Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 720

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

— Você conhece Velkaria? — perguntou Felix de volta.

Neo assentiu lentamente.

— Velkaria nos contou que “alguém” avisou seu mestre—o Deus Exterior Yaleth—que ele foi morto na Terra. Ou seja, alguém enviou Velkaria para cá. Queríamos descobrir quem foi, já que eles causaram muitos danos ao nosso mundo — explicou.

Neo Franziu o rosto, escurecendo sua expressão.

— As memórias de Velkaria não eram tão distantes. Era uma lembrança dolorosa.

— Sua reencarnação anterior, Hades, e sua mãe morreram às mãos dele — continuou.

— Por que vocês estavam procurando por essa pessoa? — questionou Neo.

— Havia a possibilidade dela vazar nossa localização para a Aliança Universal. Como não conseguimos achá-la, começamos a rastrear Yaleth.

— Também existia a chance de essa pessoa ter enviado Velkaria para confirmar a morte de Yaleth. Se fosse o caso, ela queria roubar as pesquisas dele sobre Armas de Alma — explicou Felix.

Neo avançou a toda velocidade.

— Mas quem roubou as informações de Yaleth sobre Armas de Alma é—

— Não o Kevin — interrompeu Felix suavemente. — Por causa de um contrato, não posso te dizer exatamente como confirmei isso. Mas quem roubou as pesquisas de Yaleth não foi o Kevin. Apenas fingiram ser ele — explicou.

— Mas por quê? — Neo questionou, com as sobrancelhas mais enrijeçadas.

Arthur, que até então permanecera em silêncio, falou novamente. — Talvez por causa de você.

Neo se virou, surpreso.

— Eu? — perguntou, com surpresa.

Felix continuou. — Considerando sua força e potencial, talvez essa pessoa quisesse que você lutasse contra o Kevin. Não podemos dizer com certeza. Não temos informações suficientes. Mesmo Percival ainda não conseguiu descobrir nada a respeito.

Neo permaneceu em silêncio, absorvendo tudo ao redor.

O bar continuava com o barulho ao fundo, mas a gravidade da conversa pesava mais do que qualquer ruído.

Dentro de seu peito, uma sensação de inquietação se reacendia.

Seus pensamentos giravam sem parar.

Será que realmente era ele quem essa pessoa misteriosa queria atingir?

E, se fosse, por quê?

O que planejavam fazer com a pesquisa roubada de Yaleth sobre Armas de Alma?

Droga, devia ter conversado sobre Armas de Alma com Kevin.

Nessa época, ele estava um caos, emocional e mentalmente.

Estava instável demais para pensar com clareza, sobrecarregado por tudo que acontecia.

Foi embora sem fazer as perguntas que importavam, convencido de que poderia voltar depois e retomar a conversa.

— Por que tudo está acontecendo ao mesmo tempo? — murmurou Neo, baixinho.

Felix inclinou a cabeça, observando-o de perto. — Está acontecendo algum problema?

Seu tom não era mais brincalhão.

Ela percebera a tensão por trás de suas palavras.

— Talvez esteja — admitiu Neo. — Pode me mostrar sua Marca do Dragão?

Felix estendeu o braço sem hesitar.

A pele do antebraço dela brilha suavemente antes de escurecer, revelando a marca.

Parecia uma tatuagem ink-black gravada na carne, um dragão em pleno voo com as asas abertas e as garras estendidas para frente.

As linhas pareciam quase vivas, movendo-se suavemente com cada centelha de luz.

Neo observou por um longo momento.

Sua expressão não mudou, mas por dentro, ele amaldiçoou.

— Onde você conseguiu isso? — perguntou, finalmente.

— Os Dragões Ancestrais me entregaram. Disseram que ajudaria a rastrear dragões antigos com o nome Hargraves. Minha nova missão era matá-los — respondeu Felix.

Neo apertou a mandíbula. Droga.

Felix estreitou os olhos. — O que foi?

— Minha linhagem — Neo falou lentamente — é de Dragão Antigo.

Felix piscou surpresa. — Como assim? Mas a Layla—

— Ela ainda não despertou seu Sangue de Dragão Antigo — interrompeu Neo. — Por isso, a marca não a detecta. Mas eu já despertei parte da minha — explicou.

Durante seu tempo em Tartarus, ele devorou vários Nyxtharions menores.

Essa ação aprofundou sua essência dracônica, fortalecendo suas características de dragão.

Essa era a única explicação que fazia sentido para a origem da marca ter conseguido rastreá-lo.

