
Capítulo 731
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Ele não mentiu sobre enviar clones.
Ainda os enviaria.
O trabalho deles seria simples: proteger o grupo das sombras, manter o perímetro e garantir a rota de retorno.
Neo planejava esses backups como um comandante que monta redundâncias.
Mesmo assim, queria essas pessoas com ele na missão de resgate, porque precisava que crescessem, e as habilidades deles eram realmente de primeira linha.
Ele estalou os dedos e um feixe delgado de luz pálida entrou na mente de cada um, como uma chave deslizando na fechadura.
"Use essa magia quando entrar no Setor," ele disse. "Ela vai proteger vocês dos Elementais Berserker."
Ele fez uma pausa, observando as expressões se ajustarem às instruções, depois acrescentou: "Quanto à Terra, deixarei um clone aqui. Se a Aliança chegar nesse local, ele ativará a transferência da Terra para o meu Cosmos. Até lá, ele não mexerá em nada."
Ninguém teve chance de contestar antes de Neo recuar e desaparecer.
Ele saiu da sala com a mesma rapidez com que fazia quase tudo.
Desapareceu em uma floresta distante.
Uma clareira estreita se abriu ao redor dele e ele deixou o silêncio preencher o espaço por um longo minuto.
"Foi corretíssimo sair assim?" a voz de Obitus ecoou na cabeça dele.
"Sim. Eles precisam de um tempo para conversar, decidir como vão lidar com a Terra se concordarem em partir. Eu apenas dei espaço."
"Por que você está enviando eles aos Setores?" ela perguntou. A preocupação na voz dela era evidente.
Neo passou a mão na testa e olhou para o dossel de árvores caótico.
"Não sei exatamente por quê, mas a sensação que tenho desde a primeira vez que ouvi falar dos Dragões Antigos que podem vir, não desaparece. Tem algo errado."
"Você acha que os Dragões Antigos vão atacar?"
"Acredito que sim," ele disse. "E mesmo que os dragões nunca ataquem, há a Aliança para se preocupar, o bandido que enviou a Velkaria para a Terra, e Zeus. Os Setores vão dar a Amelia e os outros uma chance de ficarem mais fortes. Por isso estou enviando eles lá."
Houve uma pausa.
"Neo..." a voz de Obitus ficou mais suave. "Você faz isso porque tem medo de encarar os fragmentos da mãe?"
Ele ficou em silêncio.
A pergunta pesou mais do que esperava.
Obitus continuou em tom mais suave: "Todos lá estão preocupados. Da última vez que entrei no Cosmos, perguntaram por que você ainda não entrou em contato com eles. Pelo menos uma vez, fale com eles."
"…Vou falar. Só me dê um tempo."
"Já faz um ano."
As palavras dela eram simples.
Mas não foi fácil para Neo responder.
Apesar de sua força mental, Neo não conseguia pensar direito quando se tratava da família ou das pessoas que ele jazia pelo seu bem.
Antes que a conversa pudesse tomar um rumo desconfortável, uma sombra rasgou o céu.
Jack chegou pilotando um dragão esquelético.
A criatura agitava suas asas, fazendo as folhas se mexerem e um bando de pássaros voar para as árvores.
Ela pousou com um forte vento.
Jack pulou para baixo.
"Então, quando vamos embora?" ele perguntou com um sorriso.
"Agora."
"Temos um plano?"
Neo olhou para Jack.
Jack reconheceu aquele olhar.
"...então não temos plano."
"Tenho um plano, ou melhor, decidi o primeiro passo. A partir daí, improvisaremos."
"Qual é o primeiro passo?" Jack perguntou de repente, sentindo-se estranho sem motivo aparente.
"Vamos para a sede da Aliança."
Jack piscou uma, depois outra vez, como se esperasse que Neo corrigisse as palavras ou que o próprio fosse rir e admitir que estava brincando.
Quando nada mudou, ele colocou as mãos no rosto e gemeu.
"Fiz a coisa certa ao dizer que iria junto com esse lunático?" ele murmurou baixinho.
…
Dias depois, Neo se reuniu com os outros mais uma vez.
Até lá, as decisões estavam tomadas.
Eles pesaram os riscos e escolheram seus caminhos.
Percival, Amelia, Arthur e Felix decidiram ir aos Setores.
Cada um deles já tinha escolhido sucessores que cuidariam de suas responsabilidades na Terra enquanto estivessem longe.
Não foi uma decisão fácil, mas concordaram que era necessária.
Layla optou por ficar para trás.
Alguém precisava cuidar das coisas e, francamente, ela não era forte o suficiente para entrar nos Setores.
