
Capítulo 721
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
"Felix, você já jogou jogos antes?"
"Jogos?" Felix piscou. "Sim. Por quê?"
"Esse é o meu Caminho," Neo disse calmamente. "Você mata monstros, treina suas habilidades, sobe de nível, ganha novas classes, aprende novas habilidades, domina-as e, então, adquire novas competências. Funciona assim."
Felix parou, encarando-o fixamente.
A explicação parecia simples, até infantil, mas ao mesmo tempo ignorava as rígidas restrições que limitavam todo Caminho conhecido.
"Não pode ser… será que isso é verdade mesmo!?"
Sua voz transmitia incredulidade, mas também uma crescente empolgação.
Neo assentiu sem hesitar.
Sua respiração acelerou ao pensar no que aquilo significava.
Era um — não, o Caminho Perfeito.
No entanto, Neo sabia que havia muito que precisava fazer para aperfeiçoar seu Caminho.
O limite de genes ainda existia para Felix e os outros que nasceram neste Cosmos.
Ele ainda não tinha encontrado uma maneira de fornecer a eles o gene do Quebrador do Paraíso.
Mas Tesouros Sagrados ainda podiam ser usados para romper esses limites genéticos.
Se tivessem esses tesouros, então, com o Caminho de Neo, o poder deles cresceria de formas que ninguém mais no mundo poderia igualar.
Felix finalmente fez a pergunta que rondava sua mente. "Como eu uso o seu Caminho?"
Neo estendeu a mão em direção a ela. "Dá sua mão para mim."
Felix colocou a mão na dele. O aperto era firme, mas não violento, e ela sentiu um calor repentino atravessar seu braço.
Neo conectou-se à sua existência e vinculou Um Registro Celestial a ela.
Diante de seus olhos, várias telas translúcidas começaram a piscar, surgindo do nada.
[Concedendo a Felix Morris acesso ao Caminho da Transcendência Eterna]
[Acesso concedido]
Seu coração acelerou ao ver mais textos aparecerem.
[Nome: Felix Morris]
[Espécie: Semideus (Humano), Demônio (Contratante de Arma da Alma)]
[ Existência: Estágio 2]
[Nível 1]
[Classe: Nenhuma]
[Traços: ...]
Era muita informação para ela processar de uma só vez.
Ela ficou ali, atordoada, até que a tela se moveu novamente. Uma moldura dourada apareceu, irradiando uma luz tênue.
[Classes disponíveis para Felix Morris escolher.]
Três nomes flutuaram diante de seus olhos:
Sussurrabres do Véu. (Classe Lendária)
Soberano das Sombras Encantadas. (Classe Lendária)
Os lábios de Felix se separaram ao lê-los.
Cada uma carregava uma aura avassaladora de poder.
O poder que emitiam era o mesmo que vinha de pronunciar o nome de deuses poderosos.
Significava que esses nomes de classes tinham a Existência entrelaçada neles!
Neo sorriu levemente. "Eu te dei acesso a classes lendárias. Escolha qualquer uma delas e você adquirirá habilidades relacionadas. Há muito mais esperando por você quando subir de nível, mas vou deixar que você descubra essas surpresas por si mesma."
O entusiasmo de Felix era evidente. "Obrigado!"
Ela imediatamente voltou sua atenção para a tela novamente.
Seus olhos pululavam de um lado para o outro como uma criança recebendo seu primeiro presente.
Neo deixou que ela se perdesse nas possibilidades e virou a cabeça para Arthur.
Seus olhares se encontraram.
"Sua mão," disse Neo.
Arthur não questionou e colocou a mão na dele, estabelecendo a mesma conexão.
Um Registro Celestial apareceu diante de seus olhos, linhas de informações fluindo até a tela dourada de seleção chegar.
Dessa vez, sete nomes surgiram:
Maestro Eterno dos Elementos. (Classe Lendária)
Guardiã do Equilíbrio do Mundo. (Classe Lendária)
Espadão da Justiça Inabalável. (Classe Lendária)
Vingador das Chamas Caídas. (Classe Lendária)
Sábio Mitológico do Domínio Elemental. (Classe Lendária)
Guardião dos Votos Radiantes. (Classe Lendária)
Quebra-Dawn de Sombras. (Classe Lendária)
Neo não podia conceder muitas habilidades e classes ao mesmo tempo.
A existência deles não suportaria tal carga, e isso acabaria distorcendo-os.
Somente Neo podia fundir-se com existências estrangeiras e permanecer ele mesmo.
Para os demais, era preciso dedicar tempo às classes e habilidades, torná-las 'suas' e então subir de nível.
Daí vinha o conceito de 'dominar as habilidades e classes'.
Arthur passou a ler com calma os detalhes das classes.
Sua expressão permaneceu calma, mas havia um brilho nos olhos.
Depois de um momento, ele fechou a tela e deu um breve aceno para Neo.
"Obrigado."
Neo respondeu com um aceno silencioso.
Finalmente, virou-se para Jack.
Diferente dos outros, Jack não se moveu imediatamente.
Ele apenas olhou para Neo com uma expressão complexa, entre curiosidade e algo mais profundo.
Depois de um instante, balançou a cabeça.
"Desculpe, mas vou recusar," disse Jack baixinho.
Neo ergueu uma sobrancelha. "Por quê?"
Jack apertou os punhos. "Não quero atalhos até conseguir criar um Elemento de Necromancia. Isso é importante para mim. Se usar outro Caminho antes disso, vou perder o que estou tentando construir."
