
Capítulo 765
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Neo ficou diante de dois dragões antigos.
Sua mente havia sido destruída, e seus olhos estavam vazios.
A vontade deles foi destruída e espancada várias vezes, até sobrar nada dela.
Eles tinham tentado de tudo — Buracos de Energia, Selos, inúmeras outras técnicas — mas nada funcionou.
A energia de Neo era demasiado grande para ser contida pelos Buracos de Energia.
Os selos não conseguiam mais contê-lo, e qualquer outro método que usassem simplesmente se quebrava contra seu poder.
Ele os observou em silêncio.
Os dragões pareciam quase pacíficos, mas não havia vida por trás do olhar deles.
Eles haviam morrido tantas vezes, ressuscitado tantas outras.
Seus pensamentos estavam destruídos.
Neo chegou a usar o Conceito de Felicidade de seu Elemento de Vida para curar suas mentes.
Fez isso apenas para quebrá-los novamente.
Repetiu esse ciclo até que suas mentes deixaram de se recuperar completamente.
Agora eles eram apenas cascas vazias. Conchas vazias do que um dia foram.
Sem dizer uma palavra, Neo ergueu a mão.
A escuridão saiu dele como uma maré, espalhando-se pelo chão e alcançando os dragões.
A escuridão os engoliu por completo.
Seus corpos, almas, habilidades, sangue antigo, Núcleos — tudo — fluíram para Neo. Até mesmo sua própria Existência se tornou parte dele.
À medida que sua essência se fundia com a dele, memórias inundaram sua mente.
Ele viu o Início do Éon, o nascimento da própria Criação.
Viu sua criadora.
Ela tinha muitos nomes.
A Mãe dos Dragões. O Prime Evil. A Primeira Feiticeira. A Bruxa do Orgulho.
Ela permanecia igual ao Soberano Supremo.
Ela era alguém que continuava na Conselho Eterno, mesmo após o Soberano Supremo ter saído dele.
Desde o Sexto Éon, quando a Morte Prime deixou o Conselho Eterno, guerras incessantes se seguiram.
O Conselho Eterno e a Morte Prime se enfrentaram repetidamente.
Às vezes as batalhas eram discretas, durando séculos.
Outras vezes, eram tão violentas que todo o Cosmos tremia.
Mas as guerras finalmente terminaram no 10º Éon. Porque apareceu um novo inimigo.
Ouroboros. O Diabo do Tempo.
Ele uniu Bruxas, Demônios, Diabos e até Súpermes sob sua bandeira.
Prometeu a eles o que mais desejavam em troca de lealdade.
Então, para surpresa de todos, declarou guerra contra tanto o Conselho Eterno quanto a Morte Prime.
E estava vencendo.
Pelações desconhecidas, Ouroboros conseguiu roubar uma parte da Autoridade da Mãe dos Dragões.
A Bruxa da Gula devorou aquele fragmento e ficou inimaginavelmente poderosa.
O Conselho Eterno quase entrou em colapso.
Parecia que Ouroboros conquistaria tudo.
Mas então, Hades — a Morte Prime — encontrou uma maneira de matar Súpermes sem realmente matá-las.
Normalmente, um Súpermo só poderia morrer quando um Éon chegasse ao fim. Não poderia ser morto de outra forma.
Porém, eles tinham se esquecido contra quem estavam lutando.
Nada era impossível para a Morte Prime.
Ouroboros perdeu a guerra.
Forçado a esconder-se, seus seguidores foram eliminados.
Súpermes que o apoiavam foram "mortas", Bruxas e Demônios foram selados, e Diabos caíram na extinção.
Dentre eles, havia um dos piores: a Súperme da Escuridão.
Ela serviu como um receptáculo, carregando as Autoridades fragmentadas de muitas Bruxas.
Seu poder cresceu tanto que até Hades teve dificuldades para destruí-la.
No final, ela perdeu a sanidade completamente.
Transformou-se em um monstro dominado por seus instintos, que atacava qualquer coisa que se movesse.
Então, Hades a expulsou do próprio universo.
Antes da guerra, o Cosmos e o universo eram um só.
Mas a guerra entre Ouroboros e a Morte Prime rasgou a realidade.
O tecido da existência se quebrou, dando origem a inúmeros Universos Paralelos, que mais tarde ficaram conhecidos como Os Ramos Infinitos Neverborn.
A brecha entre o Cosmos e esses universos nasceu dessa destruição.
Se o Cosmos fosse uma esfera gigante, os universos eram incontáveis pequenas esferas flutuando dentro dela.
Hades lançou a Súperme Maluca no vazio entre os universos e o Cosmos, em um lugar onde nada existia.
Finalmente, a guerra acabou.
Pelo menos, foi o que todos pensaram.
