Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 784

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Julie aproveitou a oportunidade e fugiu.

Os feixes verdes ainda estavam vindo atrás.

"Você consegue sentir os outros dois Eternos?" ela perguntou, enquanto desviava dos ataques.

Neo rangeu os dentes e assentiu.

Ele queria lutar.

No entanto, seu corpo ia ficando mais fraco a cada segundo.

"Os dois Eternos fora deste universo são a força de ataque real, não o bruto que acabou de aparecer. Droga, aquele filho da puta da cobra estava preparado para nossa fuga e armou tudo no nosso caminho."

"Agora, ouça bem, um dos Eternos lá fora está nos atacando com esses Feixes de Frequência Temporal, enquanto o outro tenta integrar nossas fibras temporais neste universo."

"Se ele conseguir, pode nos apagar com a Autoridade do Ouroboros," ela disse enquanto lançava inúmeros feitiços para bloquear os feixes.

Neo queria falar.

Mas seu corpo e sua existência estavam congelando.

Sem um corpo físico, ele estava morrendo.

Instintivamente, podia sentir as Fios Douradas do Destino acelerando sua fraqueza.

E pior….

Cada um dos feixes que Julie desviava atingia um planeta e o apagava.

Neo desesperadamente queria impedir isso.

Porém, não conseguia fazer nada além de amaldiçoar sua própria fraqueza.

"Por que… vocês, Supremos… não ajudam?" Neo conseguiu perguntar, ofegante.

Julie riu. Era uma risada carregada de zombaria.

"A maior parte deles foi morta pelo seu pai. Os que ainda estão vivos? Por que eles quereriam nos ajudar e antagonizar alguém que poderia matar seu pai."

"Então—"

"Não temos tempo," Julie interrompeu. "Antes que os Eternos acabem com a gente, precisamos escapar deste universo."

"O que… você quer dizer com…"

"Peça ajuda ao Supremo Louco."

Neo congelou.

Sentia que Moraine viria se ele pedisse ajuda.

Mas… esse universo seria apagado.

Ele não queria isso.

Julie percebeu sua hesitação.

"Esse filho da mãe…!"

Ela o lançou na planeta do Estágio 6.

Ele foi esmagado na superfície cristalina, os espinhos de cristal distorcendo seu corpo etéreo.

Antes que pudesse levantar, Julie desceu e acertou nele com força suficiente para que metade do planeta fosse instantaneamente achatada.

"Você acha que queremos matar as pessoas?!"

Ela encarou Neo com raiva.

"Ultris ficou para trás! Ele vai morrer! Ele fez isso para dar tempo de vocês escaparem! E aqui está você, nem tentando fazer o seu melhor!"

Enfurecida, ela ia dar um soco em Neo.

Porém, a chegada dos feixes a obrigou a agarrá-lo e desviar do ataque.

O feixe atingiu o planeta.

Mais uma vez, um planeta inteiro e todas as formas de vida dentro dele foram apagados.

"Droga," Julie cuspou, ao ver a indecisão de Neo. "Droga. Você estragou tudo!"

Ela começou a recitar feitiços mentalmente.

Neo reconheceu a Língua do Dragão.

No entanto, ela não era uma dragão.

Como se para provar isso, sua pele começou a se rasgar. Sangue escorreu e suas veias estouraram.

Mesmo assim, ela continuou.

"Pare, mulher!" o Eternos de seis braços gritou, reconhecendo o feitiço.

Um dos Eternos que aguardava fora do universo e atacava com os Feixes de Frequência Temporal moveu-se.

Sua figura cruzou o universo rapidamente.

Ele tinha que parar Julie.

Mas…

"Heh, já era."

Ela mostrou o dedo médio para os dois Eternos que avançavam em sua direção.

Uma pressão poderosa envolveu Neo e torceu a realidade.

"Deslocar."

Assim que as palavras saíram da boca de Julie, sua língua foi cortada e os arredores de Neo ficaram turvos.

