Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 744

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

— Você acha que será tão fácil? — a voz de Zeus rugiu como trovão, e o céu lhe respondeu.

Nuvens torciam-se em espirais violentas, o céu trovejava enquanto relâmpagos se acumulavam, cada raio mais espesso que as árvores mais altas.

Neo tentou se mover, mas seu corpo não obedecia.

A primeira estocada acertou.

Um arco de relâmpago cegante rasgou o pico, atingindo-o com uma força que fez o chão se despedaçar.

A carne dele estava sendo destruída em um instante, os ossos esmagados e dissolvidos um a um.

No entanto, na mesma velocidade, seu corpo se reconstituía, como se o próprio tempo estivesse tecendo sua volta.

Zeus estreitou os olhos.

Sua face passou a mostrar algo entre curiosidade e irritação.

Os lábios de Neo se curvaram num sorriso tênue, embora metade de seu rosto já tivesse derretido.

Ele podia se mover mesmo sem corpo.

E, ainda assim, moveu-se.

Toda vez que o relâmpago o reduzia a nada, sua forma voltava.

Ele não apenas resistia a Zeus, mas mostrava que podia enfrentá-lo.

— Vaidade orgulhosa — murmurou Zeus.

Ele ergueu o braço, e o relâmpago respondeu ao seu comando.

Centelhas se espalharam pelo céu. Os fios de relâmpago entrelaçaram-se até formar uma figura colossal.

Um homem de relâmpagos, só a parte superior do corpo, barba esvoaçante como uma nuvem de tempestade, e na mão um tridente gigante de pura corrente elétrica.

O gigante lançou o tridente.

Ele rasgou o céu, destruindo o som antes de atingir o alvo.

A explosão engoliu a montanha.

Uma onda de choque arrancou picos menores, fazendo rochas virarem pó. O mundo parecia chegar ao fim naquele único golpe.

Devagar, a poeira foi se dissipando.

Neo ainda caminhava para frente.

Cada passo vinha com o estalo de ossos se partindo e carne se torcendo de forma anormal, deformada sob a força da gravidade e da Lei Mundial de Zeus.

Seu corpo tentava desintegrar-se, mas ele forçava sua união novamente.

Um passo.

Dois passos.

Ele não parava.

Zeus estava prestes a se mover quando algo mudou no ar.

Perigo.

Ele virou a cabeça rapidamente, justo a tempo de evitar uma lâmina que cortou o espaço onde seu pescoço tinha estado.

Uma figura flutuava diante dele, vestida com uma armadura negra que não revelava nada. Um cavaleiro sem rosto e silencioso, convocado por Moraine. Sua arma estava apontada à garganta de Zeus.

Zeus fechou o punho.

O golpe de costas veio com o som do mundo se partindo.

O peito do cavaleiro cedeu em colapso, a armadura se quebrou, e seu corpo foi lançado do céu em direção à montanha abaixo.

Zeus não o seguiu.

Seu olhar observou enquanto fios dourados surgiam, tecendo-se a partir do corpo de Moraine.

Eles se estendiam até o cavaleiro destruído, infiltrando-se na armadura fragmentada, puxando-a de volta ao formato original.

As placas trituradas se curvaram novamente em sua forma original.

Lentamente, peça por peça, o cavaleiro se ergueu outra vez.

Zeus franzia as sobrancelhas.

— O que é isso? — sua voz ficara mais baixa agora, mas carregada de perigo. — Você está usando o Destino para curá-lo? Como é possível—

Ele parou.

Sua expressão mudou num instante, como se algo que ele percebera tivesse atingido uma profundidade excessiva.

— Quem é você?! — sua voz voltou a trovejar, mas não era só raiva. Era alarme. — Como você consegue algo assim?!

Sua figura começou a ficar difusa.

Num momento estava lá acima do pico, no outro surgia na frente de Moraine, com a mão estendida como uma garra na direção do pescoço dela.

Mas então ele parou, congelado por uma voz.

— É só isso? Não foi difícil. —

Zeus virou a cabeça rapidamente.

No topo mais alto, estava Neo.

Na breve distração de Moraine, Neo tinha chegado ao cume.

— Então, e se você chegou ao topo? — disse Zeus. — Mesmo que eu não seja invencível, o que você consegue fazer? Você não passa de um frustrado perto de mim—

Antes que pudesse terminar, o ar se abriu.

