Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 705

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Silêncio tomou conta da mesa.

Os pensamentos de Neo giravam em círculos inquietos.

Toda vez que tentava se fixar em um, outro surgia e o empurrava de lado.

Ele olhou para Moraine, esperando alguma resposta, mas ela manteve o olhar baixo.

Era como se ela não tivesse intenção de falar, por mais que o silêncio pesado entre eles pressionasse.

O que ela sente? ele se perguntou. Procurando Elizabeth, fazendo algo assim... não é por si mesma. Ela faz por mim.

A percepção deixou uma dor taciturna no peito dele.

Ele mordeu o lábio antes de forçar um sorriso suave.

"Obrigada," disse em tom baixo.

As palavras pareciam pendurar no ar, sem destino.

Moraine não respondeu.

Ela apenas se deslocou na cadeira e comeu.

A atmosfera entre eles ficou tensa.

Todos focaram na comida por alguns minutos. O som dos talheres preenchia o silêncio em vez de conversa.

Percival foi o primeiro a quebrar o silêncio.

"Não podemos mais encontrar Julie," disse.

Neo levantou a cabeça. "Como assim?"

"Bem... aconteceram coisas," respondeu Percival, com um tom mais sério do que a explicação vaga sugeria. "Duvido que Julie venha ao Domínio Dourado, ou mesmo ao nosso universo, por enquanto. Então, precisamos procurar alguém que nos ajude a sair do Domínio Dourado."

Neo ficou quieto, pensando.

Sua garganta ficou apertada, como se uma bola tivesse se formado ali.

Deveria até mencionar Elizabeth na frente de Moraine?

Era algo que queria falar, mas sem arriscar magoá-la mais.

Mas...

Ele engoliu em seco e finalmente perguntou: "Você tem alguma ideia de como fazer isso?"

Percival recostou-se levemente na cadeira.

"Dragões Antigos. Ou líderes dos Sóis Esquecidos e da Aliança."

Neo franziu o cenho. "Se os líderes dos Sóis Esquecidos sabem, não dá pra pedir ajuda à Ilyana?"

"O método de sair do Domínio Dourado sempre foi um segredo de alto nível," explicou Percival. "A família da Ilyana conhece, mas até ela concluir sua herança e assumir o comando, ela não terá acesso a essa informação. É reservado apenas ao líder da família."

Neo bateu os dedos na mesa.

"Quanto tempo até ela concluir e tomar o cargo?"

"Adivinha, igual a mim, não tenho ideia."

Um suspiro escapou de Neo antes que ele pudesse impedir.

A incerteza era preocupante, embora não culpasse Percival por isso.

Após uma pausa, murmurou: "Dragões Antigos então. Talvez eu deva—"

"Conversar com os Ceifadores?" interrompeu Percival com calma.

Neo piscou surpreso com a sugestão repentina.

"Você... sabe...?"

Percival apenas deu de ombros.

Vendo a reação de Neo, levantou a mão em sinal de desdém.

"Eu consigo ler o Destino, melhor que a maioria das pessoas, honestamente. Peguei muitos segredos pelo caminho."

Colocou o garfo na prato e acrescentou:

"Minha ideia é, a Layla já me ajudou a falar com os Ceifadores. Eles não sabem como sair do Domínio Dourado. O Ceifador de Rank 1 talvez saiba, mas não conseguimos encontrá-lo."

Neo recostou-se, franzindo ainda mais a testa. "Você não conheceu o Bael?"

Isso não fazia sentido.

A própria Layla já deveria ter conhecido o Bael.

Ela estaria escondendo a localização do Bael deles?

Se estivesse, Neo não se surpreenderia.

Afinal, a existência de Bael estava diretamente ligada às notícias da morte de Hades.

Se essa notícia se espalhasse, o caos que causaria seria inimaginável.

Pensando bem, Neo finalmente disse: "Posso procurar o Bael. Deixa eu tentar."

"Tudo bem." Percival concordou com a cabeça.

A refeição terminou pouco tempo depois.

Neo se levantou, recolheu os pratos e levou-os até a pia.

Ele começou a enxaguá-los, perdido em pensamentos, quando Moraine se aproximou e parou ao seu lado.

"Eu faço," ela disse.

"…?"

Ele a olhou, confuso.

"Você lavou a louça ontem também. Deixe que eu faça desta vez."

"…Ok."

Ele secou as mãos e recuou, deixando-a fazer.

Seu pensamento ainda estava preso no que Percival tinha dito, e ele voltou para a sala de estar.

Percival já estava sentado lá, esperando.

Neo se sentou ao lado dele. Os dois conversaram sobre assuntos sem importância.

Então, ao mesmo tempo, ambos voltaram a cabeça.

Uma presença se aproximava.

Neo olhou para Percival. "Você a percebeu de tão longe?"

"Não," disse Percival com uma risada. "Meu alcance não é tão amplo quanto o teu. Vi distúrbios na tapeçaria do Destino e percebi que alguém vinha."

Neo piscou, verdadeiramente impressionado.

Parecia que as habilidades de Percival haviam crescido bastante, embora ele sempre fosse um caso estranho.

Ele conseguia ler o destino de Neo, mesmo quando todos insistiam que Neo não tinha um.

"Jack deve ter um Esfera de Destino, não é? Isso deveria esconder seu destino. Então, como você percebeu a distorção na tapeçaria por causa da chegada dele?"

Percival sorriu.

"Ah, a Esfera? Aquilo não funciona contra mim."

Neo o observou longamente.

Até os Eternals tinham dificuldades com as Esferas.

Para Percival passá-las tão casualmente, não fazia sentido algum.

'Talvez esteja relacionado à sua Arma de Alma,' pensou Neo.

Antes que pudesse fazer mais perguntas, a figura que haviam sentido finalmente chegou.

Jack aterrissou perto da mansão.

"Vou lá vê-lo," disse Neo, levantando-se.

Com um único passo, cruzou a distância e apareceu bem na frente de Jack, que estava logo do lado de fora.

"Que bom te ver de novo," disse Jack com um sorriso.

"…Igualmente."

Jack riu, percebendo a hesitação.

"Sinto a hostilidade nesse 'iguamente.' Não se preocupe. Não tenho mais nada com a Layla."

Os olhos de Neo se estreitaram.

Não era isso que tinha ouvido.

As informações que Bael lhe dera eram diferentes.

Jack devia ter percebido sua reação, pois seu sorriso desapareceu.

"…Você ouviu algo diferente?" perguntou Jack cuidadosamente.

"Me falaram do seu casamento," disse Neo, de forma seca.

As palavras pesaram como um fardo.

O sorriso de Jack sumiu completamente, substituído por uma expressão mais fria.

"Não tenho nada com a Layla. Não vamos nos casar."

A tensão se arrastou por um momento.

Depois, Jack suspirou e balançou a cabeça.

"Vamos mudar de assunto. Devemos nos mudar para outro lugar primeiro, porém."

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