Porém, então, Hades voltou seu olhar para a Mãe dos Dragões.
Com o Conselho Eterno extinto, ele acreditava que era hora de acabar com sua tirania.
Para ele, não era justiça.
Era necessidade.
Quando lhe perguntaram por que atacara-a, Hades deu apenas uma resposta.
"Seus filhos cometeram crimes de guerra. Atacaram inocentes que nada tinham a ver com sua perda de Autoridade."
Outra guerra começou entre a Morte Prime e a Mãe dos Dragões.
Foi brutal.
Hades a feriu gravemente e, por fim, a expulsou do universo.
Lá fora, no vazio, ela foi devorada pela Súperme Maluca, exatamente o monstro que Hades havia banido.
Depois disso, os Dragões Antigos caíram um a um.
Eles realmente cometeram atrocidades quando sua mãe perdeu sua Autoridade, mas se aquilo era realmente a razão pela qual Hades os caçava, ninguém poderia dizer.
Os Dragões Antigos sobreviventes foram para o esconderijo.
Depois de destruir a maior parte deles, Hades parou.
Ele não perseguiu o restante.
Ninguém entendia por quê.
Kaelus e Velion, dois dos últimos dragões, nunca descobriram a resposta.
Contudo, Neo tinha uma suspeita.
Hades deve ter se ferido.
Não havia como ter saído da guerra contra Ouroboros ileso.
Ele provavelmente escondia suas feridas.
Essa poderia ser a razão de sua pressa para acabar com a Mãe dos Dragões.
Em cada Éon, a presença de Hades obrigava ela a restringir suas ações.
Mas se ele caísse, ela poderia selá-lo antes que reencarnasse.
Assim, ela poderia governar sem impedimentos.
Havia um motivo pelo qual ela era chamada de Prime Evil.
O caos consumiria tudo.
Para impedir isso, Hades tomou a única decisão possível.
Ele decidiu eliminá-la completamente, mesmo que precisasse usar a Súperme Maluca para isso.
Após o fim da guerra, Velion e Kaelus não tinham ideia do que realmente acontecia no universo.
Algo parecia errado. O fluxo do tempo não era mais o mesmo.
O roteiro tinha sido revertido durante a guerra.
Ele retornou desde o fim do 10º Éon até seu começo devido às ações do Diabo do Tempo.
Velion e Kaelus acreditavam que essa distorção temporária era a razão de terem sentido variações estranhas na linha do tempo enquanto se escondiam.
Embora não pudessem determinar a verdadeira origem —
Embora não pudessem determinar a verdadeira origem —
Embora não pudessem determinar a verdadeira origem —
Neo franziu a testa.
Ele entendeu o que estava acontecendo.
"Os pensamentos deles estão se repetindo," murmurou lentamente.
Isso não era apenas uma pequena distorção no tempo.
A fonte das flutuações não era porque o roteiro do Éon havia sido torcido ou revertido.
Não, isso era algo diferente.
Um Loop Temporal.
Que abrangia todo o Cosmos.
Neo franziu ainda mais a testa, imerso em pensamentos.
"Depois que o tempo foi rebobinado até o início do 10º Éon por Ouroboros e o rio do tempo começou a fluir novamente, alguém criou um loop temporal."
"Mas quem criou esse loop… e por quê?"
Isso não era algo que um ser comum poderia fazer.
Nem os Dragões Antigos perceberam que estavam passando por ciclos repetidos.
Suas memórias, suas próprias vidas, tinham sido resetadas várias e várias vezes, sem nunca perceberem.
Neo só percebeu por causa do que ele era. Um Quebra-Céus.
Sua existência, agora no Nível 6, naturalmente percebia pequenas irregularidades no fluxo do tempo.
Ele podia sentir quando algo não estava certo.
"Foi a pessoa que amaldiçoou minha família?"
"Ou é alguém completamente diferente?"
Ele não conseguia determinar.
"Quem poderia ter feito isso—"
"Sou eu," disse uma voz.
Neo congelou.
A voz fazia parte da memória.
Neo vinha percebendo essa pessoa como a origem do loop temporal, mas essa pessoa estava em uma parte diferente do universo comparada a Velion e Kaelus — na memória.
'Sua existência dentro da memória se movimentou quando percebeu que alguém estava assistindo à memória, e veio me procurar,' Neo percebeu.
Dois olhos gigantescos e roxos apareceram na sua frente, penetrando na memória que ele estava observando.
O peito de Neo se apertou.
'A única pessoa que vi fazer algo assim foi Cole…'
Seus olhos se estreitaram.
'Esse cara está no nível do Cole?'
'Quem—'
Naquele instante, Neo congelou.
Porque ele percebeu a presença dos olhos.
Era uma presença familiar.
"Vácuo?"