
Capítulo 782
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Ultris balançou a cabeça. "Você não consegue reencarnar no passado fora do universo. Mesmo que faça isso dentro do universo e volte ao passado novamente, o tempo nas Terras Proibidas continuará avançando. 'Ele' vai despertar em breve. Então, quanto mais tempo você perder morrendo e reconstruindo suas forças, pior ficarão nossas chances."
"Ainda assim, não me importo—"
As palavras de Neo foram interrompidas quando ele sentiu uma presença terrível.
A imensa quietude que emanava daquela presença era assustadora.
Neo virou a cabeça na direção de onde seus sentidos apontavam.
E lá…
"Quem é você?"
A raiva de Neo explodiu muito mais do que antes.
O homem que ele viu tinha o rosto de seu mestre, de seu aluno, de seu benfeitor e de seu sucessor.
Daniel Caelum.
"Ele é Veydran, o líder dos Eternals," disse Julie, franzindo as sobrancelhas. "Eles chegaram aqui rápido demais."
Daniel— não, Veydran— olhava fixamente para Neo.
"Aquele rosto… Entendo, você é o Demônio da Tiranismo. E esse poder… Parece um Quebra-Céus. Um poder tão perigoso que não percebemos até agora. Não é à toa que falou conosco," murmurou Veydran.
Ultris sorriu de forma maléfica.
"Então você é o bastardo aqui. Da última vez, tive que me conter para não destruirmos o universo, mas agora, vou apagar essa sua cara nojenta na Luz do Sol Oco," disse Ultris.
Uma onda de poder emanou de Ultris.
Ele falou baixinho, "Vá embora."
Depois, ele piscou com o dedo.
Neo, Julie, Veydran e Ultris se moveram—
Na verdade, foi o universo que se moveu.
Ele recuou e, nesse processo, expulsou-os de si mesmo.
O processo era como um cômodo se afastando enquanto as pessoas dentro dele permaneciam na mesma posição. Quando o cômodo se afastava demais, as pessoas batiam na parede e saíam dele.
O universo sequer conseguiu protestar.
Com um simples movimento de dedo, Ultris forçou todo o universo a se afastar.
E, enquanto ele desaparecia, uma cena de arrepiar se desenrolou.
Obscuridade total e completa.
Ela escondia horrores incontáveis dentro de si mesma.
Horrores que atacavam e devoravam inúmeros universos.
Mas o que chamou a atenção de Neo não foi a Escuridão nem os Horrores, foi… os Deuses.
Centenas de milhares de Deuses, cada um muito mais forte do que Kevin, cercavam Ultris e seu grupo.
Pareciam esperar pelo comando de Veydran.
"Por que há tantos Conquistadores aqui? Os Eternals não deveriam ter tempo de reunir tantos assim," murmurou Julie, mordendo os lábios.
"Conquistadores?" perguntou Neo.
"São os líderes de seus respectivos universos. Eles suprimiram qualquer resistência dentro de seus universos e ganharam força suficiente para trabalhar sob o comando dos Eternals," explicou Julie.
De alguma forma, Neo entendeu instintivamente por que tantos 'líderes de universos' estavam subordinados aos Eternals.
Não por causa do poder impressionante dos Eternals de controlar o Tempo.
Não, era… por sobrevivência.
Eles precisaram se unir para combater a Escuridão e seus Horrores.
Neo mordia os lábios, percebendo o quão longe Moraine tinha ido. Tudo isso estava acontecendo porque ela enlouqueceu tentando trazê-lo de volta na Décima Época.
Isto era… toda responsabilidade dele.
"Hahaha! O que é isso? Então trouxe muita gente? Formiga também é formiga!" Ultris riu.
A energia emanando de seu corpo ficou ainda mais forte.
Neo sentiu um calafrio. Era Energia Mundial. Ela era mais fraca que a dele, indicando que talvez Ultris estivesse realmente debilitado.
Porém, a intensidade e o peso da Energia Mundial dele iam muito além do que Neo poderia imaginar.
A força imensa da Energia Mundial fez dezenas de Conquistadores
clamar e recuar alguns passos.
Os chamados líderes de universos tinham olhares de medo enquanto fixavam seus olhos no Quebra-Céus.
"Vai lá! Por que estão recuando? Se quiserem lutar, então eu—"
"Sorria."
A respiração de Veydran interrompeu as palavras de Ultris.
O líder dos Eternals falou: "Você não entende, Ultris? Ou está tentando ignorar a verdade bem diante dos seus olhos? Por que acha que conseguimos reunir tantos aqui tão rápido?"
Julie mordeu ainda mais os lábios e olhou para Neo.
"Ei, você tentou devorar o Olho?"
"Sim."
"Droga, então 'ele' sabe que você está aqui. Porra, mesmo tendo mandado você não encontrá-lo."
Ultris olhou para Neo por um segundo e depois voltou sua atenção para Veydran.
Ele não disse nada, mas Neo percebeu uma mudança no olhar de Ultris.
"Já não adianta mais lutar, Ultris. O tempo acabou. Agora que 'ele' soube que nasce um segundo Quebra-Céus, ele vai retornar. Nem precisamos enfrentá-lo de verdade, basta ganhar tempo até a chegada dele," explicou Veydran.
"Você esqueceu quem fez aquele kakarot fugir? O que faz você achar que o retorno dele vai fazer alguma coisa? Ele nem estaria totalmente recuperado se retornasse agora," disse Ultris, exibindo um sorriso sem hesitação.
Veydran suspirou e olhou para Neo.
"Demônio, venha do nosso lado. Sua família… Se quiser salvá-los, trabalhe comigo. Apollyon pode ser implacável, mas não é cruel. Se ver sua devoção, ele vai tirar a maldição."
Assim que Neo ouviu a palavra "Apollyon", pareceu que um sino tocou dentro da sua cabeça.
A força do nome fez o cosmos tremer.
Neo não quis sentir vontade de morrer ao ouvir o nome de uma existência poderosa.
Não, era… algo diferente.
Algo tão poderoso que ele conseguiu controlar o efeito de seu Nome Verdadeiro.
Apenas ouvir o nome dele mudou a percepção de Neo.
De repente, ele pôde ver incontáveis fios dourados ao seu redor.
Seu corpo ainda não se mexia, sofrendo o impacto de ouvir o nome.
Sua Existência parecia tentar se curvar e abaixar a cabeça diante do nome.
Os Fios Dourados — os Fios do Destino — fluíam por toda parte, movimentando-se e servindo ao portador do Trono Dourado, Apollyon.
Neo via que, até então, os Fios Dourados se movimentavam por conta própria.
Sem supervisão.
Sem controle.
Mas agora…
Ele retornava.
Os Fios Dourados tremiam de excitação.
Seu Imperador estava a caminho.
"Você consegue enxergar agora?" perguntou Ultris.
O poder por trás de suas palavras penetrou no corpo de Neo, permitindo que ele finalmente se mexesse.
Neo assentiu com dificuldade.
O poder e a presença que sentia ao ouvir o nome Apollyon eram tão intensos que parecia estar profundo debaixo de um oceano.
Era sufocante.
"Esse é nosso inimigo. Aquele que amaldiçoou seus pais e minha família," disse Ultris.