Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 708

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

"Fui capturado pela Aliança."

"O quê…?"

"Estava procurando informações sobre Armas da Alma, e sobre quem enviou Velkária atrás da Terra quando Yaleth morreu aqui."

"Durante a busca, acabei pegando em meio a um tiroteio entre os Esquecidos Sol e a Aliança."

Jack se inclinhou para frente.

Sua mão apertou firme a caneca.

"E aí?"

"Sobrevivi," Neo respondeu simplesmente. "Mas a Aliança percebeu que tinha algo errado comigo. Sobrevivi a um campo de batalha onde Deuses do Estágio 5 eram massacrados como galinhas."

"Eles descobriram que eu sou um Quebrador do Céu. Então tentaram extrair minha Vontade."

O corpo de Jack ficou frio.

Seus lábios se separaram, mas nenhuma palavra saiu.

Ele só podia imaginar o quanto Neo deve ter suportado.

E, para seu horror, a história de Neo não parou por aí.

"Quando eles não conseguiram tirar isso de mim," Neo continuou, "resolveram me transformar em um Berserker."

"Me enviaram para um Sítio."

"O plano deles era me buscar de volta assim que eu me tornasse um Berserker do Estágio 4."

"Fiquei lá por quinze mil anos, lutando e sobrevivendo."

"No final, conquistei o Sítio e saí como um Estágio 5. A Aliança não esperava por isso."

Ele tinha um olhar conflituoso nos olhos.

"E lá, encontrei alguém. Alguém que me ajudou a escapar."

O caneco na mão de Jack quebrou.

Birra escorreu pelos seus dedos enquanto o vidro se espatifava.

Seu peito queimava.

"Aqueles malditos... vou matá-los."

Ele se levantou do assento, mas antes que pudesse dar um passo, uma leve pressão sobre seus ombros o impediu.

Neo o deteve.

"Para onde você vai?" Neo perguntou.

"Para onde mais? Vou enfrentá-los."

Neo observou por um momento, depois sorriu de leve.

"Obrigado pelos seus pensamentos. Mas isso não é necessário. A força da Aliança não é algo que podemos enfrentar agora."

"Mas isso não quer dizer que devamos simplesmente deixá-los passar por cima de nós—"

"E vou vingar-me com minhas próprias mãos."

Jack congelou ao ouvir as palavras do amigo.

A convicção na voz de Neo era como aço.

Lentamente, ele se sentou de novo.

Neo não perdeu tempo e explicou. "Tenho várias descobertas para concluir. Depois de falar com todos vocês e finalizar essas etapas, irei atrás da Aliança."

"Vou com você," disse Jack.

"Não—"

"Ou vou sozinho, ou com você."

Por um momento, Neo apenas olhou para ele. Então, suspirou.

"Certo. Vamos fazer juntos. Só não vá sozinho."

Para Neo, tava claro que Jack não ia recuar. Era melhor ir juntos do que correr o risco de perdê-lo.

Neo recostou-se um pouco, aliviando a tensão.

"Enfim, você já conversou com a Nyx?"

"O quê?"

"Você já falou com a Nyx desde que descobriu que ela é uma discípula da Morte?"

"…Layla nunca deixou."

"Tudo bem. Vamos agora."

Jack piscou, surpreso. "O que? Eu sou um ser vivo. Nem consigo entrar no Submundo mesmo se vocês me levarem lá. Os Ceifadores—"

"Vou te matar. Assim você conhece a Nyx no Submundo, e depois eu te revivo."

A expressão de Jack ficou rígida.

Neo deu uma risadinha ao ver a expressão do amigo.

"Tô brincando. Não se preocupa com os Ceifadores. Você já está morto, se é que ainda não percebeu."

"Você é um Necromante, afinal."

"E se eles reclamarem ainda, eu trago a Nyx para o mundo dos vivos ao invés de te arrastar pra lá. Eles não podem discutir comigo," Neo disse.

Jack respirou fundo devagar e assentiu levemente.

