns Supremos entraram nas Terras Verdadeiras Abençoadas e nunca mais saíram.
'Não vou arriscar isso. Ainda não.'
'Apenas preciso esperar.'
'Ele não tem energia suficiente para chegar ao momento em que obtive o olho.'
Enquanto isso, Neo seguia gastando sua força.
A velocidade era tão extrema que seu corpo e alma se vaporizavam repetidamente.
Sua Força de Vontade, Núcleos, Cosmos e os Nove Céus todos vibravam como motores operando além do limite, gerando energia constantemente.
Ele se esforçava até quase atingir o colapso.
Precisei recorrer ao Empréstimo bem antes do que queria, por volta de dez mil anos de antecedência.
Naquele momento, já tinha puxado seus amigos para dentro de seu Cosmos para protegê-los.
Cada pessoa de quem se importava foi salva.
E, ainda assim, a raiva no peito de Neo não desaparecia.
Ele retrocedeu o universo em dez mil anos.
Depois, cem mil.
Um milhão.
Dez milhões.
O número aumentava, a pressão também.
'Eu' sentia o suor escorrer por seu rosto.
'Não… ele vai parar em breve.'
'Ele precisa parar.'
'Parece estar no limite.'
Mas Neo não parava.
Sua aura queimava mais forte, depois ficava mais fraca, e voltou a queimar forte novamente, como uma estrela lutando para permanecer viva.
A Energia do Empréstimo se retorcia ao seu redor, empurrando-o adiante mesmo quando sua forma física se desintegrava.
'Eu' sentiu seu coração pulsando forte no peito.
Ele passou milhões de anos planejando sua estratégia.
Cada peça foi colocada com cuidado.
Cada armadilha foi preparada com paciência.
Todo seu plano dependia de Neo.
Neo derrotaria Kevin.
Neo sobreviveria.
E Neo nunca viria atrás dele.
Fazia sentido.
Perseguir 'Eu' deixaria Neo incapacitado.
Neo tinha um inimigo muito maior para combater no futuro: Aquele que Não Deve Ser Nomeado.
Neo não arriscaria enfraquecer a si mesmo.
Essa era a lógica.
'Eu' até tinha se preparado para parar Neo caso ele tentasse ignorar essa lógica.
Fazia com que fosse necessário que Neo armazenasse pessoas dentro de seu Cosmos.
Porque, se o universo retrocedesse com essas pessoas dentro dele, o paradoxo destruiria o universo.
Ele revelou que Neo não podia se permitir ficar incapacitado por causa da ameaça que se aproximava.
Fazia sentido que Neo não lutasse contra 'Eu'.
'Eu' até tinha oferecido uma mão estendida para ajudar Neo a reviver quem ele se importava.
'Maldito lunático.'
'Que tipo de mentalidade é essa… de ignorar a escolha mais simples e segura bem diante dele?'
'Eu' cerrava os dentes enquanto Neo retrocedia o universo além de mil milhões de anos.
A Existência de Neo mal se sustentava.
A pressão era evidente.
Até o Empréstimo parecia estar chegando ao limite.
Mas o momento em que 'Eu' obtive o Olho de Toda a Sorte também se aproximava.
'Droga. Tenho que usar minha última carta.'
Ele avançou e falou entre dentes cerrados.
"Pare!"
Neo o ignorou.
Continuou empurrando o universo para trás.
Nada desacelerava.
'Eu' levantou a voz. "Nada vai mudar mesmo que você altere o passado e leve meu olho! Já lutamos inúmeras vezes, e ainda assim eu tenho o olho!"
Neo não reagiu.
A expressão dele permanecia fria e concentrada.
'Eu' se esforçou para continuar. "Sei que acha que estou mentindo. E sim, um Quebra-Céus deveria lembrar se o passado muda. Mas posso provar que você não pode tirar o Olho de mim!"
Neo permaneceu silencioso.
Nem piscou.
'Eu' sentiu a frustração tomar conta de seu medo.
Foi amaldiçoando Neo por baixo da respiração, até tomar uma decisão que não queria fazer.
Ele deixou cair a máscara que usava desde o começo.
Uma neblina negra se desprendeu de seu corpo.
Um formiga ficou debaixo dela.
Uma figura humanoide feita de carapaças quebradas e membros pontiagudos, semelhantes a insetos.
Rachaduras percorriam seu corpo como cicatrizes antigas.
Suas mandíbulas estremeceram.
Finalmente, Neo reagiu.
"Você se lembra de mim, não é?" 'Eu' disse. "Sou Karax. Campeão da colônia de formigas que você e seu irmão destruíram na Área de Voraka."
A expressão de Neo ficou mais fechada.
"Como isso é possível? Não sei," Karax riu com um sotaque amargo. "Minha memória deve ter sido distorcida pelo paradoxo."
"Não me lembro de nada de antes."
"Mas minha existência é prova suficiente, não é? Deve ter ficado furioso depois que você eliminou minha colônia."
Ele abriu os braços um pouco, os fragmentos de casca quebrada raspando uns nos outros.
"E de alguma forma, consegui a Autoridade do Tempo da Feiticeira. Com ela, viajei ao passado… e obtenho o Olho de Toda a Sorte. Mas, de algum jeito, perdi a Autoridade depois, então tive que consegui-la de novo, completando o ciclo—"
"Quer saber?" de repente Neo interrompeu.
Karax parou no meio da frase.
"O quê?"
Karax olhou para ele, surpreso.
Sua raiva cresceu e ele gritou, "Você ousa agir como se eu estivesse errado, quando só fiz com seus amigos o que você fez com minha casa?"
Neo franziu levemente a testa.
"Você é retardado?"
As palavras grosseiras surpreenderam Karax.
Ele congelou, as mandíbulas tremendo.
De verdade, ele não conseguia entender as ações, palavras ou pensamentos do Quebra-Céus.
Neo continuou: "Diferente de você, não estou afirmando com orgulho que minhas ações não têm nada de errado. Concordo que ataquei sua casa, mas também me arrependo. E c’mon, não tô nem aí se estamos fazendo a mesma coisa. Eu vou te arrebentar de qualquer jeito."
O rosto de Karax ficou distorcido.
Ele queria responder com furor, com culpa, com todas as acusações que havia praticado em sua cabeça.
Neo ignorou sua raiva.
Ele não pediu fragmentos de alma da própria mãe que Karax tinha levado ao fugir da Área de Voraka.