
Capítulo 763
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
A expressão de Velion era diferente da sua calma habitual.
Era séria, afiada.
Ele sabia o que significava criar um Espaço Independente: Agora, não haveria interferências.
Poderiam enfrentar o Quebra-Céus sem se preocupar com reforços ou interrupções.
Mas isso não tornava a situação mais segura.
Todos haviam ouvido as histórias sobre o Quebra-Céus. Relatos de sua vontade quase infinita, de feitos impossíveis.
'Se ao menos 'eu' não tivesse tirado o Golem de nós. Essa batalha teria sido muito mais fácil,' pensou Velion com amargura.
Kaelus olhou para ele. "Foi... uma traição nossa?"
"Parece que sim. Ele nos disse que o selo aguardaria o Quebra-Céus por toda a eternidade. Mas isso não era verdade," murmurou Velion.
Kaelus cerrara os punhos.
Por que 'ele' tinha feito isso?
Por que mentiria?
Certamente, ele deveria ter previsto isso.
Então por que não se preparou?
Velion teve pensamentos semelhantes, mas tentou expulsá-los.
Não era hora de questionar o passado.
O inimigo estava diante deles, e a hesitação só significaria morte.
A mana começou a se acumular.
Não era mana comum.
A energia ao redor de seus corpos era algo muito maior: Mana Verdadeira. A espécie que só pertencia aos Dragões Antigos.
Neo permanecia em silêncio, de frente para eles.
Sua presença sozinha distorcia o ar.
Quando finalmente falou, sua voz era calma e fria: "Vocês parecem entender errado. Não vim aqui para lutar."
Suas palavras foram seguidas por uma erupção de energia do mundo.
"Vim aqui para acabar com vocês dois."
Embora fosse apenas uma Existência do Estágio 5 com Núcleos do Estágio 4, a quantidade de poder que liberava equivalia à soma de dois Dragões Antigos.
As asas de Kaelus se abriram com um som metálico.
Ele desapareceu em um borrão, rasgando o espaço enquanto avançava em direção a Neo.
Velion começou a recitar um feitiço.
Sua voz era profunda e ritmada.
Ele pronunciava na Língua dos Dragões, a língua ancestral capaz de moldar a própria realidade.
A Língua dos Dragões era uma arma única dos Dragões Antigos.
No entanto, o verdadeiro poder da Língua dos Dragões não residia em manipular o tecido da realidade.
Seu valor real se mostrava ao ser usada para "cantar" Feitiços.
Gritos e Feitiços eram criações da Mãe dos Dragões.
Essas coisas serviam para revelar o verdadeiro potencial da Língua dos Dragões.
Um Dragão Antigo como Velion, que dominava a Língua com alta maestria, poderia afetar até mesmo Supremos de baixo Estágio 7.
Na Primeira Guerra Divina, eram uma força de peso.
Kaelus avançou, garras brilhando em vermelho incandescente, rasgando o ar ao seu redor.
As palavras de Velion preenchiam o espaço, criando ondas e distorções que torciam o ar.
Neo não se moveu.
Sua expressão permaneceu neutra.
Ele levantou uma mão e usou o Conceito Núcleo Sombrio para criar um Sol Negro.
Uma pequena pérola negra apareceu entre seus dedos.
Um zumbido suave preenchia o ambiente.
Os olhos de Velion se arregalaram ao notar aquilo.
O rosto de Kaelus ficou vermelho de raiva.
"Sacrilegiamente!" ele rugiu. "Você ousa usar a criação de nossa mãe contra nós!?"
"Kaelus, espere! Volte!" gritou Velion.
Neo detonou o Sol Negro.
Uma explosão violenta rasgou o espaço, engolindo som, luz e ar.
Tudo à vista ficou branco por um instante, depois ficou preto.
O espaço desapareceu. A realidade gritou.
A onda de choque quebrou camadas de dimensões, rasgou a estrutura do existir, e queimou o campo de energia do Espaço Independente.
Velion rangeu os dentes e bateu a palma da mão no ar, sua voz ressoando em Língua dos Dragões.
Palavras de poder se torciam ao seu redor.
O espaço se dobrava.
Sua mana brilhou mais forte do que estrelas.
Mas mesmo assim, ele mal conseguiu contê-la.
