
Capítulo 707
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
“Aquela?”
As mãos de Jack deslizaram para baixo, e ele olhou para o teto.
“A magia de ataque mental que Nyx usou em mim. De alguma forma, a Layla conseguiu a mão nela. Ela a usou enquanto eu estava desprotegido. Acabei confessando o que realmente sinto.”
Seu maxilar se tightou enquanto ele cuspia as palavras.
“Prometo que, se eu pegar na mão daquele idiota que criou essa magia, vou esmurrar até ele ficar à beira da morte.”
A expressão de Neo ficou rígida.
Por dentro, ele estava atordoado.
Essa magia… foi ele e Gaia quem a criaram.
Naquela época, fizeram isso pensando que ajudaria Jack e Nyx a ficarem mais próximos.
Porque Jack era um idiota teimoso, que empurrava Nyx embora, mesmo gostando dela claramente.
'Caramba.'
'Fiz besteira com Jack, e agora está vindo à tona.'
Jack percebeu a mudança na expressão de Neo.
“Você… você sabe quem criou essa magia, né?”
“Hã? Claro que não,” Neo negou de imediato, balançando a cabeça.
Jack franziu a testa, procurando respostas no rosto dele.
Depois de um momento, suspirou e deixou pra lá.
“Depois do que aconteceu com a Layla, eu não consegui mais ignorar ela. Então ficamos juntos. E… por um tempo, fomos felizes. Pelo menos, até eu descobrir o que ela realmente estava fazendo.”
“…?”
Jack riu de forma amarga. “De onde você acha que a Layla conseguiu essa magia de ataque mental?”
Antes que Neo pudesse responder, Jack respondeu à própria pergunta. “Ela conseguiu com a Nyx. Nyx é uma discípula do Ceifador no Submundo.”
Neo parou, congelado.
A voz de Jack carregava uma mistura de raiva e dor. “Layla escondeu notícias sobre mim da Nyx, e também ocultou de mim tudo sobre a Nyx.”
“Ambos ficamos no escuro. E sabe por quê? Porque ela não queria uma ‘vadia’ entre nós.”
Uma risada vazia escapou dele.
Ele inclinou a cabeça para trás, tomando mais um gole.
“…
Neo sentiu o corpo gelar.
Jack não tinha terminado.
“Ela fingia ser amiga na frente da Nyx. Obtia informações sobre mim através dela. E, ao mesmo tempo, ordenou que todos os Ceifadores escondessem minha existência da Nyx.”
“Ela cortou a verdade ao meio e alimentou cada um de nós com ela.”
“A Nyx achava que eu não estava lá, e eu achava que a Nyx tinha SUMIDO.”
Sua voz virou uma risada amarga novamente.
“E tudo isso pra ela poder se livrar de uma Nyx.”
Neo recuou lentamente, soltando um suspiro.
“Quando descobri, confrontei ela. Tivemos uma briga feia,” continuou Jack.
Sua mão apertou o caneca até as knuckles ficarem brancas.
“Sabe o que aconteceu naquele dia?”
Neo balançou a cabeça, sem falar nada.
“Disse a ela que estava terminando. Falei que tudo ia se resolver com o tempo,” falou calmamente.
Então sua mão fechou ainda mais ao redor da alça.
“Ela ordenou que os Ceifadores me capturassem. Disse que eu entenderia tudo com o tempo.
Que eu só estava bravo porque foi tudo de repente. Que um dia, eu entenderia que tudo o que ela fez foi por nós.”
Ele ergueu a caneca, a bebeu de uma só vez, e bateu na mesa com força.
“Recusei. Lutei contra os Ceifadores e tentei fugir. Você sabe como é impossível isso. Ninguém escapa deles. Mas eu cheguei bem perto—tão perto—e aí a Layla ficou furiosa e ordenou que destruíssem meu Coração,” disse Jack.
“O quê…?”
Neo olhou para Jack, questionando se tinha entendido errado.
“Destruir seu Coração?”
“Sim.” A voz de Jack era carregada de amargura. “Perdi minha posição. Perdi tudo. Eu tinha tudo para ficar preso de verdade, se o Felix não tivesse intervenido e me ajudado.”
A garganta de Neo ficou seca.
Ele não sabia o que dizer.
Por tanto tempo, ficou bravo com Jack, pensando que ele tinha se envolvido com a Layla enquanto ignorava tudo o mais.
Mas agora, ouvindo tudo isso, a raiva foi desaparecendo.
O que sobrou foi a confusão, e o peso de saber que precisava ter uma conversa séria com a irmã.
Jack encheu a própria caneca de novo e bebeu.
Seu rosto estava vazio, carregado de tristeza.
Ele parecia perdido.
“Quando descobrimos que a Aliança estava caçando nosso planeta, a Illyana nos fez uma proposta. Ela virou minha noiva em troca de ajudar a Terra. Prometeu proteger sua família.”
Neo o olhou intensamente.
Jack colocou a caneca lentamente na mesa.
Seus olhos permaneciam fixos no tampo.
Por um tempo, nenhum dos dois falou.
A bolha que Jack criou ainda abafava o barulho do resto do bar.
Dentro dela, só havia silêncio e o som suave de álcool sendo derramado de novo na caneca.
Neo parecia calmo, mas havia algo pesado no jeito com que seus olhos permaneciam fixos em Jack.
Finalmente, ele quebrou o silêncio.
“Sinto muito pelo que sua irmã fez.”
A mão de Jack parou, segurando a caneca.
Ele respirou fundo, sem emitir som antes de responder.
“Por que você está com pena? É minha culpa por não ter colocado limites adequados com ela antes.”
Seu tom saiu amargo, mais ácido do que queria.
Ele sacudiu a cabeça rapidamente.
“Honestamente, vamos parar por aqui. Me diga o que você anda fazendo. Você prometeu.”
Neo demorou a responder.
Ele simplesmente encarou Jack.
O silêncio se estendeu, mas Jack não desviou o olhar.
Ele compartilhou seus sentimentos sinceros, porque confiava em Neo.
E Neo era o mesmo.
Por mais mundos que tenha cruzado, quantos rostos já tenha usado, a única pessoa que ainda chamava de amigo era Jack.