Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 695

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Neo teleportou para fora da nave.

Ele surgiu no vazio silencioso logo fora da Barreira do Céu.

A imensa estrutura brilhava tenuemente. Era uma fina, porém impenetrável parede de energia divina que atravessava todo o Sistema Solar.

Para a maioria, era um escudo inquebrável, a última linha de defesa que mantinha os forasteiros afastados.

Neo avançou lentamente, sem usar nenhuma técnica ou Energia.

Ele apertou suavemente a mão contra a superfície invisível.

A barreira reagiu instantaneamente.

No começo, apenas ondulou, como água agitata por uma pedra.

Mas, à medida que ele continuou pressionando, a estrutura começou a ceder.

Desgastes se espalharam de sua palma. Fraturas finas formaram-se em todas as direções.

Ele avançava com firmeza, enquanto seu braço permanecia estendido, e a barreira se curvou para dentro como se estivesse se curvando diante dele.

Um tremor forte atravessou a estrutura.

A luz dela piscou violentamente, e então ela se quebrou no ponto de contato.

O colapso silencioso ressoou pelo espaço. Fragments dissolveram-se em fluxos de energia quebrada.

Neo passou pela brecha sem desacelerar.

Então ele parou.

Ela estava ali, esperando por ele perto deNetuno.

Cabelos brancos flutuavam ao redor dela no vazio. Seus olhos carmes, brilhavam suavemente com uma aura inabalável, e sua expressão era fria.

Sua beleza era inegável, mas havia algo mais pesado em sua presença que apertou seu peito no instante em que a viu.

Ela se parecia demais com ela.

'Amélia', pensou, o nome ecoando em sua cabeça antes que pudesse pará-lo.

"Quem é você?" A voz dela não tinha calor, incapaz de reconhecê-lo.

Neo ficou em silêncio.

Seus olhos se estreitaram levemente.

"Este setor está protegido pelos Esquecidos Sol. Se você não quer perder a vida, saia agora, Deus desobediente."

Suas palavras o puxaram da lembrança que ele vinha revivendo.

Ele sacudiu a cabeça suavemente, forçando-se a enxergar ela direito.

'Quinta fase?'

Ele ficou surpreso.

Ascender ao posto de Deus podia elevar o nível de alguém em três etapas.

Um Despertado Exaltado podia tornar-se um Deus da Quinta Fase.

No entanto, tornar-se Deus em uma classificação tão elevada exigia anos incontáveis de esforço, paciência e uma sorte extraordinária.

Por isso, alcançar a Quarta Fase em quinze mil anos era considerado uma marca quase impossível.

'Ela chegou à Quinta Fase no tempo em que estive ausente.'

'Quinta Fase em apenas 15.000 anos.'

Mais do que surpresa, uma tristeza tomou seu coração.

O que a Terra tinha passado durante os anos em que ele esteve longe?

Que provas poderiam ter forçado Amélia a subir tão rápido e tão alto, contra o ritmo natural de crescimento?

'Eu deveria ter ficado,' pensou, cerrando o punho. 'Deveria ter ficado com eles.'

Amélia, sem saber nada de seus pensamentos, apenas olhou para ele com a mesma frieza distanciada.

"Se você não for embora, vai morrer aqui. Deus desobediente. Escolha."

Ela levantou o pulso.

Com esse gesto, o vazio ao redor deles vibrava.

O espaço mesmo se rachava em fissuras que se espalhavam como um vidro estilhaçado sob pressão.

Por entre essas rachaduras surgiu algo terrível.

Mar de Sangue.

Ele escorria das lacunas na realidade, não de forma descontrolada, mas com movimentos deliberados.

Rios de sangue carmesim se espalhavam pelo vazio, se torcendo em formas.

Lanças, lâminas, setas.

As armas se formaram perfeitamente a partir do sangue líquido, todas direcionadas a ele.

"Vai embora, ou vai morrer?"

Neo permaneceu em silêncio.

Por um momento, pareceu que ela ia esperar, mas então seu olhar se afilou ainda mais.

Ela fez um movimento com os dedos e falou com uma voz calma e firme.

"O Mundo."


As estrelas e planetas desapareceram.

A luz se curvou e se remodelou até que Neo se encontrou de pé sobre um vasto oceano de sangue.

O ar, se assim poderia ser chamado, brilhava de vermelho sob um céu que ardia como o crepúsculo.

O cheiro de ferro e podridão invadiu seus sentidos, e sob as ondas do oceano, ele viu movimentos.