Eles passaram por ele num piscar de olhos, torceram-se, reformaram-se.

Neo não conseguiu entender o que estava acontecendo.

Uma voz falou dentro de sua cabeça. A voz de Julie.

'Vá em frente.'

'Dentro da Terra Verdadeira Abençoada, você encontrará nossos aliados se olhar ao redor. Não seja burro e trabalhe com eles.'

Ela odiava Neo. Ela o odiava intensamente.

Mas ele era o último recurso deles.

Mesmo que Ultris tivesse ficado para trás, Apollyon estava prestes a chegar das Terras Proibidas.

Julie precisava enviar Neo embora antes disso.

Os arredores de Neo finalmente se estabilizaram. Ele percebeu um universo gigante diante dele. Estava cheio de… esperança.

'Mundo Elemental?'

'Por que Julie me enviou aqui em vez das Terras Verdadeiras Abençoadas?'

Foi então que Neo percebeu um braço cortado segurando-o.

Era o da Julie.

'…Foi teleportado junto comigo?'

Neo estava bravo com Ultris e Julie.

Mas, vendo a situação atual, não conseguia organizar seus próprios pensamentos.

'Não, posso pensar em tudo depois.'

'Primeiro, preciso entrar naquele Mundo Elemental.'

Neo não sabia se tinha vindo ao lugar errado ou se o Mundo Elemental à sua frente realmente era a Terra Verdadeira Abençoada.

O que ele entendia era que precisava seguir em frente.

Isso era mais fácil falar do que fazer.

Seu corpo morrendo mal ouvia seus comandos.

Ele nem conseguia falar mais.

Obitus apareceu em sua mão, e tentou usá-lo para cobrir a distância.

Mas falhou miserablemente.

Logo que gerou um pouco de energia, ela desapareceu.

Neo rangeu os dentes.

Ele tinha que se mover.

Foi então que tudo aconteceu.

As Fios Douradas começaram a se mover freneticamente.

Neo olhou para trás de repente, com seus olhos arregalados.

Uma mão dourada, gigante, capaz de segurar dezenas de universos, vinha em sua direção.

Neo instinctivamente soube quem era o dono daquela mão.

Apollyon.

'Preciso sair daí.'

Neo tentou se mover, mas era rápido demais.

A mão cobriu a distância. Desde o universo raiz onde Neo nasceu até seu local atual.

Ela apareceu num piscar de olhos e agarrou Neo.

A força esmagadora o prensou de todos os lados.

Ele, que poderia lutar contra um Supremo do Estágio 7, sentia-se uma formiga tentando empurrar uma montanha.

"Não tente resistir, Senhor do Céu."

A voz fez toda a existência de Neo estremecer.

Exigia submissão e reverência.

A existência de Neo quis se curvar diante daquele ser.

Mas… ele se recusou.

Ordenou que sua própria Existência permanecesse ereta.

"Resistir é inútil, Senhor do Céu. Ultris já morreu. Você não tem mais esperança."

As palavras paralisaram Neo. Os arredores se mexeram quando Apollyon puxou Neo em sua direção.

O estômago de Neo virou.

Desde o momento em que saiu do seu universo, sentia-se como uma formiga sendo puxada pelas ondas do oceano.

Não podia fazer nada.

Não podia se mover. Não podia resistir.

"Respeito seu pai, Senhor do Céu. Por isso, quero conversar com você. Mas se continuar resistindo, terei que tratá-lo como inimigo."

A mente de Neo era um caos.

Muitas coisas aconteceram rápido demais.

As palavras de Apollyon só aumentaram aquele caos.

Ultris morreu?

Aquele filho da mãe que provavelmente amaldiçoou seus pais ainda os respeitava?

Neo precisava de uma saída.

Estava furioso demais, cansado de ser puxado por Julie, pelos Eternos ou por Apollyon.

Por isso…

"Moraine."

Decidiu abrir mão.

"Venha."

Invocou sua autoridade como Apóstolo do Louco Supremo.

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