
Capítulo 696
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
"Sou eu. Agares."
Ceifador de Rank 3, Agares.
Enquanto o Ceifador de Rank 1, Bael, estava desaparecido—embora Layla soubesse onde ele estava, ele tinha pedido para manter seu paradeiro em segredo—e o Ceifador de Rank 2, Barbatos, era responsável por defender o próprio Submundo, Agares era quem comandava.
Sua palavra era lei para o restante dos Ceifadores.
A expressão de Layla escureceu.
"O que você quer dizer com isso?"
Sua voz cortante e fria. A tensão entre ela e Agares não era novidade.
Eles haviam discutido várias vezes, mas nunca assim.
Agares respondeu sem hesitar. "Significa exatamente o que você ouviu, princesa. Você tem utilizado de forma indevida os poderes do Submundo para benefício próprio, repetidamente. Isso vai parar agora."
Seu queixo se cerraram.
"Agares! Este não é o momento para seus jogos—"
"Nós não somos seus servos," Agares interrompeu. "Somos os comandantes da Morte Prime. Não se esqueça disso, princesa. Em vez de dar ordens, deveria olhar para suas ações passadas e se perguntar por que isso está acontecendo."
O distintivo brilhou fracamente, depois se esmaeceu. A conexão foi encerrada.
Layla encarou o emblema morto em sua mão, o silêncio se estendendo. Pela primeira vez, ela parecia realmente surpreendida.
Felix respirou fundo e massageou a testa. "Ótimo. Exatamente o que a gente precisava."
Ela ficou em silêncio. Ele deu um passo para trás e balançou a cabeça. "Tudo bem, vamos conversar sobre isso depois. Agora, ainda precisamos lidar com aquele Deus invasor."
Seus olhos se levantaram novamente. Ela assentiu firmemente. "Você tem razão."
Ela se levantou da mesa, ajustando sua roupa. Suas mãos tremeram levemente antes de fechá-las em punhos.
"Vou lá. Vou ajudar a irmã mais velha, Amélia."
"Layla?! Você está só no Degrau 3. Como acha que vai fazer isso?"
"Tenho um Inferno. Vai ajudar na luta."
"Layla, espera—"
Mas ela já tinha desaparecido antes que ele pudesse terminar, teleportando-se para fora da câmara.
O ambiente voltou ao silêncio, um silêncio pesado demais.
Felix ficou olhando para o assento vazio onde ela estivera, depois se apoiou pesadamente na mesa com as duas mãos.
Seu pulso ainda acelerava, a marca do Dragão em seu braço pulsava forte, como um coração secundário.
"Tudo está desmoronando ao mesmo tempo," murmurou.
Ele permaneceu assim por um longo momento, até que finalmente se sentou em uma das cadeiras.
…
Ponto de Vista de Neo
"É só isso que você consegue?" Neo perguntou.
Amélia ofegava enquanto lutava para manter-se de pé.
Seu corpo estava destruído. Sangue escorria de ferimentos abertos que insistiam em não cicatrizar.
A grande deusa que antes se erguia atrás dela—a manifestação do seu Mundo—já estava despedaçada.
Os cadáveres que surgiam do oceano abaixo gemiam enquanto tentavam rastejar em direção a Neo.
Suas mãos se estendiam para puxá-lo para as profundezas.
Porém, nenhum deles tinha coragem de tocá-lo.
Sua aura sozinha pressionava de forma tão pesada que as formas de podridão deles tremiam e congelavam.
Neo levantou a mão lentamente.
Seus movimentos eram calmos e sem pressa, como se tudo fosse inevitável.
"Se isso é tudo que vocês têm, então vou terminar agora."
Ele se preparou para atacar.
O ar ao redor de sua palma se distorceu.
Mas antes que sua mão pudesse descer, outra presença entrou no Mundo.
Ela foi rápida e parou bem na frente de Amélia, protegendo seu corpo.
"Irmã mais velha, você está bem?" A voz de Layla carregava preocupação.
"Eu… uff… uff… estou me controlando." Ela engoliu em seco e forçou as palavras. "Pode chamar os Ceifadores? A situação aqui está grave."
"…Não posso."
"…O que quer dizer com que não pode?"
"Eles recusaram." Layla mordeu os lábios. "Vou te dar um tempo. Por favor, recupere-se e prepare seu ataque mais forte."
