
Capítulo 743
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
O céu desabou, colapsando com peso e pressão até arremessá-lo contra o ombro de Zeus.
Por um breve momento, Neo tentou que pudesse ter dado certo.
Mas Zeus apenas inclinou a cabeça, aliviou a pressão e o céu simplesmente se desfez em fragmentos.
Ele estalou os dedos, e outro céu apareceu acima, substituindo o que se quebrara.
As ações eram tão fluidas que parecia que ele só trocava de roupa.
Ainda assim, Neo conseguiu alcançar o que queria.
A atenção de Zeus se desviou.
Seu foco rompeu-se de Amelia.
Zeus levantou a mão.
Seus dedos se curvaram lentamente antes de descer em um corte diabólico.
As nuvens acima roncavam como uma bateria antes de se rasgarem.
Um único relâmpago cortou o céu.
Os olhos de Neo se estreitaram.
Ele podia sentir a força do relâmpago antes mesmo de ele aterrissar.
Ele não pôde bloqueá-lo.
Mesmo com sua força, mesmo sabendo que poderia reviver, o relâmpago carregava tanto poder que mataria ele instantaneamente.
E, nos momentos em que revivisse, Zeus simplesmente terminaria a luta.
Desviar era a única opção.
Neo ativou os Registros Celestiais.
Deles, bilhões de Pequenos Mundos do Tempo floresciam como faíscas, cada um no auge do Estágio 4.
Por si sós, não eram nada perto de Zeus.
Mas sua quantidade compensava a diferença, e ao combiná-los com sua agilidade natural—no Grau 6, Nível 3—a rápida evolução de velocidade o elevou ao limite do Grau 6, no Estágio de pico.
Ele deu um passo à frente, movendo-se exatamente na direção em que o relâmpago se dirigia.
Porém, o chão o esmagou.
A gravidade própria caiu sobre seus ombros.
Seus ossos estalaram audivelmente, uma dor atravessando seu corpo enquanto ele congelava no lugar.
O relâmpago passou ao lado, atingindo o solo numa explosão de fogo branco.
Neo piscou surpreso, percebendo que não foi só sua tentativa que o salvou.
O olhar de Zeus mudou.
"Quem é você?" ele murmurou, com os olhos estreitando-se para Moraine. "Um dios do Estágio 5 não deveria ser forte o suficiente para desafiar meu Destino."
A mão de Moraine ainda permanecia no ar, na direção do sinal que ela traçara.
Ela manteve o olhar fixo nele.
"Mesmo que você consiga me fazer perder alguns centímetros, não vai adiantar."
Zeus finalmente balançou a cabeça.
Ele estalou os dedos. As nuvens se abriram amplamente.
Centenas de relâmpagos caíram de uma só vez.
Neo tentou se mover, mas a gravidade o prendeu firmemente.
Sua cabeça se voltou instintivamente para Moraine.
Cada relâmpago tinha força suficiente para apagar um Deus do Grau 4, Estágio 6 de uma só vez.
Ela não sobreviveria a nem um deles.
"Não se preocupem comigo!" a voz de Moraine foi afiada enquanto ela apertava as palmas das mãos juntas.
A energia divina girava ao seu redor. Linhas de força gravadas no ar.
Um círculo mágico se acendeu.
De dentro dele, um cavaleiro de armadura negra avançou, espada já na empunhadura. Ele levantou a lâmina e enfrentou a tempestade.
O aço colidiu com o relâmpago.
Finalmente, Neo conseguiu escapar.
Ele invocou a Forma do Infinito Imaterial de Obitus, atravessando o espaço num instante.
Seu corpo se turvou ao fugir dos relâmpagos, cada um deles explodindo logo atrás de si.
Mas cada passo tinha um preço.
Seus ombros gritaram.
O peso invisível aumentava.
Não era apenas pressão. Era como se o Mundo de Zeus tivesse decidido que Neo deveria carregar o peso de todo o mundo.