Nessa época, seu sangue de dragão antigo tinha sido parcialmente despertado.

Mas eu não sinto diferença nenhuma. Não consigo sentir nenhum poder dentro de mim, como senti pelo meu irmão. — pensou Neo, frustrado.

Por ora, ele tentou afastar esses pensamentos.

— Se há um rastreador na marca que se conecta à minha linhagem, então os Dragões Ancestrais já sabem onde estou. — concluiu Neo.

A mesa ficou silenciosa. Até mesmo Felix, que costuma estar confiante, apertou a expressão, a felicidade de antes desaparecendo.

— Isso… não é bom — ela falou, finalmente, com a voz mais baixa.

— Não, não é — concordou Neo.

Se os Dragões Ancestrais deram a Felix a marca, devem ter deixado planos de contingência.

Estariam monitorando isso.

E se eles descobrissem que Felix não completou sua missão—que ela não está caçando-os como deveria ou que falhou—, saberiam que algo deu errado.

Não enviariam mensageiros depois disso.

Eles próprios viriam.

Os olhos de Felix se endureceram.

— Depois disso, os Dragões Ancestrais não vão ficar parados. Se acharem que eu falhei, vão agir — afirmou ela, firme.

Neo suspirou. — Desculpe por colocar a Terra em risco—

— Não comece com isso — interrompeu Jack de forma incisiva. — Vamos focar no problema atual. Algum de vocês tem um plano?

Neo não hesitou. — Vou colocar a Terra dentro do meu Cosmo. Assim, não importa o que aconteça, o planeta ficará protegido — explicou.

Felix franziu o rosto. — E você? Consegue entrar no seu próprio Cosmo?

Neo balançou a cabeça. — Não. Não consigo.

— Então serão eles a te acertar — disse Jack. — Você será o alvo mais exposto.

— Isso não tem problema. É comigo que eles querem, não a Terra, nem mais ninguém. Então, é comigo que eles devem vir — afirmou Neo, decidido.

— Não ache que consegue fazer isso sozinho. Se os Dragões Ancestrais se moverem, você não vai aguentar fazendo tudo sozinho. Sabe disso — alertou Jack, com voz afiada.

— Terei que enfrentá-los mais cedo ou mais tarde. E se não for eu, eles vão ficar rondando até atacar. Melhor fechar logo com eles do que esperar — declarou Neo, firme.

Felix inclinou a cabeça, estudando-o. Os olhos dela vasculharam seu rosto, e então ela sorriu de leve, quase uma provocação.

— Ainda a mesma pessoa, hein. Sempre pronta para entrar no inferno primeiro — disse ela, com um sorriso enigmático.

Arthur, que permanecera em silêncio durante quase toda a conversa, falou por fim. Sua voz era tranquila, sem o tom de provocação de Felix.

— Nós vamos ajudar — declarou ele com firmeza.

Neo olhou para ele. A expressão de Arthur era calma, mas determinada, sem espaço para discussão.

Neo balançou a cabeça levemente. — Arthur—

— Nós vamos ajudar — repetiu Arthur. — Não podemos deixar você carregar tudo sozinho. Você… já fez demais — afirmou com fervor.

Antes que Neo pudesse responder, Arthur interrompeu. — Percival me contou sobre a Era dos Deuses. Você já fez mais do que suficiente — afirmou.

Parecia que Arthur queria se desculpar pelo que havia acontecido ontem.

Mas, talvez por orgulho ou por outra razão, ele mostrou que queria melhorar, mas nunca pediu desculpas.

— Certo — disse Neo, exausto.

— Não vou obrigar vocês a entrarem no meu Cosmo. Mas vou colocar a Terra lá — declarou—. Não podemos colocar civis em risco.

— Jack e eu vamos informar a Deusa do Sol Esquecido sobre os Dragões Ancestrais — disse Felix.

— Vou consultar os Ceifadores sobre os Dragões Ancestrais. Talvez conheçam a sua fraqueza, se ela existir. Além disso, quero fundir meu Caminho na Terra. Preciso que todos vocês e outros líderes de lá concordem antes — explicou Felix.

— Você perguntou à Amelia também? — questionou Felix.

— …Você tem razão. Acho que nem todos os líderes vão concordar — admitiu Neo. — Então, posso passar meu Caminho para as pessoas dos seus continentes?

— Boa ideia! — exclamou Felix, com os olhos brilhando. — Mas qual é o seu Caminho? É bom? Vai me deixar mais poderosa?

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