Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 730

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Se é possível eu derrotá-lo ou não, é algo com que você precisa se preocupar, disse Neo.

Você não vai fazer isso sozinho, falou Amelia antes que ele pudesse partir.

Ela tinha a voz fria, mas não havia engano na firmeza dela. “Se você for atrás da Aliança, eles virão atrás da Terra, goste você ou não. Isso significa que vamos nos envolver, mesmo que tente nos manter à parte.”

Por isso, vou manter a Terra no meu Cosmos, respondeu Neo.

As palavras fizeram a sala entrar em silêncio.

Pôr a Terra dentro do seu Cosmos não era uma decisão leviana.

A menos que ele quisesse governar como um tirano, precisava da aprovação dos cidadãos.

E isso... não estava indo bem.

Para a maior parte da população da Terra, a situação tinha ficado ruim.

Já estavam zangados porque a Aliança os targeting por causa de Neo, e a ideia de serem colocados numa subdimensão desconhecida só agravava as coisas.

Revoltas surgiram em todos os continentes, com apelos enviados aos líderes implorando para não permitirem que Neo movesse o planeta.

Neo disse: “Talvez as pessoas não gostem, mas não temos escolha. Vou recriar aqui dentro uma ambiente igual ao de agora no meu Cosmos. Nem vão perceber que foram transferidos para fora deste universo.”


Então você vai apenas fugir do problema de novo, retrucou Amelia.

Neo a ignorou.

“Não vou entrar no seu Cosmos,” disse Percival com um sorriso tranquilo. “Então ou deixam a gente lutar ao seu lado contra a Aliança, ou fiquem aí se perguntando se a Aliança vai encontrar a gente e atacar quando vocês não estiverem aqui.”

O olhar de Neo percorreu a mesa até aterrissar nele, mas Percival não vacilou.

Seu sorriso permaneceu firme.

“Vou ajudar vocês,” disse Moraine com firmeza na voz.

Isso pareceu abrir as comportas.

“Eu também vou ajudar,” disse Felix. “Minhas habilidades podem mesmo ser úteis.”

“Vou participar também,” completou Amelia, com uma resposta curta, mas decidida.

“Deixa eles virem,” disse Jack. “Vocês sempre estiveram ao nosso lado. Agora é nossa vez.”

“Nós somos—”

Ilyana começou, mas sua fala foi interrompida quando a mão de Neo bateu forte na mesa.

O som cortou o ar como um chicote.

“Parem de agir como crianças.”

A expressão de Neo ficou fria, seu tom deixou claro que não admitia discussão.

“Querem me ajudar? Com sua força?” O olhar dele varreu cada um deles. “Vocês só vão ser um peso. Fiquem quietos dentro do meu Cosmos.”

“E quem você pensa que é para decidir como devemos viver?” retrucou Amelia.

“Estou dizendo isso pelo bem de vocês. A Aliança não é algo—”

“Nem você é meu pai nem minha família,” interrompeu Amelia. “Não vejo por que devo ouvir seus conselhos.”

Neo a encarou.

Ela não desviou o olhar.

Começou uma disputa silenciosa entre eles, pesada o suficiente para que ninguém mais ousasse falar.

“Droga,” murmurou Neo, enfim.

Ele apertou a ponte do nariz e exalou lentamente, depois olhou ao redor da mesa.

Seus olhos pararam em Ilyana.

Ele não queria tomar o lado dos Esquecidos do Sol.

Mas estava claro que Amelia e os outros se uniriam a ele, quer ele quisesse ou não.

Eles estavam decididos a ajudar, mesmo que ele tentasse excluí-los.

Isso não só os colocaria em perigo, como também daria a impressão de que Neo estava com os Cosmoss Esquecidos.

Será que devo apenas mexer na memória deles e trancá-los dentro do meu Cosmos?

O pensamento veio sem aviso.

Assim eles não saberiam o que eu fiz, e não poderiam interferir ou se colocar em risco.

Menos de um segundo se passou até Neo perceber o que estava pensando.

…Não posso fazer isso.

Seu tempo como supervisor dos Nove Céus começava a afetá-lo.

Ele já tinha se acostumado a pensar pelos outros, a tomar decisões pelo bem deles mesmo quando não concordavam.