"Deve ser o efeito do Mundo dele", pensou Neo, cerrando os dentes.
Ele sabia o que isso significava.
Se não matasse Zeus rápido, desmoronaria sob o peso crescente e ficaria preso ao chão.
Ele se agachou, ignorando o estalo agudo em suas costelas, e se lançou para cima.
Relâmpagos vermelhos envolveram sua espada ao puxar Energia de Ressonância para Obitus.
A lâmina vibrou.
Seu golpe se estendeu, ampliando a distância até que, mesmo que Zeus estivesse flutuando bem acima, a ponta já estivesse na sua garganta.
O golpe atingiu—e—
Clang!
A respiração de Neo ficou presa. Seus olhos se arregalaram.
"O quê?"
A espada parou.
"Nem um arranhão?"
Zeus não bloqueou. Não se moveu.
Simplesmente ficou ali, as vestes balançando preguiçosamente no ar carregado.
A lâmina de Neo pressionou contra seu pescoço e não avançou mais.
Neo recuou, tentou de novo com um golpe mais preciso. O resultado foi o mesmo. A espada simplesmente não podia cortar.
"Que mundo é esse?"
Deuses do Estágio 4 começavam a entrelaçar seus elementos, Conceitos e Leis em seus mundos, mas as leis que criavam eram fracas, e não conseguiam moldar a realidade de maneira significativa.
Seus Mundos eram apenas extensões do seu Conceito, nada mais.
Deuses do Estágio 5 fortaleciam seus Mundos com Energia de Ressonância.
Isso aumentava a força do elemento e do Conceito.
Mas ainda assim, as leis dentro do mundo deles eram frágeis e quase invisíveis.
Isso mudava no Estágio 6.
O mundo de um Deus do Estágio 6 tinha suas próprias leis.
Era um [Mundo Completo] que operava com base nas leis, Conceito e elementos do próprio Deus.
As leis, é claro, não podiam ser qualquer coisa.
Deveriam estar vinculadas ao Conceito do Deus, à sua essência e ao que ele representava.
Mas uma vez formadas, essas leis governavam com autoridade absoluta dentro do Mundo.
Muitos diziam que, no Estágio 6, o indivíduo de fato se tornava um deus. Era quando tinham um Mundo que obedecia suas instruções e tudo funcionava conforme sua vontade.
Neo atacava outra vez e outra. Seus movimentos estavam muito mais rápidos do que antes.
Faíscas saltavam enquanto sua lâmina colidia contra a pele imóvel de Zeus.
Cada impacto era inútil.
Zeus não se defendia, nem retaliava.
Simplesmente deixava Neo se exaurir.
E, o tempo todo, os ombros de Neo se curvavam ainda mais.
Sua respiração ficava superficial.
A cada passo, o peso sobre seus ombros aumentava.
Essa sensação fazia parecer que ele carregava o peso do mundo.
"Estou chegando ao limite", murmurou Neo entre os dentes.
Ele cambaleou, quase caindo quando um relâmpago rasgou o ar atrás dele.
O Infinito Imaterial ajudou, mas seus passos ficavam cada vez mais pesados, mais pesados.
"Neo!" a voz de Moraine cortou o silêncio da tempestade.
Seu rosto se virou rapidamente para ela.
"Descobri!" ela gritou, bloqueando outro relâmpago com seu cavaleiro convocado. "Sei como funciona o Mundo de Zeus! Pense no título dele do nosso mundo. Lembre-se dele!"
O coração de Neo disparou. Sua lâmina vacilou na luz da tempestade.
Os Registros Celestiais ao seu redor se moveram freneticamente. Reviraram histórias, títulos, mitos, cada narrativa relacionada a Zeus.
Uma voz calma e analítica falou dentro dele.
[Mestre, após analisar o passado e compará-lo com a habilidade atual de Zeus, determinamos a lei do Mundo dele que o protege.]
