
Capítulo 764
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
"Detonem, se ousarem!" Kaelus gritou. Sua voz ecoou pelo espaço em colapso enquanto avançava rapidamente. "Vocês vão morrer conosco!"
Sua mão gigante estava a apenas um centímetro do rosto de Neo.
A força do golpe distorceu o ar ao redor deles.
Kaelus acreditava que ninguém—nenhum ser sadio de cabeça—jamais acionaria tantos Sóis Negros de uma vez só.
Essa crença foi sua ruína.
"Tudo o que você consegue fazer é bancar o valente—"
Neo deu a ordem.
Os Sóis Negros se ativaram.
O mundo ficou branco.
A explosão rasgou o Espaço Independente com um barulho que não era som algum; era pressão, luz e energia bruta fundidas em uma só coisa.
A própria realidade pareceu gritar.
Kaelus nem teve tempo de se mover.
Seu corpo, alma e Núcleo foram apagados instantaneamente, vaporizaram antes que sua mente pudesse entender o que tinha acontecido.
Velion tentou resistir.
Ele abriu suas asas e gritou na Língua do Dragão, suas palavras sacudindo o pouco que restava do espaço.
Sua mana se envolveu ao redor dele, formando barreiras e escudos, mas eles se desfizeram assim que a onda os atingiu.
Os Sóis Negros consumiram tudo.
O espaço se dobrou sobre si mesmo.
O tempo vacilou.
O corpo de Velion se desfez pedaço por pedaço.
Suas escamas se soltaram como papel em chamas.
Seus braços eram mortos.
Metade de sua alma derretia sob o calor da explosão.
No entanto, enquanto sua visão ficava turva, ele conseguiu ver Neo no centro da destruição.
Neo não se mexia.
Ele também ardia.
O sorriso de Velion torceu seus lábios partidos.
Então, começou a rir.
Era uma risada seca, quebrada, que vinha lá do fundo do peito.
Mesmo enquanto seu corpo se transformava em cinzas, ele ria mais alto.
Porque Neo também estava morrendo.
Nem suas imortalidades poderiam protegê-lo disso.
Ele poderia reencarnar, sim, mas isso não o salvaria.
'[Eu] farei questão de garantir que você nunca possa reencarnar no passado', pensou Velion com um sorriso louco, percebendo que seu fim se aproximava. 'Você acordará no futuro, quando [eu] já for forte demais. Você nunca o derrotará. Nunca vingar-se-á.'
Sua risada continuou enquanto seu corpo se dissolvia completamente, o som se extinguindo no rugido do espaço em colapso.
Então, tudo parou.
As explosões ficaram congeladas no ar.
A luz e o som cessaram.
Os destroços ardentes pararam de se mover.
Até os fragmentos quebrados do Espaço Independente ficaram imóveis, como pedaços de vidro presos em âmbar.
Velion piscou, ou achou que piscou.
'O que…?' pensou ele. 'Ele parou o tempo? Consegue parar tantos Sóis Negros?'
Isso era algo que nem um Deus de Nível 6 conseguia fazer.
Parar até uma explosão de um Sócio Negro exigia reservas de energia comparáveis às de um universo recém-nascido.
Mas Neo havia parado todos eles, centenas de uma só vez.
'Como ele tem tanta energia?'
Os pensamentos de Velion tremeram.
Pela primeira vez em muito tempo, ele sentiu um medo real.
Neo levantou a mão.
Ele revirou o tempo.
O espaço quebrado começou a se consertar.
Os fragmentos se rearr pupil vez, deslizando de volta como se a explosão nunca tivesse acontecido.
As feridas de Velion se fecharam.
Seu corpo se restaurou. Sua alma se reformou, emitindo um brilho tênue.
E então, para seu total espanto, Kaelus também apareceu de novo, vivo, respirando com dificuldade, suas asas abertas de confusão.
"Eu… estou vivo?" murmurou Kaelus, olhando ao redor.
Velion não respondeu.
Ele não podia.
Sua garganta estava seca, tremendo de medo.
Ele observava Neo em silêncio, suor frio escorrendo pela coluna.
Finalmente, finalmente, entendeu que tipo de inimigo estavam enfrentando.
O medo que sentia não era medo da morte.
Era um medo que ele conhecera apenas uma vez antes, quando ficou diante do Deus da Morte Prime.
Neo os olhava, sua expressão impossível de entender.
"Vocês não sobreviveriam a isso," disse calmamente. "Mas resistiram bem. Talvez façam melhor na segunda tentativa?"
"…O quê?" a voz de Velion tremeu.