A explosão pressionou seus escudos, rachando sua pele, queimando suas veias.
Seu corpo sacudiu violentamente, sangue jorrando de sua boca.
Sua alma urrava sob a pressão, mas ele não parou de recitar.
No momento em que cessasse, tudo desapareceria.
Quando a explosão finalmente diminuiu, fumaça e mana distorcida encheram o ar.
Todo o corpo de Velion estava coberto de fissuras.
Vapor saía de sua pele, enquanto pedaços de suas escamas caíam.
Neo olhou para ele, com expressão ainda calma.
"Conforme esperado. Você consegue conter um Sol Negro, mesmo que por pouco."
"Um…?"
Velion sentiu que algo estava errado.
Neo ergueu a mão novamente.
Outro Sol Negro apareceu no céu acima deles.
E depois outro.
Depois mais um.
Em segundos, o espaço ao redor deles ficou tomado por centenas de Sols Negros, cada um irradiando energia instável e destrutiva.
"Você consegue parar um," disse Neo calmamente. "Mas consegue parar todos?"
"Você vai morrer também, Quebra-Céus. PARE essa loucura!" bradou Velion.
Neo não respondeu.
Seu olhar permaneceu firme, como se sequer tivesse ouvido o aviso.
Velion não conseguia entender como isso era possível.
Ninguém deveria ter energia suficiente para criar tantos Sols Negros assim.
Até um só deles seria quase impossível.
Ele sabia o que esses objetos eram.
Sóis Negros eram uma das maiores criações da Mãe dos Dragões.
Baseados no conceito de Buraco Branco, um objeto impossível que continha massa infinita e a emitia continuamente.
Um verdadeiro Buraco Branco não poderia existir.
Quebraria todas as regras da realidade, todas as leis de equilíbrio.
Seria um paradoxo em si mesmo.
Até o Buraco Branco que Neo tinha visto no Sítio Voraka não era um verdadeiro Buraco Branco.
Aquele apenas emitia fagulhas de Chamas de Vida tiradas do Mar de Toda a Consciência (Grande Rede da Vida).
Ele não era infinito.
Tinha limite.
Buracos Brancos verdadeiros não podiam existir.
Mas a Mãe dos Dragões tornou isso possível.
Sua criação — o Sol Negro — continha massa infinita.
Claro que, tal objeto, não podia existir de verdade.
Assim que começasse a emitir sua massa infinita, viraria um paradoxo.
E naquele instante, seria apagado da realidade.
A Mãe dos Dragões encontrou uma solução para isso.
Os Sols Negros não emitiam a massa infinita lentamente.
Eles a liberavam toda de uma vez, em uma explosão catastrófica.
Antes que pudesse ser apagado da existência, já destruiria tudo ao redor.
Essa era a genialidade deles.
Por isso, também, eram proibidos.
Um único Sol Negro podia destruir uma grande parte do Domínio Dourado.
Mesmo no auge de seu poder, a Mãe dos Dragões só conseguiu criar dezoito.
Eram objetos extremamente difíceis de fazer.
E, no entanto, Neo estava ali, cercado por centenas.
Velion sentiu o coração tremer.
Sabia que o Quebra-Céus tinha devorado um desses Sols Negro originais. Devia ter sido assim que aprendeu sua estrutura.
Mas isso ainda não explicava como ele conseguia alimentá-los.
Neo olhou para o céu, depois para os dragões.
A calma em seus olhos não era arrogância.
Era certeza.
Ele havia parado de espalhar sua existência pelos Nove Céus e pelo Cosmo.
Toda energia que antes se dispersava por esses reinos agora se concentrava aqui, neste momento.
E isso lhe dava força suficiente para criar tantos e ainda sobrava muito.
As esferas pulsavam, cada uma zumbindo como um coração.
O próprio espaço tremia.
Ele se torcia e se dobrava.
"Explodam se tiver coragem!" rugiu Kaelus. Sua voz ecoou pelo espaço em colapso enquanto avançava. "Vocês vão morrer conosco!"
Sua mão gigante estava a apenas um passo do rosto de Neo.
A força do golpe distorcia o ar ao redor.
Kaelus acreditava que ninguém — nem um ser sã — atacaria tantos Sols Negros de uma só vez.
Essa crença foi sua ruína.