"Certo." A resposta de Neo foi calma.
Jack piscou, surpreso com a facilidade com que Neo aceitou sua decisão.
Ele esperava argumentos, talvez até pressão.
Ao invés disso, Neo estendeu a mão e deu-lhe um tapinha no ombro.
"Confio em você," disse Neo. "Se você diz que quer fazer assim, eu não vou te obrigar."
O peso no peito de Jack aliviou, embora as emoções complexas ainda persistissem.
Neo se endireitou, olhando entre Arthur e Felix. "Começarei a conceder meu Caminho às pessoas de seus continentes."
Com um estalo de dedos, uma cópia apareceu atrás dele.
A figura era alta e enluvada, emanando uma aura que tornava o ar mais pesado.
"Thanatos compartilhará meu Caminho, para ser exato," explicou Neo. "Vou ao Submundo buscar informações sobre Dragões Ancestrais."
Arthur se levantou, com expressão firme. "Tudo bem. Deixe-me te acompanhar primeiro. Anunciarei o novo Caminho para todos antes de você começar, assim não vai causar alvoroço."
"E, como quer espalhar também por outros continentes, posso ajudar a conversar com seus líderes."
"Certo." Neo deu um simples aceno de cabeça.
Arthur e Thanatos se afastaram, saindo do local em passos silenciosos.
O cômodo pareceu mais vazio sem eles.
Felix olhou para Jack, depois para Neo.
"Vamos falar com a Deusa de Suns Perdidos," disse ela com decisão.
Jack também se levantou, seguindo-a.
Neo não tentou detê-los.
Sua mente já se voltava para outros planos.
Ele buscou a jaqueta e puxou a insígnia do Ceifador.
O visor preto reluziu suavemente enquanto ele a ativava.
Num instante, o mundo ao seu redor se deformou, e a sensação familiar do Submundo engoliu seu corpo.
A atmosfera fria e pesada pressionou sua pele, mas, de modo estranho, ele sentiu-se em casa.
No segundo seguinte, avançou novamente, atravessando o espaço distorcido com facilidade.
Apareceu exatamente diante do imponente palácio de Hades.
A estrutura erguia-se como uma montanha negra, suas paredes entalhadas com padrões que pulsavam de leve na luz tênue.
Ele não perdeu tempo permanecendo lá fora.
Seus passos ecoaram na vasta escadaria até empurrar as portas pesadas e entrar.
O salão principal se estendia infinitamente, silencioso, exceto pelo som de seus passos.
No extremo oposto, Bael estava sentado em um trono, com uma perna cruzada sobre a outra.
Bael levantou uma sobrancelha ao notar Neo.
"O que trouxe a princesa de volta tão rápido?"
Seu tom tinha uma ponta de diversão, embora não tentasse esconder a curiosidade sob ela.
Neo já não reagia mais a esse título. Mantinha o rosto sério. "Dragões antigos podem atacar a Terra em breve."
Bael recostou-se ligeiramente, os olhos estreitando-se.
"Aquela raça de répteis imundos deve ter esquecido seu lugar." Quase parecia gostar da ideia.
Neo ignorou o tom. "Você conhece a fraqueza dos dragões antigos?"
Sem hesitar, Bael ergueu a mão.
Uma pequena esfera de luz negra apareceu acima de sua palma. Ele a lançou em direção a Neo, que se dissolveu na testa dele.
Informações inundaram a mente de Neo.
Imagens, nomes e fragmentos de conhecimento surgiram em sua cabeça.
Sua expressão ficou estranha ao processar tudo aquilo.
Não se tratava de técnicas, sangue ou fraquezas da carne.
Pelo contrário, continha detalhes sobre os filhos dos dragões antigos, os lugares que eles valorizavam, os seres aos quais se apegavam.
"Isto… isto é conhecimento sobre os filhos deles, ou coisas e lugares que eles cuidam."
"Sim," respondeu Bael. "Use essas coisas contra eles, se ousarem se opor a você."
Queixo de Neo travou.
Ele não queria usar esses métodos.
Manipular entes queridos e lugares sagrados parecia errado, mesmo numa guerra.
Bael percebeu sua hesitação. Seus lábios se curvaram levemente.
"Você é igual ao seu pai, não é? Chamando esses métodos de abomináveis, mesmo enquanto estamos à beira da guerra—"
"Eu não sou como ele." A voz de Neo saiu mais aguda e contundente do que pretendia.
O som ecoou pelo salão.
As palavras ficaram no ar, e Neo sentiu o peso delas pressionando de volta.
Seus dentes afundaram no lábio.
Ele realmente não era como Hades?
O pensamento cavou fundo, como um espinho.
Ele ainda estava dividido entre Morain e Elizabeth.
Não planejava escolher uma e abandonar a outra?
Quão diferente isso de Hades, que o abandonou, apesar de tudo que Neo fez para conquistar seu reconhecimento?
Os punhos cerrados, ele suou a tensão e tentou suprimir o tumulto emocional.
Bael, sem perceber a tempestade que queimava dentro de Neo, continuou sem parar. "Você pode usar essas informações ou não. Vou deixar essa decisão a você. Mas há três coisas que deve ter em mente."
Ele levantou um dedo.
"Primeiro, eu não posso ajudar você. Preciso proteger este lugar. Pode até ter saído durante o Desafio das Sombras do Primeiro Príncipe, mas com dragões antigos na porta, não posso abandonar o palácio novamente."