Amélia quis contestar, mas conseguiu perceber a expressão de Layla.
Layla não falava de leve.
Amélia fechou a boca e assentiu com um pequeno gesto.
Neo abaixou a mão.
Seus olhos ficaram fixos em Layla.
Embora nunca a tivesse visto antes, ele a reconheceu.
Conflictos emocionais emergiram dentro dele.
Nojo. Carinho.
"O Mundo."
Layla abriu a mão, e seu Mundo se desenrolou.
Ele se fundiu ao seu Mundo quebrado, reforçando-o.
O céu acima mudou, estrelas negras brilhando onde antes só havia um céu de sangue.
Do oceano de caos, rosas começaram a florescer.
Suas pétalas eram de um vermelho-escuro, quase negro, com rastros de sangue.
Seus caules se espalhavam para fora, repletos de espinhudos e cruéis agulhões.
"Hora Nula!" Layla ordenou.
O Firmamento escarrou de sua manga como um raio de luz, indo na direção de Neo.
Seu propósito era absoluto: apagar tudo o que tocasse.
Porém, assim que se moveu, congelou no lugar.
"É você, Fa—"
Antes que o Firmamento pudesse completar a frase, Neo fechou a mão no ar.
O espaço se distorceu, como se a distância entre eles deixasse de existir.
Seus dedos se fecharam, e o Firmamento apareceu repentinamente em seu punho, apesar de antes estar longe dele.
Os olhos de Layla se arregalaram.
Neo lançou um olhar para o Firmamento Hora Nula.
Depois, com uma facilidade casual, forçou-o a recuar para sua sombra.
O Hora Nula desapareceu, sendo engolido pelo Espaço da Sombra aos seus pés, como se tivesse pertencido a ele desde sempre.
"Isso não parecia ser seu," Neo comentou.
"Enfia o pé na sua boca!" Layla retrucou.
Preocupação e raiva aumentaram nela ao ver o Firmamento Hora Nula tão facilmente subjulgado.
Neo observou sua reação e então olhou para baixo enquanto uma energia nova surgia.
Layla ainda não tinha terminado.
Sua voz cortou o ar com firmeza. "[Correntes do Inferno]!"
Do oceano manchado de sangue, enormes correntes negras emergiram com força.
Elas se enrolaram em Neo em grandesirinhas, cravando-se em sua aura, pressionando-o com peso opressivo.
Seu propósito era amarrar, reprimir e conter.
Neo olhou para as correntes que tentavam imobilizá-lo.
Ele puxou levemente, sentindo a resistência delas.
Depois, voltou seu olhar para Layla e Amélia.
"É só isso que vocês conseguem?" ele perguntou.
Nem Amélia nem Layla responderam.
Ambas estavam reunindo suas últimas forças, recusando-se a recuar.
"Se for assim, acho que já cansei de brincar."
Ele levantou um pouco a mão direita, doblou o dedo do meio para trás e o pressionou com o polegar.
Uma pequena centelha de luz se formou na ponta.
Layla e Amélia ficaram olhando, confusas.
Não conseguiam entender o que ele tentava fazer.
A centelha se condensou mais, formando uma minúscula esfera de energia, do tamanho de uma bolinha de gude.
Porém, o peso dela fazia o ar ao redor tremer.
Então, Neo estalou o dedo.
A esfera disparou à frente.
Virou uma linha de luz tão rápida que parecia pular a distância de uma só vez.
Rasgou o Mundo combinado de Layla e Amélia como se fosse papel, desmantelando estrelas e rosas em um instante.
Nenhuma das duas conseguiu reagir.
A linha de luz não parou.
Continuou em frente, acelerando.
Num piscar de olhos, deixou o campo de batalha e atravessou o vazio até a órbita suspensa da Terra.
E então, atingiu.
Por um momento, silêncio.
A Terra estremeceu de repente.
Um relâmpago cegante rasgou sua superfície, e a esfera de luz se expandiu em um cataclismo.
Fogo e poeira saíram em erupção. Oceanos fervendo. Continentes rachando.
O rugido silencioso de um planeta se desintegrando se espalhou pelo vazio.
A Terra foi destruída.
Amélia e Layla congelaram, com os olhos arregalados.
A reação em cadeia de sua ligação com o planeta os abalou, fazendo Amélia tossir sangue e Layla cambalear como se suas pernas tivessem perdido força.
Neo abaixou novamente a mão.