
Capítulo 697
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Neo abaixou a mão.
"Você…!" A voz de Amelia vacilou, mas seu olhar ardia de fúria. "Como ousa fazer isso!?"
Layla já tinha se escondido atrás dela.
Seus dedos fizeram uma rápida sequência de sinais manuais.
Neo percebeu e franziu a testa.
Ele abriu a boca para falar, mas parou ao sentir que algo estava errado.
"Huh?"
Seus olhos caíram sobre as mãos.
Elas… estavam diferentes.
Ele olhou ao redor e suas sobrancelhas se franziram.
A Barreira do Céu permanecia intacta.
A área que ele havia destruído momentos atrás foi completamente restaurada, como se seu ataque nunca tivesse acontecido.
E, mesmo assim, ele ainda estava dentro da Barreira do Céu.
Amelia estava bem à sua frente, distante.
Seus ombros estavam retos e sua expressão calma.
Ela não tinha ferimentos.
Mais do que isso, ela nem tinha ativado seu Mundo ainda.
Muito atrás dela, a Terra flutuava tranquilamente — inteiramente intacta.
A mente de Neo rodava em círculos.
Será que o tempo tinha sido revertido?
Não… ele podia garantir que não.
Ele tinha se preparado exatamente para isso.
Se Amelia ou Layla tentassem puxar as coisas para o passado para salvar a Terra, ele estaria pronto para intervir.
Mas o que ele estava vendo agora não condizia com isso.
Era como se o tempo tivesse sido puxado para um ponto anterior, o momento em que ele entrou pela primeira vez no Sistema Solar após romper a barreira.
E, ainda assim… não era exatamente o mesmo.
Nem tudo foi reiniciado.
A Barreira do Céu estava perfeitamente intacta, mesmo que devesse estar danificada.
O Firmamento Hora Zero continuava preso em seu Espaço Sombra.
Algo não estava certo.
"Você pode nos derrotar," disse Amelia com firmeza.
Ela levantou a mão, e seu Mundo brilhou intensamente ao seu redor. "Mas você não consegue vencer."
"É mesmo?"
Ele cerrrou a mão.
O espaço ao redor da Terra se dobrou violentamente, comprimido com força esmagadora.
O planeta foi destruído instantaneamente.
Amelia gritou enquanto uma reação a atingia em cheio.
Sangue jorrou de seus lábios.
Mas, antes que o último fragmento de sua Energia Divina se consumisse, ela completou outro conjunto de sinais manuais.
A mesma sensação estranha passou por Neo.
Depois, a Terra voltou a estar inteira.
Amelia permanecia ilesa, como se não tivesse sangrado há segundos.
"Aconteceu de novo."
Ele destruiu a Terra duas vezes.
E, ainda assim… o resultado foi negado.
Ele levantou a mão e estalou os dedos.
O Conceito Hora Zero se propagou para fora.
O Sistema Solar foi apagado do nada.
E então—
"De novo, hein."
O Sistema Solar reapareceu.
Os planetas giraram ao redor do sol como se nada tivesse acontecido.
Olhos de Amelia estavam fixos nele. Ela desconfia dele.
Os pensamentos de Neo aceleraram.
'Desta vez, a Terra e todo mundo foram destruídos antes que pudessem usar sinais manuais.'
Quer dizer…
"Então, os sinais manuais não são essenciais," ele murmurou.
Amelia e Layla haviam fingido que os sinais importavam.
O ciclo se repetia, com ou sem eles.
Então por que usá-los? Por que fazer ele pensar que faziam parte disso?
'Os sinais manuais eram uma distração.'
'Eles queriam que eu perdesse tempo achando que os sinais importavam.'
Por quê?
Até mesmo a menor distração ainda era tempo ganho.
"Você está me enrolando. A quem você está tentando ganhar tempo, Amelia de Beaufort?"
"…!"
Ela vacilou pela primeira vez.
