Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 722

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Ele levantou dois dedos.

"Em segundo lugar, os Limites da Morte — os Ceifadores aposentados — voltarão a lutar se os dragões antigos atacarem você ou os outros Ceifadores. Mas os dragões também sabem disso. Se se moverem, será com um plano para contra-atacar os Limites da Morte."

Por fim, ele levantou o terceiro dedo.

"Em terceiro, sob nenhuma circunstância, deixe que alguém descubra que o Monarca está morto. Essa notícia não pode se espalhar. Se se espalhar... o fim chegará."

Neo assentiu lentamente.

Ele já desconfiava, mas ouvir a confirmação de Bael carregava um peso diferente.

A morte de Hades era um tipo de verdade que poderia derrubar a ordem.

Os Supremos sabem que ele está morto?

O palácio estava cheio de elementos elementais criados por Bael.

Elementais de ambiente não conseguiam passar por essa fortaleza, o que significava que o mundo em geral ainda deveria estar às cegas para essa verdade.

Mas os Supremos... alguns deles já poderiam saber.

Neo quebrou o silêncio. "Você conhece algum lugar isolado?"

Bael inclinou a cabeça. "Por quê?"

"Preciso criar minha ruptura. Se tentar aqui na Terra, a energia e as ondas de choque destruirão demais. Pode até abrir um buraco em uma parte da galáxia."

Bael olhou para ele por um momento, então abriu a palma da mão.

Um estranho vórtice se formou no ar acima dela, pequeno, mas irradiando uma profundidade impossível.

"Você pode fazer sua ruptura dentro disso."

Os olhos de Neo estreitaram. "O que é isso?"

"Um Universo em Miniatura," respondeu Bael casualmente, como se fosse apenas uma ferramenta qualquer.

Neo ficou realmente surpreso.

Pela sua compreensão, criar um buraco negro verdadeiro era uma conquista digna de Deuses do Estágio 6, e mesmo assim Bael criou um universo em miniatura tão facilmente.

Ele rapidamente reprimiu a reação, forçando seu rosto a permanecer calmo.

"Tudo bem."

Ele assentiu com um breve gesto e, então, seu corpo se tornou uma corrente de luz.

Sem hesitar, entrou no vórtice e desapareceu nas profundezas infinitas do Universo em Miniatura.


Ponto de Vista de Jack

Felix e Jack se moveram rapidamente pelas ruas, dirigindo-se à mansão onde Ilyana estava hospedada.

A cidade estava calma na superfície, mas ambos sentiam o peso do que estavam prestes a discutir.

Jack caminhava um pouco mais devagar que o habitual.

Seus ombros estavam tensos, e seu olhar permanecia fixo na trajetória à frente.

Felix reparou na hesitação e quebrou o silêncio.

"Sei que você não quer pedir ajuda de novo, Jack," ela disse suavemente. "Mas desta vez, não temos outra escolha."

Jack deu um breve assentimento em silêncio.

"Sei,"

Sua voz saiu baixa, quase sem expressão.

Felix estudou seu rosto por um momento.

A expressão dele não parecia boa.

Não havia raiva ali, mas o desconforto era claro.

Jack sempre carregou um peso enorme quando o assunto era Ilyana.

Ela tinha dado à Terra tudo que podia—recursos, informações, força de trabalho—e nunca tinha pedido nada em troca.

Apesar disso, Jack a rejeitava pessoalmente, várias vezes.

A culpa pesava nele agora mais do que nunca.

Ambos permaneceram em silêncio até chegarem à mansão.

Guardiões se curvaram respeitosamente ao passarem pelos portões e entrarem no edifício principal.

Por dentro, os corredores eram amplos e decorados com elegância, embora nenhum deles prestasse muita atenção nisso.

Finalmente, chegaram a um cômodo luxuoso no segundo andar.

O espaço familiar estava polido, mas aconchegante, uma mistura de autoridade e calor.

Era um dos quartos de hóspedes da propriedade da família de Jack, embora Ilyana tivesse feito dele sua base temporária.

Ilyana estava sentada próxima à janela quando eles entraram.

Uma chaleira de chá já estava sobre a mesa, com vapor subindo das xícaras.

Ela parecia calma, embora seus olhos rapidamente se voltassem para Jack com uma centelha de algo que nenhum deles podia nomear.

"Felix. Jack." Ilyana fez um gesto para que sentassem. "Vocês vieram mais cedo do que eu esperava."

Felix sorriu de forma educada e se aproximou da mesa. "É urgente."

Jack sentou-se à frente de Ilyana, com movimentos rígidos.

Primeiro evitou seu olhar, mas quando ela despejou o chá e lhe entregou uma xícara, finalmente olhou diretamente para ela.

"Obrigada," disse em voz baixa.

Todos fizeram uma pausa para beber.

O silêncio não era exatamente desconfortável, mas também não era relaxado.

Ilyana parecia paciente, esperando que eles começassem a falar.

Felix colocou a xícara na mesa. "Precisamos conversar sobre algo sério. Dragões antigos. Eles estão vindo."

As palavras cortaram o ar como uma lâmina.

A expressão de Ilyana mudou imediatamente.

A expressão de alívio desapareceu, substituída por um foco aguçado. Ela se inclinou um pouco para frente, com os olhos estreitando. "Você tem certeza?"