Era como no episódio dos Cupids.

Ele achava que era para o bem, ajudar as pessoas a encontrarem o amor, mesmo que alguns nunca quisessem isso.

Preciso parar de tratar as pessoas como objetos que posso rearranjar à minha vontade.

“Certo,” falou Neo finalmente.

Felix ficou com o rosto iluminado e Percival sorriu, mas antes que pudessem falar, Neo levantou a mão para silenciá-los.

“Vou deixar vocês ajudarem,” disse. “Mas nenhum de vocês entrará na minha guerra contra a Aliança.”

Os olhares confusos ao redor da mesa não o incomodaram.

Ele abriu a palma da mão, e um grande holograma encheu a sala.

Um mapa detalhado de uma região desolada apareceu, marcado com coordenadas e símbolos.

“Este local chama-se Voraka Site. Existem muitos assim espalhados pelo universo. Quero que vocês vão lá e procurem por um objeto com uma assinatura energética específica.”

“Ele vai parecer uma chama branca. Vou passar uma técnica para vocês reconhecerem. Mas tomem cuidado, criaturas ameaçadoras habitam lá, e os ‘Elementais Berserker’ tentarão infectar vocês se tiverem chance.”

Os olhos de Amelia se estreitaram. “Então você está tentando mandar a gente embora, para não ‘nos incomodar’.”

Neo a encarou com determinação.

Ele podia ver a frustração e a desconfiança dela.

Era compreensível.

Afinal, mesmo agora, ele ainda não tinha contado exatamente o que aconteceu durante seu sequestro pela Aliança.

Sabiam que ele tinha retornado mais forte, no Estágio 5, em míseros quinze mil anos, mas não tinham respostas sobre o que passou ou quem o ajudou.

“Aquela chama branca no Site é um fragmento da alma de alguém importante para mim.”

“De quem é a alma?” a suspeita de Amelia não diminuiu.

“Não posso te dizer,” Neo respondeu. Sua voz não hesitou, mas também não deixou espaço para mais perguntas.

“Você realmente nos conta algo de verdade?” insistiu Amelia.

Neo permaneceu calado.

A verdade era algo que ele não podia compartilhar.

Bael o tinha avisado para manter silêncio sobre Hades e a morte da sua mãe.

“É dela?” Moraine falou suavemente, cortando a tensão.

Neo virou o olhar para ela.

A expressão calma dela indicava que ela podia adivinhar de quem Neo queria reunir os fragmentos da alma.

Ou ela sabia, ou podia adivinhar facilmente que era de sua mãe.

Ele fez inúmeras perguntas a Moraine sobre o passado no último ano, mas ela não lhe deu nenhuma resposta.

Não era que ela se recusasse a falar por vontade, era como se algo tivesse sido feito com ela, algo que a impedia de falar sobre certas verdades.

Não foi difícil adivinhar quem tinha feito isso.

Ele tinha quase certeza de que tinha sido Moraine própria. A Bruxa da Gula provavelmente fez aquilo com ela após cortar Morrigan com Severant.

Espero estar errado, pensou Neo.

“Sim,” respondeu em voz alta.

A palavra causou olhares rápidos ao redor da mesa.

As sobrancelhas de Amelia se franziram enquanto ela olhava entre eles.

“Tudo bem,” finalizou Percival. “Parece que esses fragmentos de alma são realmente importantes, e ele não está usando isso como desculpa para nos mandar embora. Então eu concordo.”

Um por um, os outros assentiram, com expressões que iam do relutante ao decidido.

Por fim, Amelia encarou-o de frente.

Neo não podia revelar a ela a verdade — que a alma era da mãe dele — mas decidiu que a honestidade, mesmo que parcial, ajudaria.

“Eu realmente teria querido ir eu mesmo, ou pelo menos mandar meus clones procurar a alma enquanto lutava contra a Aliança,” disse. “A alma é tão—não, mais importante para mim do que a própria Aliança. Então, se vocês querem me ajudar, me ajudem a reunir os fragmentos da alma.

“Cada um de vocês tem uma habilidade única. Por isso confio que vocês vão recuperar a alma. Além disso, esses Sites são bons locais de treino para todos vocês.”

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