"Como você sabe meu nome?"
Sobrancelhas de Amelia se franziram.
O homem diante dela parecia jovem.
Mas Amelia sabia que uma força assim significava que ele tinha vivido por muito tempo.
Ele era um predador de topo, que fingia ser jovem.
Neo congelou, lendo seus pensamentos.
Suspeitas dela, suas hipóteses.
Ela tinha os mesmos pensamentos desde a primeira vez que se encontraram, milhares de anos atrás, na caverna do Lago de Energia Divina.
Uma leve sonrisa apareceu em seu rosto.
Seu desejo de sangue se esmaecera, acomodando-se como brasas esfriando após uma fogueira.
'Isso já basta.'
A Terra havia sobrevivido a múltiplos ataques dele.
Suas defesas não eram frágeis.
Ele viu o que precisava.
Amelia, ainda preparada para outro ataque, inclinou a cabeça ligeiramente.
A confusão aumentou em seu rosto ao vê-lo diminuir sua sede de sangue.
Neo abriu a boca e se congelou.
O que ele estava supondo que devia dizer?
Ele literalmente destruiu a Terra várias vezes para testar as defesas.
Ele não estava preocupado de poder reverter o dano, mas será que o outro lado aceitaria sua explicação péssima?
Neo falou, "Hum, então, estou aqui—"
"O Mundo."
As palavras não eram de Amelia.
Elas ecoaram de algum outro lugar.
Uma voz, familiar e ao mesmo tempo estrangeira, cortou o ar quieto.
O espaço se torceu.
A cena silenciosa do Sistema Solar se deformou e curvou.
O sol se apagou.
Uma cemitéria se espalhava pelo vazio.
Árvores negras gigantes surgiram.
Seus troncos eram irregulares e marcados. Seus galhos, retorcidos e estéreis.
Sombreamendas se estendiam infinitamente.
Neo olhou lentamente na direção da origem da voz.
Seu rosto se enrijeceu.
Lá estava ele.
Aquele canalha.
"Jack Hanma."
As emoções de Neo voltaram com força.
Sem perceber os pensamentos de Neo, Jack continuava a recitar rapidamente.
As sombras sob seus pés se espalharam, estendendo-se pelo mundo semelhante a um cemitério.
Delas, os mortos ressurgiam.
Criações não-mortas arrastavam-se da terra escura.
O chão se partia ao serem libertados mãos esqueléticas.
Gigantes de ossos e carne apodrecida marchavam à frente.
Dragões de esqueletos e órbitas vazias desciam do céu.
Liches surgiam. Seus olhos ocos brilhavam com luz sinistra.
Dullahans montavam cavalos sem cabeça, com suas lâminas erguidas.
Indo um atrás do outro, incontáveis mortos emergiam como uma maré infinita de morte e deterioração.
Os olhos de Neo se estreitaram.
Jack ainda era apenas do Nível 4.
E, ainda assim… entre o exército convocado, alguns mortos pulsavam com poder muito maior.
A presença deles revelava força de Nível 5.
Jack não criou esses mortos sozinho. Alguém deve ter ajudado.
Reforços, conhecimento, recursos ou o que fosse, ele tinha pedido ajuda a alguém mais forte.
Amelia relaxou os ombros.
Pela primeira vez, uma expressão de alívio surgiu em seu rosto.
O exército continuou a crescer.
Trilhões de mortos-vivos preencheram o espaço transformado, até que o cemitério deixou de ser um fundo e virou um campo de batalha.
Espécies inteiras de monstros, retorcidos e corrompidos, se somaram a eles.
Centenas de figuras imponentes irradiavam força de Nível 5.
O olhar de Jack cruzou com o de Neo.
O rosto de Jack estava calmo. Não havia medo nele.
Então, ele olhou brevemente para Amelia.
Fez um pequeno gesto com a cabeça, sinalizando que cuidaria de tudo dali para frente.