Incontáveis cadáveres se moveiam e se contorciam, presos para sempre abaixo da superfície.

E, atrás de Amélia, algo mais surgiu.

Uma figura pairava acima dela, gigante e divina em suas proporções.

Era uma mulher. Algo nela parecia familiar a Neo.

Ela parecia uma deidade.

Ela carregava uma espada, sua lâmina rachada e corroída, mas que irradiava uma presença ainda régia e aterradora.

A pele dela estava em decomposição, partes do rosto devorados, mas mesmo em ruínas, ela exibia toda a essência da divindade que fora um dia.

Tinha cabelos brancos e olhos vermelhos vazios.

O rosto de Neo se endureceu.

'Ela não esqueceu.'

Quantas lágrimas ela derramou pela mãe para que sua figura aparecesse no mundo de Amélia?

Ponto de Vista de Félix

"Porra! Porra! Porra!"

A voz de Félix ecoava pelo longo corredor enquanto ele avançava pelo palácio com passos rápidos e urgentes.

Seu peito apertava, a respiração estava superficial, e a marca de dragão gravada em seu braço pulsava como se estivesse viva.

Cada batida transmitia a mesma mensagem: o Deus da Quinta Fase que invadira era seu alvo. Um Dragão Ancião com o sobrenome Hargraves.

Félix cerrava os punhos enquanto se apressava.

As forças da Terra não estavam preparadas para isso.

Eles tinham defensores, sim, e alguns de seus deuses eram extremamente poderosos.

Mas eles não estavam aqui no momento.

E, mesmo que estivessem…

Félix duvidava que conseguissem enfrentar um Dragão Ancião da Quinta Fase sem sofrer perdas devastadoras.

Esse tipo de ameaça só existia em lendas, derrotada apenas por figuras históricas.

A maioria dessas figuras já estava morta ou tinha desaparecido.

Seu raciocínio acelerava a cada passo.

Depois que recebeu a Marca do Dragão, seu alvo apareceu do nada.

O tempo não podia ser coincidência.

Seria isso um plano desde o começo?

O Dragão Ancião Hargraves rastreou sua Marca do Dragão?

A Terra estava prestes a ser destruída como parte de algum esquema que nem eles mesmos compreendiam?

"Se os Dragões Anciãos tentaram destruir a Terra através desse Hargraves, qual é o objetivo deles?

"Qual é o sentido de queimar a Terra até o chão?"

Não houve resposta.

Félix abriu as portas com as duas mãos e entrou na sala do conselho.

O espaço era vazio em comparação ao habitual.

A longa mesa, normalmente ocupada por generais, conselheiros e líderes políticos, estava desocupada.

Apenas uma pessoa sentava-se na ponta mais distante, franzindo a testa como se já tivesse adivinhado o tipo de notícia que ele carregava.

"Layla," chamou Félix, sua voz áspera. "Tenho informações sobre o Deus invasor."

Ela levantou a cabeça. Seus olhos vermelhos, tão parecidos com os da família, fixaram nele.

"O que foi?"

"Ele é um Dragão Ancião. Hargraves. Você o conhece?"

Ela congelou por um momento, surpresa cruzando seu rosto normalmente controlado.

Hargraves.

Era o sobrenome de sua família.

Ela não falou nada imediatamente, mas o silêncio foi suficiente.

"Então ele não é um amigo," Felix murmurou, interpretando sua reação.

Ele parou alguns passos atrás e cruzou os braços.

"Então precisamos agir rápido. Contate o Submundo. Peça que eles nos dêem um pouco mais de tempo. Os Esquecidos Sol e Percival estão voltando, mas precisamos de algo que segure até lá."

Layla concordou rapidamente.

Seu Elemento da Morte lhe dava acesso ao Mundo Elemental da Morte.

Ela podia ativar seu mundo e chamar os Ceifadores para lutarem nele.

Ela mordeu o lábio, e dava para ver a preocupação em seus olhos.

Ela não quer que os Esquecidos Sol venham.

A única maneira de impedir isso era lidar com o Deus invasor rapidamente.

Ela pegou a insígnia do discípulo Ceifador que carregava.

O emblema escurecido brilhou levemente na palma de sua mão enquanto ela falava nele.

"Gremory, preciso de reforços."

No começo, silêncio. Depois, uma voz respondeu, mas não era a que ela esperava.

"Não vamos enviar reforços."

Seus olhos se arregalaram.

Felix franziu a testa imediatamente.

"Você não é Gremory," falou Layla calmamente.

"Sou eu. Agares."

Ceifador de Rank 3, Agares.

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