Neo se abaixou sob outro relâmpago que rasgou o chão onde tinha acabado de estar.
Sua mão apertou com força a espada.
"O que é?" perguntou rapidamente, com os olhos fixos em Zeus.
[A lei o torna indestrutível dentro do seu Mundo.]
Neo amaldiçoou silenciosamente.
A resposta fazia sentido, mas também mostrava como a situação era absurda.
Um adversário que não podia ser ferido era uma coisa, mas um adversário cujo Mundo inteiro reforçava a invencibilidade era pior ainda.
Enquanto lutassem aqui, Zeus era invencível.
Mesmo assim, o desespero não se enraizou.
Se o Mundo de Zeus tivesse crescido forte o suficiente para criar tal lei, então também deveria seguir a mesma lógica de qualquer outro [Mundo Completo].
Vinha do próprio Zeus, construído a partir de sua vida e seu Conceito. Isso significava que tinha fraquezas, e imperfeições.
Todos tinham, e os Deuses não eram diferentes. Suas falhas se tornaram parte do seu Mundo tanto quanto suas forças.
"Encontrei a resposta, Neo! A montanha!" Moraine gritou acima da tempestade. Seus olhos dourados, mostrando que estava estudando a tapeçaria do Destino.
Ela ainda evitava a chuva de relâmpagos.
Seu cavaleiro convocado interceptava aqueles que se aproximavam demais, mas já estava desmoronando.
O cavaleiro já tinha perdido um braço.
"Suba nela! Só após chegar ao topo você terá a chance de lutar com ele!"
Os olhos de Neo se estreitaram, e ele assentiu sem hesitar.
"Qualificação para lutar", pensou enquanto avançava em disparada.
As peças se encaixaram na mente dele.
Era por isso que seus ataques não conseguiam deixar sequer um arranhão.
Ele não tinha a qualificação para enfrentar Zeus.
Sem ela, Zeus permanecia intocável e Invencível.
Neo amaldiçoou novamente entre os dentes.
Um Deus do Estágio 6 com seu Mundo Completo era terrivelmente injusto.
Mas aquilo não mudava a realidade. Se o caminho para derrotar Zeus fosse escalar aquela montanha, ele subiria.
Ele virou o corpo e correu em direção ao pico rochoso que atravessava as nuvens.
Ele se erguia acima do campo de batalha.
Mas, no instante em que Neo colocou o pé na encosta acidentada, seu corpo gritou.
"Ai!"
Seus joelhos quase vacilaram.
Cada passo o arrastava mais para baixo do que o anterior. O peso não apenas aumentava como antes, mas multiplicava-se exponencialmente, esmagando-o de todos os lados.
"Skyfall", percebeu Neo pelos dentes cerrados. "A lei do seu Mundo está me esmagando. Cada passo aumenta o peso do próprio céu pressionando contra mim."
Ele se obrigou a continuar, um pé após o outro.
O inclinado já parecia interminável.
Seus ombros se curvavam sob o peso invisível.
Seus ossos estalavam. Seus músculos rasgavam. Ele cuspia sangue na terra, mas não parava.
Vai morrer aqui?
Que assim seja.
Ele morreria.
A morte não era suficiente para pará-lo.
Quando suas pernas se rasgaram, ele substituiu por novas.
Quando suas costelas se estilhaçaram, costurou-as novamente.
O corpo que usava se desfez centenas de vezes sob o peso esmagador, mas cada vez ele o recriava e se levantava novamente.
Passo após passo.
O Infinito Imaterial o levava adiante, pulando pedaços de distância, mas até aquilo o zombava.
Sua escala era além da compreensão.
Cada avanço só revelava mais distância a ser conquistada.
"Você acha que será tão fácil?" a voz de Zeus rosnou como trovão ao percorrer a montanha.
As nuvens acima se agitaram em resposta, formando uma massa de poder.