"Sim," disse Felix. "Neo confirmou. Eles podem não se mover agora, mas é só uma questão de tempo."

Jack permaneceu em silêncio, mas suas mãos cerradas ao redor da xícara denunciavam seu estado de espírito.

Ilyana respirou lentamente.

"Dragões antigos... isso complica tudo."

O olhar dela se perdeu na janela por um momento, antes de voltar ao grupo.

"Tudo bem. Vou chamar reforços dos Sóis Esquecidos. Não conseguimos lidar com algo assim com nossa força atual."

Felix assentiu, mas completou: "Tenha cuidado. Se os dragões descobrirem que reforços estão vindo, podem se mover mais cedo. Querem acabar com tudo antes que suas forças cheguem."

Os lábios de Ilyana se comprimiraram em uma linha fina.

"Entendo."

Ela fez uma pausa, e seus olhos brevemente se fixaram novamente em Jack.

Ponto de Vista de Leonora

Leonora estava sonhando novamente.

O sonho era nítido e claro, não a névoa vaga que geralmente acompanhava o sono.

Ela se via em um lugar que parecia um reflexo de si mesma.

Águas abertas se estendiam infinitamente.

O céu acima ondulava como se fosse feito de vidro.

À sua frente, uma mulher que se parecia exatamente com ela.

A semelhança era tão impressionante que qualquer outra pessoa acharia que eram gêmeas.

Mas Leonora sabia que não.

"Você vai ajudar, né?" perguntou Leonora.

A mulher cruzou os braços. "Eu?."

A mulher sorriu, um sorriso que parecia suave, mas carregava um peso de provocação.

Ela era a Suprema da Água, um dos seres mais poderosos que existem.

"Você prometeu mostrar o passado para Amelia," disse Leonora.

Seu tom era calmo, mas firme. "Essa é a única maneira de provar que Neo realmente não pôde voltar. Caso contrário, ela vai achar que tudo não passa de mentira."

Após a chegada repentina de Neo, Layla entrou em contato secreto com Leonora.

Normalmente, Leonora ignoraria, como sempre fazia.

Diferente de outros Ceifadores e discípulos, Leonora nunca atendia às ordens dela, dizendo que eram comandos bobos.

Mas desta vez, elaescutou.

E agora ela estava ali, pressionando a questão com alguém que raramente dava respostas diretas.

A Suprema inclinou a cabeça, olhos brilhando como o oceano sob o sol. "Mostrar as memórias não vai mudar nada. Essa criança vai odiar ele de qualquer jeito."

A mandíbula de Leonora se fechou. "Então—"

"Mas," interrompeu a Suprema com suavidade, "eu tenho uma maneira de ajudar ela."

O sorriso suspeito nos lábios dela fez Leonora franzir o cenho. "O que você quer em troca?"

Os olhos da mulher brilhavam com travessura.

"Só diga o que você quer."

"Me chame de avó, ao menos uma vez. Por favor?"

Leonora piscou para ela.

Expressão dela mudou, com uma mistura de descrença e exasperação.

O gesto no rosto dizia claramente: sou sua filha, e você quer que eu te chame de avó? Você tem algum fetiche estranho?

A Suprema da Água soltou uma risada de resignação, como se pudesse ler cada palavra não dita nos olhos de Leonora.

Sua filha tinha sido Olivia von Villiers, a 'antiga' mãe de Leonora.

Mas no dia em que os Eternos apagaram Olivia, os paradoxos que giravam na linha do tempo torceram a realidade.

Leonora foi puxada para aquele espaço vazio, tornando-se filha de Olivia no lugar dela.

Isso era algo que a Suprema não poderia esquecer.

A Suprema da Água cerrava os punhos na lembrança.

A dor daquele dia ainda vivia em seu corpo, o dia em que sua verdadeira filha foi arrancada dela. A fúria que sentia contra os Eternos nunca desapareceu. Mas ela não podia tocá-los. Ainda não.

Ela expulsou a raiva e a substituiu por um sorriso malicioso.

Levitando suavemente pelo ar, ela rodeou Leonora como se tentasse convencer uma criança a concordar.

"Não vai dizer nada? Então vou embora—"

"Espera!" as mãos de Leonora se cerraram ao seu lado.

A Suprema parou no meio da volta, seu sorriso nunca desaparecendo.

Leonora apertou os dentes.

Quanto mais ficava quieta, mais sentia que estava sendo manipulada.

E quanto mais ela percebia que a outra mulher gostava disso.

Finalmente, Leonora soltou um suspiro agudo.

"...Vó," ela murmurou baixinho, quase inaudível.

Os olhos da Suprema se arregalaram de felicidade. "Ah, minha fofurinha!"

Antes que Leonora pudesse reagir, ela foi puxada para um abraço apertado.

O abraço forte foi suficiente para fazê-la se arrepender de ter cedido à demanda.

"Me solta!" Leonora lutou contra o aperto. "E conclua nosso acordo de uma vez por todas!"

A Suprema apenas riu, apertando ainda mais, como se a palavra "vó" tivesse lhe dado uma alegria maior que tudo o mais.

Leonora gemeu, meio frustrada, meio resignada. De algum modo, ela tinha entrado exatamente nisso.

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