Uma onda avassaladora de energia emergiu de Neo, explodindo para fora em uma onda que engoliu a montanha, as nuvens e o próprio céu.

Zeus franziu a testa.

Sentiu o peso da energia, mas não conseguiu entender qual era o objetivo de Neo.

Então, percebeu.

Tempo.

Neo estava ativando uma técnica para distorcê-lo.

— Reverter o tempo? Não adianta. Você não tem energia suficiente para me afetar—

Seu raciocínio se interrompeu quando o mundo mudou.

A escuridão cortou seus sentidos, e no momento seguinte, sua consciência voltou ao contato com a realidade. Ele não estava mais dentro de seu Mundo.

Estava voando pelo vazio do espaço.

Em direção a uma nave.

— O tempo foi revertido, — percebeu, ao sentir seu corpo se chocando contra o casco de metal.

Ao contrário de antes, Neo o aguardava.

Sua mão puxada para trás, postura firme, como se tivesse planejado esse momento o tempo todo.

— Morda seus dentes, tio! —

O soco foi certeiro.

A cabeça de Zeus se virou abruptamente, ao receber o golpe de Neo na cara. O impacto o impulsionou com velocidade impossível.

Zeus mal teve tempo de pensar, mas sua mente ainda acelerava.

'Tempo foi revertido?'

'Ele tinha energia suficiente para isso… para mim?'

A diferença entre um Estágio 6 de Grau 3 e o pico do Estágio 6 era mais do que a diferença entre mortal e Stage 6.

A lacuna não era só grande, era inimaginável.

E, mesmo assim, Neo tinha conseguido.

'Como?'

'Fez um pacto com Ekravion?'

Isso explicaria. O poder do demônio permitiria a Neo pegar energia do futuro. Se fosse verdade…

'Só preciso empurrá-lo e fazê-lo queimar tudo. Se ele extrair força demais do seu eu futuro, vai colapsar.'

Enquanto esses pensamentos percorriam sua mente, apenas uma fração de segundo passou na realidade.

Zeus ajustou-se instantaneamente.

Avançou, seu corpo se turbilhonando enquanto se preparava para atacar Neo novamente.

A voz de Neo soou calma.

— Espaço, bloqueie a área ao redor dele. —

Zeus sentiu.

Elementais do Espaço atenderam ao pedido.

Correntes invisíveis o envolveram, pressionando de todos os lados, tentando imobilizá-lo.

Ele expirou com esforço.

— Isso é inútil. O poder dos Elementais depende da sua existência. Com seu nível, eles não podem me deter —

As ligações rangeram.

Zeus deu um passo à frente.

O espaço ao redor de seu pé se contorceu, e o vazio gemeu sob a pressão.

As correntes lutaram, mas ele se moveu com facilidade, caminhando calmamente em direção a Neo, como se quisesse demonstrar o quanto seu poder era maior.

Porém, antes do próximo passo, a energia de Neo se acendeu novamente.

Foi violenta. Uma explosão tão forte que parecia distorcer o universo ao seu redor.

Os olhos de Zeus se estreitaram.

'Ele está tentando voltar o tempo de novo,' pensou.

Dessa vez, Zeus decidiu não resistir. Deixou Neo tentar. Neo acabaria gastando sua própria força, enfraquecendo-se até não sobrar nada.

Porém, de repente, Zeus congelou.

Seu corpo se recusou a se mover.

— O quê? — sua mente cortou com rapidez.

Ele ficou chocado.

Tentou avançar, levantar o braço, até piscar.

Nada.

Não conseguiu fazer absolutamente nada.

— Ele parou o tempo para mim? —

A realização o abalou. Reverter o tempo era uma coisa, parar totalmente… especialmente para alguém como ele e por tanto tempo — exigia um preço ainda maior.

Contudo, Neo permanecia tranquilo diante dele.

Caminhava pelo vazio.

Passo a passo, sem pressa, zombando da mesma calma que Zeus usara poucos momentos antes.

— E agora, tio? —

Neo parou a apenas alguns passos de distância.

— É tudo isso que tinha? Veio lutar contra um Quebra-Céu com esse nível de preparo? —

Zeus não conseguiu responder. O próprio tempo parecia aprisioná-lo.

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