Neo realmente poderia criar um Mundo da Morte e convocar Nyx lá.

Era suficiente.

"Espera," Jack disse de repente, justo quando Neo puxou sua insígnia de Ceifador.

Neo levantou uma sobrancelha. "O que? Está nervoso?"

"Sim," Jack admitiu sem hesitar. "Nem sei o que dizer para ela."

Neo abriu a boca, depois a fechou novamente.

Ele realmente não tinha conselho. Sua própria situação era complicada, e ele sabia o quanto Jack devia estar confuso.

Ele deu um suspiro silencioso.

"Apenas encontre ela. Você saberá o que dizer assim que a vir."

"Certo…"

Neo tinha também perguntas para fazer à Nyx.

Ele precisava perguntar sobre Zeus, e por que ele matou os Deuses.

E ainda havia Barbatos. Neo precisava pedir desculpas pelo que tinha feito a ele no Sítio Voraka.

Sem mais palavras, Neo pressionou a insígnia.

Um portal se abriu diante deles, escuro e ondulando com sombras.

Eles passaram juntos.

O mundo mudou.

Um salão imenso se estendia à sua frente, com tetos tão altos que sumiam na escuridão.

Piso de pedra fria sob os pés.

Uma luz pálida brilhava de nenhuma parte e de todos os lados ao mesmo tempo.

Jack olhou ao redor com olhos arregalados, mas não havia medo em sua expressão.

Neo percebeu isso.

Para alguém que, quando jovem, era um covarde, Jack tinha crescido.

Passos pesados ecoaram pelo salão.

Depois veio um rosnado baixo.

Do lado oposto, uma forma gigante apareceu.

Tinha três cabeças, cada uma com dentes afiados à mostra.

Cerberus, o guardião.

"Cerberus." Jack levantou a mão e tentou sorrir. "Olá."

A fera parou.

As três cabeças se voltaram para eles, farejando o ar.

Ela não reconhecia o Ceifador que ali estava.

Mas então seu olhar se fixou em Jack.

Seus pêlos eriçaram. Seus músculos se tensionaram. Sua presença se enlargueceu de fúria.

"O que diabos você fez com o Cerberus? Parece que você é o inimigo mortal dele."

"Ele acha que fiz a Layla chorar. Me culpa por isso."

"…Desculpe por isso."

Antes que pudessem dizer mais alguma coisa, o Cerberus avançou.

A forma enorme da criatura trovejou ao correr, garras arranhando o piso de pedra.

Neo não se moveu.

"Sou eu," ele chamou. "Você não me reconhece? Nós nos conhecemos no Sítio Voraka, durante o Desafio Sombra de O Homem."

Mas o Cerberus não parou.

Neo elevou a voz e, finalmente, acrescentou: "Sou eu, Cerberus. Neo."

A fera parou justo antes de suas mandíbulas fecharem ao redor dele.

As três cabeças se inclinaram, confusas.

Um rosnado baixo saiu de suas gargantas, como se perguntasse: Você disse que não era o Segundo Príncipe quando nos conhecemos antes. E agora diz que é?

Neo sorriu de leve.

Ele resolveu tirar a insígnia do bolso e segurá-la.

Uma leve luz a envolveu.

O número gravado nela reluziu.

Oitenta e um.

A insígnia do Ceifador que pertencia a Neo.

"Minha aparência e minha alma evoluíram. Mas eu realmente sou Neo."

A mudança foi instantânea.

O rosnado de Cerberus transformou-se em um gemido, depois em latidos animados.

Aquele enorme guardião pulou para frente, agora não mais como um monstro, mas como um cachorro que reencontra seu dono.

Seus três focinhos se cercaram ao redor de Neo, suas caudas abanando furiosamente, como se só quisessem demonstrar alegria.

Jack arregalou os olhos, olhando para aquela cena bizarra.

"Não brinca comigo…"

Neo riu, e foi até acariciar um dos cabeçudos enquanto ele tentava se encostar nele. "Senti sua falta também."

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