
Capítulo 783
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, ao redor dele, os Conquistadores rugiram.
Investidas tão poderosas que Neo mal conseguiu resistir às reverberações que se seguiram.
Elas eram impressionantes.
Ver tantas entidades tão poderosas em grande número fez Neo se sentir uma formiga.
Ele tinha pensado que agora seus únicos inimigos eram os Supremos.
Mas, no Cosmos, onde existiam infinitos universos, mesmo que apenas 1% desses universos tivesse um Conquistador, a quantidade ultrapassava completamente as expectativas de Neo.
Neo cerrava os dentes.
Recusava-se a morrer sem lutar.
Quanto à oferta de Veydran, nem chegou a pensar nela.
Naquele momento, as ondas de poder que emanavam de Ultris se solidificaram.
O Quebrador do Céu nem se moveu.
Mesmo assim, ele parou o tempo.
Para.
Tudo.
Conquistadores.
As entidades altas e poderosas, e seus ataques, ficaram congelados.
Veydran talvez tivesse conseguido se mover, mas não o fez.
Simplesmente observava Neo e Ultris, sem demonstrar qualquer interferência enquanto o tempo era desperdiçado.
Ultris caminhou em direção a Neo.
Um turbilhão de chamas desconhecidas, mas familiares, se materializou acima de sua palma da mão.
Eles giravam em torno um do outro, como planetas ao redor de uma estrela.
Ultris empurrou-as para a região abdominal de Neo, ou onde seria seu abdômen, se ele ainda tivesse um corpo.
Neo congelou, incapaz de resistir de qualquer forma.
Então, para seu choque, as chamas entraram em seu Cosmos.
"São os últimos fragmentos da minha irmã. Diga a ela que sinto muito por ainda não ter consegui salvá-la," disse Ultris, sua voz agora mais serena, sem a ferocidade de antes.
Ela refletia a sabedoria de alguém que viveu e viu além do que se pode imaginar.
"Não combine os fragmentos até resolver a maldição. Ou Apollyon poderá se manifestar dentro do seu Cosmos. Quanto ao seu pai, devolvi o fragmento que estava sendo reencarnado. Os outros fragmentos estão com Apollyon. Seu pai era perigoso demais para ficar solto, por isso Apollyon o manteve por perto."
Fiel às suas palavras, Neo sentiu um lampejo diferente de Chama de Vida entre as que tinha colocado dentro do Cosmos dele.
Neo acreditava que era a Chama de Hades.
Ultris virou-se para Julie.
"Leve-o às Terras Verdadeiras Abençoadas. Apollyon não conseguirá espalhar o caos lá. Assim ganhará um tempo."
Julie assentiu, com a expressão fechada.
"O que você está fazendo?" Neo perguntou, com a voz trêmula.
A forma como Ultris falava... parecia que seria a última vez que se encontrariam.
Ultris sorriu e deu um tapinha no ombro de Neo.
"Não se preocupe. Vou causar tantos danos às forças dele e ao próprio Apollyon que facilitará bastante pra vocês no futuro."
Sua expressão se enfermou e ele completou:
"Peço desculpas por tudo que você passou até agora. Sei que me odeia por isso. Não vou tentar justificar. Só espero que não culpe tanto Julie e os outros. Eles fizeram o que tiveram que fazer."
O olhar de Neo tremia intensamente.
Ele cerrava os punhos.
Esse Ultris não era nada como ele tinha ouvido falar. Não era o Berserker que tinha visto anteriormente.
"Cesse de agir como se estivesse morrendo, velho. Você não pode morrer até eu te dar uma porrada por tudo que fez comigo."
"Hahaha, esperar por isso está difícil demais, dadas as circunstâncias," Ultris riu, com um sorriso carregado de emoções complexas. "De qualquer forma, peço desculpas. Não poderei te ensinar a viver."
A tensão nas Fitas de Ouro aumentou ainda mais.
O dono do Trono de Ouro quase ali.
"Então, adeus—"
Ultris piscou novamente com o dedo.
A figura de Neo se embebeu e se transformou em um rastro de luz.
Ele foi lançado a uma alta velocidade para algum lugar.
O entorno se moveu tão rápido que ele não conseguia enxergar nada.
A velocidade era tamanha que parecia que ele se estendia até o infinito.
Neo apertou os dentes.
As coisas estavam acontecendo rápido demais.
Mas ele não ia fugir.
Ele abriu caminho, tentando usar algo—qualquer coisa—mas falhou.
Nem mesmo seus Firmamentos podiam gerar energia. Esse era o preço do Empréstimo.
O rosto de Neo se fechou ao perceber cada vez mais as consequências do Empréstimo.
No entanto, antes que pudesse pensar em mais alguma coisa, notou três pontos de luz verdes o seguindo em alta velocidade.
Elas dispararam um ataque poderoso na direção dele.
De repente, um escudo azul-branco apareceu.
Bloqueou o ataque, mas a força dele foi suficiente para empurrar Neo pra longe. Seu movimento de alta velocidade foi interrompido.
Ele desviou do curso, atravessando o limite de um universo próximo.
Seu corpo continuou em movimento, destruindo corpos celestiais pelo caminho.
Galáxias inteiras e estrelas foram destruídas na sequência, enquanto ele caía como uma estrela cadente.
Por fim, caiu em um planeta com poucos seres vivos.
Um profundo crateras se abriu por sua chegada.
Todo o planeta tremeu.
Enquanto Neo saía da cratera, sentindo sua força diminuir, percebeu o ambiente ao redor.
Uma arquitetura desconhecida. Uma raça estranha.
Mas a emoção era familiar.
Medo.
Eles estavam fugindo dele.
Gritos. Clamores.
Cadáveres.
A chegada de Neo trouxe apenas desespero e destruição.
Antes mesmo de falar, uma luz verde veio do céu na direção dele.
Uma mão azul-branca surgiu do abismo e agarrou Neo.
Ela o puxou para fora do planeta.
A luz verde atingiu o planeta e... o apagou da existência.
Não existia mais.
Neo congelou.
Então, uma raiva inflamou.
Ele abriu a palma da mão, tentando usar seus poderes.
Querendo trazê-los de volta.
Mas era impossível.
Ele estava impotente.
Julie, que o carregava enquanto voava, tinha uma expressão grave.
Cada vez mais, luzes verdes desciam do vazio do espaço.
Ela continuava desviando delas até que uma Eternidade apareceu repentinamente na sua frente.
Um gigante de seis braços. Marca do Ouroboros visível em seus braços e olhos.
"Pare de resistir, mulher. Ou você esqueceu qual foi o resultado da nossa última batalha?"
"Galaxus," Julie murmurou, ignorando a Eternidade.
A mão azul-branca saiu novamente do vazio.
Mas desta vez, não era só a mão.
O espírito técnico de Julie, Galaxus, era uma massa de tundra girando, do tamanho de várias galáxias.
Ela se movimentava, formando aparições de membros, tentando capturar a Eternidade. A Eternidade desviou com facilidade, mas foi forçada a engajar-se na luta.