Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 729

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

"Os dragões antigos já deveriam ter detectado Neo, especialmente com a Marca do Dragão I que carrega. Não entendo o que está acontecendo também."

"Talvez eles não possam sair do lugar deles," disse Jack. "Ou talvez sejam burros demais para atacar. Felix nos contou sobre sua reunião com os Dragões Antigos, e, honestamente, eles parecem idiotas para mim."

A sala de reuniões estava cheia de rostos familiares.

Felix, Arthur, Amelia, Layla, Jack, Neo, Ilyana, Moraine e Percival estavam sentados em volta da longa mesa.

Os outros líderes da Terra não haviam sido convidados.

Isso não foi por acaso.

Somente as pessoas aqui que tinham força suficiente para se manter na presença de Ilyana estavam presentes.

Outros líderes da Terra estavam, no máximo, no Estágio 2.

Alguns estavam próximos do Estágio 3, mas nenhum tinha chegado lá ainda.

"Acredito que devemos começar a focar nos nossos próprios assuntos agora," disse Amelia, cruzando os braços. "Ficamos presos demais, sempre esperando pelos dragões antigos. Mas, se eles não vêm, então é hora de deixar nosso povo viver abertamente. Devemos anunciar que o ataque foi evitado."

Essa declaração causou uma onda de barulho.

Vozes se sobrepuseram. Arthur se inclinou para frente para argumentar,

Felix balançou a cabeça, Percival bateu na mesa para reforçar seus argumentos, e o tom de Ilyana ficou mais agudo enquanto ela tentava contra-argumentar.

Neo permaneceu em silêncio.

Assim como Layla e Moraine.

Neo percebeu que os olhos de Layla o notaram algumas vezes durante o debate.

Um ano inteiro tinha se passado desde que ele retornara, e durante todo esse tempo, ele não tinha conversado com ela nem uma única vez.

Não porque ele não quisesse.

Simplesmente, não havia tempo para eles se encontrarem.

Ela tinha treinado com Amelia e estava constantemente ocupada.

E, com a ameaça iminente dos Dragões Antigos, sobrava pouco espaço para assuntos pessoais.

Agora, com a ameaça parecendo menos certa, o silêncio entre eles pesava ainda mais.

Soturnos, horas passavam em discussões que voltavam ao mesmo ponto sem chegar a conclusão alguma.

Nada concreto foi decidido.

Finalmente, Neo se levantou.

Imediatamente, a sala ficou em silêncio.

"Vou embora," disse ele. Sua voz ecoou facilmente na quietude. "Tentarei voltar, mas não posso prometer quando."

"Para onde vai?" A pergunta veio de Amelia.

Neo ficou surpreso.

De todos, ele não esperava que fosse ela quem perguntasse.

Ao longo do último ano, seu temperamento mudou.

Ela não o tratava mais com hostilidade aberta.

O ódio que um dia ardia nos olhos dela havia desaparecido, substituído por algo mais frio, contido.

Ela ainda não gostava dele, isso era claro, mas pelo menos já não queria matá-lo mais.

"Trabalho," respondeu Neo simplesmente.

Jack se inclinou para frente, com expressão mais séria. Ele percebeu para onde Neo estava indo.

"Vou com você."

"Jack—"

"Você prometeu que íamos juntos," lembrou Jack, com tom firme.

Neo o encarou por um longo momento.

Ele esperava convencê-lo sem palavras, mas Jack não mexeu uma linha sequer.

A determinação dele era clara.

Finalmente, Neo suspirou. "Tudo bem. Só não me peça desculpas se você morrer."

A atmosfera na sala mudou drasticamente.

Todos entenderam o que isso significava.

Se Neo ia partir, então o que quer que ele estivesse planejando envolvia perigo em um nível que a maioria deles mal podia imaginar.

E, se ele falou tão claramente que Jack poderia morrer, então não era uma suposição. Era uma certeza.

"Você vai para a Aliança?" perguntou Ilyana. Sua voz estava firme, mas seus olhos se estreitaram.

Ela sabia do seu capturamento por eles.

Neo olhou ao redor da sala.

Ele conseguia perceber a preocupação nos rostos, a desconfiança, o peso de perguntas não ditas.

"Ninguém mais vai comigo além do Jack," afirmou com firmeza.

"Não vou deixar o Jack entrar no território da Aliança com você sozinho," disse Ilyana, com tom cortante. "Além disso, os Sóis Esquecidos são inimigos da Aliança. Apoiaríamos você oficialmente—"

"Não."

Neo a interrompeu antes que pudesse concluir.

Seu tom não deixava espaço para negociação.

"Por isso estou recusando a sua ajuda. Não vou me juntar aos Sóis Esquecidos, nem participar da sua guerra.

"Se alguém aqui me ajudar, será como se os Sóis Esquecidos estivessem me apoiando. Isso me vinculava ao seu lado, e eu não quero isso."

Ele virou ligeiramente a cabeça, lançando um olhar para Jack.

"Jack já é conhecido como um Deus errante. Ele viajar comigo não vai levantar suspeitas. Pode vir sem criar complicações."

Os olhos de Ilyana se estreitaram ainda mais.

"Por que você não quer se juntar aos Sóis Esquecidos? Nós não te prejudicamos. Chegamos a proteger seu mundo."

"Além disso, o objetivo dos Sóis Esquecidos é a igualdade. Queremos proteger mundos mais fracos, que são prejudicados por deuses excêntricos e despertadores mais fortes. Qual é o problema de se juntar a nós?" ela perguntou.

Neo não hesitou.

Sua resposta veio de imediato.

"Vou matar algum de seus líderes."

As palavras impactaram a sala como um martelo.

Ilyana ficou tensa na cadeira, o ar preso na garganta.

As mãos de Arthur se cerraram em punhos sob a mesa.

Até mesmo o rosto de Amelia ficou endurecido, seus olhos se estreitaram enquanto ela se endireitava.

Todos na sala sabiam quem Neo estava se referindo.

Zeus, o Matador de Deuses.

"Nem pense nisso," disse Ilyana, com voz mais dura do que pretendia. "Esqueceu o que aconteceu há quinze mil anos?"

"O Matador de Deuses veio sozinho. Entrou numa das bases da Aliança, matou um dos seus líderes, libertou nosso Líder Supremo e saiu andando, enquanto todo o universo assistia. É…"

Ela parou, a voz deixando de firmeza.

"Acho que nem é mais possível derrotá-lo."

Ela ainda se lembrava daquele dia.

A execução do Líder Supremo dos Sóis Esquecidos foi transmitida para todo o universo.

Bilhões assistiram enquanto seu líder era acorrentado e humilhado diante da Aliança.

A esperança deles desabou num instante.

A guerra estava perdida.

E então apareceu Zeus.

Ele veio sozinho.

Sem uma frota, sem exército para ajudá-lo.

Somente um homem.

O que aconteceu depois ficou marcado na história.

Ele destruiu a fortaleza da Aliança como se fosse nada, matou um dos seus principais líderes, libertou o Líder Supremo e saiu enquanto o universo assistia.

A tentativa da Aliança de mostrar sua supremacia terminou em humilhação.

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