Ilyana, após alguma discussão, anunciou que voltaria para os Suns Esquecidos.
Moraine, porém, se recusou a deixar Neo enfrentar a Aliança sozinho com Jack.
Apesar de seus longos argumentos, tentativas de dissuadi-la, e de lembrá-la do quão perigoso seria, ela não cedeu.
No final, Neo teve que concordar e levá-la com ele.
Enquanto se preparava para partir, a voz de Ilyana chegou até ele por telepatia.
Cuide bem do Jack.
Pensei que você fosse me aconselhar a não deixá-lo se machucar, ele brincou.
É decisão dele te seguir. Não posso culpa-lo pelo que acontecer por causa disso, ela disse em tom calmo.
Neo sentiu o peso das palavras dela.
Ela não queria que Jack enfrentasse a Aliança, e se ele o fizesse, queria que os Suns Esquecidos o protegessem.
Infelizmente, por causa da escolha de Neo de não se alinhar aos Suns Esquecidos, Jack não tinha uma rede de segurança assim. Não que Jack tivesse aceitado mesmo se oferecessem.
Quando os outros partiram, a Terra ficou mais silenciosa.
Apenas Neo, Layla, Moraine e Jack ficaram.
Neo puxou o spaceship que Kevin lhe dera.
Era uma propriedade da Aliança e isso significava uma coisa: poderiam usá-lo para entrar no território da Aliança sem serem imediatamente considerados inimigos.
Minutos antes de embarcar, Jack quebrou um silêncio que perdurava entre ele e Layla há anos.
"Fique bem."
Sua voz foi seca, mas não hostil.
Layla estava encarando o chão, sem conseguir olhar para ninguém.
Ao ouvir, ela ergueu a cabeça rapidamente, surpresa.
Mas tudo o que ela conseguiu foi ver as costas de Jack enquanto ele subia na nave sem se virar de novo.
Moraine entrou logo depois, empurrada por Neo.
Assim, Neo e Layla ficaram do lado de fora.
"Irmã, eu…"
As palavras de Layla saíram cambaleantes antes de parar.
Ela mordeu o lábio, lutando contra a emoção.
Queria pedir desculpas. Por tudo.
Por como tinha agido quando ele voltou, por como tratara Jack no passado.
Mas ela não sabia por onde começar.
"Conversei com os Ceifadores. Eles vão seguir suas ordens novamente. Não desperdice essa segunda chance," Neo disse. "E também, vá falar com ela."
Com ela.
Layla sabia exatamente quem ele quis dizer.
A realização fez seu peito ficar apertado.
Seus olhos tremeram enquanto ela o encarava.
Por um ano, ela não conseguiu encontrá-lo.
Não porque não houve oportunidade, mas por medo.
Medo do julgamento dele, medo de ser repreendida, medo de ver a decepção em seus olhos.
Aquele medo a manteve calada e distante, enquanto a culpa corroía por dentro.
Neo ia partir, mas antes que pudesse, Layla deu um passo à frente.
Ela o abraçou forte, escondendo o rosto contra ele.
"Volte com segurança." Sua voz deu uma tremida.
Neo sentiu a umidade escapar pelas roupas dele e o tremor nos ombros dela.
Ela não precisou dizer mais nada; o abraço falou tudo que ela não conseguiu colocar em palavras.
Ele hesitou por um momento, depois envolveu os braços nela também.
O abraço foi curto, mas suficiente.
Então ele se afastou, fez um pequeno gesto de cabeça para ela e virou-se em direção à nave.
Sem mais palavras, embarcou, deixando Layla sozinha enquanto a porta se fechava.
A nave decolou rumo ao céu.
Seus motores emitiram um brado baixo e constante.
Neo se posicionou na frente, com os olhos fixos no caminho à frente.
Jack se recostou, cruzou os braços e continuou murmurando para si mesmo sobre "lunáticos" e "planos suicidas."
Moraine ficou em silêncio, mordendo uns snacks.
A Terra ficava cada vez menor lá embaixo, enquanto as estrelas se abriam diante deles.
À medida que a nave acelerava a uma velocidade inacreditável, Neo se virou para Moraine.
"Queria te perguntar uma coisa."
"Mhmh," ela assentiu, com a boca cheia de snacks.
"Posso ferir os líderes da Aliança?"
"Mhmh Hmhmh Mpmhm." ela balançou a cabeça, em negativa.
Jack olhou para Neo, esperando uma interpretação.
"Ela disse que não posso machucá-los com minha força atual."
Neo esperava isso.
Mas tinha um plano.
"E se eu…."
As próximas palavras dele fizeram Moraine e Jack congelarem.