Neo levantou a mão novamente.
Os Sóis Negros anteriores foram apagados como um paradoxo.
Com um pensamento, ele criou centenas deles mais uma vez, preenchendo o ar ao redor com estrelas negras.
Seu zumbido retornou, mais profundo, mais violento.
Kaelus gritou algo, mas suas palavras foram sufocadas pelo pulso dos Sóis Negros.
No instante seguinte, eles explodiram novamente.
A luz engoliu tudo.
A onda de choque desfez Kaelus instantaneamente, seu corpo se desintegrando mais rápido do que antes.
Velion tentou resistir novamente.
Seus cânticos em Língua do Dragão ficaram mais altos e desesperados.
Sua mana inflamou, formando camadas de defesa que cintilavam como estrelas morrendo.
Mas as explosões eram infindas.
Cada uma o esmagava mais forte, queimando-o ainda mais fundo.
Sua pele rachou, seus ossos se despedaçaram, sua essência se dispersou pelo espaço em colapso.
E então, novamente, o silêncio.
Neo tinha parado o tempo mais uma vez.
Tudo ao redor deles ficou congelado: o fogo em expansão, as ondas de energia, até as partículas de poeira suspensas no ar.
Neo caminhou pela luz congelada em direção a Velion, que mal se segurava vivo.
Ele olhou para ele com olhos calmos.
"Você falhou de novo," disse Neo suavemente. "Mas continue tentando. Uma hora você consegue."
Velion não conseguiu falar.
Ele apenas encarou, sua mente lutando para processar o que estava acontecendo.
O espaço começou a retroceder novamente.
O tempo voltou a fluir para trás.
A destruição se reviu.
O corpo de Kaelus se reconstituiu mais uma vez.
As feridas de Velion desapareceram.
O Espaço Independente voltou a estar inteiro.
Os dois Dragões Ancestrais ficaram onde estavam antes da explosão, tremendo e pálidos.
Kaelus caiu de joelhos, respirando com dificuldade.
"O que… o que é isso?"
Neo não respondeu.
Ele simplesmente ficou lá, calmo e imperturbável, como se nada disso fosse estranho.
Velion finalmente entendeu.
Isso não era uma batalha.
Era uma execução.
Tudo o que podiam fazer era esperar pelo fim, de cabeça baixa.
Neo os apagava—de novo e de novo—até que nada restasse de sua vontade.
"Vou destruir vocês!" gritou Kaelus e avançou novamente, a fúria queimando o medo.
Suas garras alcançaram Neo, mas o Heavenbreaker não se moveu.
No instante em que as garras de Kaelus tocaram o ar à sua frente, um outro Sól Negro apareceu novamente.
Depois outro. E outro.
Centena de Sóis Negros o cercaram instantaneamente.
"Parem—" gritou Velion, mas já era tarde demais.
Os Sóis Negros explodiram novamente.
O grito de Kaelus foi interrompido ao ser apagado mais uma vez.
Velion mal conseguiu levantar os braços antes que a próxima onda o atingisse.
Suas barreiras se desfizeram antes mesmo de se formarem.
Seu corpo foi mais uma vez dilacerado, sua visão ofuscada pelo fogo.
Neo parou o tempo mais uma vez.
"Melhor," disse Neo, com tom ainda calmo. "Você aguentou um pouco mais desta vez."
O espaço retrocedeu novamente.
Velion voltou à vida, arfando, caindo de joelhos no chão.
Seu corpo tremeu violentamente.
Kaelus apareceu ao seu lado, as asas tremendo, olhos arregalados de horror.
"Não… não…" sussurrou Kaelus. "Isso não pode ser—"
Neo não lhes deu tempo de terminar.
Outra série de Sóis Negros apareceu.
Velion levantou lentamente a cabeça.
Agora ele entendia que não havia escapatória.
Não importa o quanto lutassem, Neo simplesmente os traria de volta e faria eles morrerem de novo.
Cada ciclo destruía um pouco mais a sanidade deles.
Eles estavam afundando no abismo do desespero, forçados a enfrentar uma tarefa impossível sem fim.
Seus wills estavam se despedaçando lentamente.
Neo os observava. Sua expressão permanecia calma.
Todos os seus amigos, queridos, já não estavam mais.
Eles haviam sido mortos pela Aliança e pelos Dragões Ancestrais.
Por isso…
Ele não tinha mais nada para proteger.
Por isso, tinha todo o tempo do mundo para desperdiçar.
Para executar esses patéticos Dragões Ancestrais repetidas vezes.