Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 690

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Julie nem se incomodou em responder a Veydran.

A palha fez um som fraco ao puxar o líquido para cima.

Ultris também não respondeu a Veydran.

Ele se assentou na cadeira ao lado dela.

A estrutura imensa dele contrastava com a pose descontraída dela, mas de alguma forma as duas não pareciam deslocadas juntas.

Ele se reclinou, cruzou os braços e deixou o silêncio se alongar.

O sorriso de Veydran não desapareceu.

Ele ficou confortável, como se não estivesse nem um pouco incomodado com a presença de Ultris.

A expressão fácil permanecia em seu rosto, mas seus olhos se moviam levemente entre eles.

Finalmente, Ultris falou. "Só vá embora. Se você planejava nos enfrentar aqui, deveria ter vindo sozinho."

"Haha, concordo. Entrei de pressa e não planejei isso. Agora me encontro numa situação bem complicada."

As palavras poderiam ter soado como uma concessão, mas o sorriso no rosto dele não vacilou.

Se tivesse alguma coisa, parecia se aprofundar, como se achasse a situação mais divertida do que frustrante.

"Suspiro", disse suavemente, embora fosse forte o suficiente para que eles escutassem. "Acho que só me resta ir embora, né?"

Ele virou-se e se distanciou.

N ninguém tentou impedir.

Alguns passos adiante, sua silhueta ficou levemente borrada e, então, desapareceu na praia movimentada, como se nunca tivesse estado ali.

Julie ainda tinha um leve sorriso quando o espaço na frente deles ficou mais vazio novamente.

Ela não falou, mas deu um gole na bebida como se estivesse apreciando o sabor um pouco mais do que antes.

Ultris olhou de lado para ela, depois voltou o olhar para o horizonte.

"Não deixe isso subir à sua cabeça. Ele só foi embora porque lutar contra nós dois agora seria inconveniente."

"Eu sei", disse Julie.

Ela inclinou a cabeça um pouco para trás, ajustando os óculos de sol contra o brilho do sol.

"Mas o que posso fazer? Anos atrás, perdi tudo para os Eternals e tive que fugir. Agora é o líder deles quem não consegue fazer mais do que sair, mesmo com o objetivo bem na minha frente. Isso dá uma sensação de satisfação."

Ultris a observou de relance, avaliando suas palavras, e então fechou os olhos completamente.

Sua cabeça se inclinou um pouco para trás, como se também tivesse decidido descansar por um momento.

A praia continuava seu ritmo ao redor deles.

Pessoas se moviam, ria, gritavam.

As ondas vinham e iam.

Por um breve período, não houve mais palavras.

Ponto de vista de Arthur

"Voltarei o mais rápido possível", disse Arthur.

"Certo", respondeu Amelia com um pequeno aceno de cabeça.

A projeção holográfica piscou uma vez antes de desaparecer completamente.

Aquietou-se a sala.

Arthur levantou os olhos do brilho sutil deixado pelo holograma e olhou para a mulher sentada à sua frente.

Ela parecia humana à primeira vista.

Seu rosto era claro, sua postura graciosa, e seus movimentos medidos.

Mas os detalhes a entregavam.

Dois enormes chifres, curvados como antlers, surgiam de sua cabeça.

Sua íris cintilava levemente, como se pequenas galáxias girassem dentro delas.

Ela era Ilyana Veycoris-Drasthel, uma das nove líderes dos Sols Esquecidos.

Ela era quem havia concedido proteção à Terra.

Por isso, ela estava confusa.

Quem estaria tentando atacar a Terra apesar de sua envolvimento?

Sua expressão era preocupada.

As palavras de Amelia claramente a deixaram apreensiva.

"A Terra está em perigo. Me deixe enviar reforços—"

"Não." A voz de Arthur a interrompeu. "Não precisamos de reforços. Vamos cuidar disso sozinhos."

Seguiu-se o silêncio.

Ilyana o examinou.

Pelam que ela ouviu, Arthur já tinha sido alegre um dia.

Na juventude, fora esperançoso, às vezes até imprudente, mas seu coração era brilhante.

Agora, o homem sentado diante dela parecia uma pessoa completamente diferente.

A expressão dele parecia de pedra, e seus olhos carregavam um peso implacável.

Isso a lembrava demais 'daquele' alguém.

"Arthur, você deveria—" ela começou cuidadosamente.

"Não."

Ele empurrou a cadeira para trás e se levantou.

Sem hesitar, começou a caminhar em direção à saída.

A porta automática fez um sussurro ao deslizar aberto.

"Arthur, escute."

Não era Arthur quem mais a preocupava. Nem o planeta em si.

O que a deixava inquieta era a ideia de que alguém que pertence à Terra estivesse em perigo se algo acontecesse com ela.

Ela não podia deixar isso virar realidade.

Mesmo falando suavemente com Arthur, pedindo permissão, ela já tinha decidido acompanhá-lo e ajudar a Terra.

"Arthur," ela chamou novamente. "O que você vai fazer contra um Estágio 5—"

Suas palavras se apagaram ao vê-lo de repente congelar.

Eles estavam dentro de uma das bases principais dos Sols Esquecidos.

O amplo corredor se estendia à frente, vários corredores menores se ramificavam.

Do lado esquerdo, um grupo de pessoas apareceu, caminhando em direção ao corredor oposto.

O olhar de Arthur travou imediatamente em um deles.

Um homem de cabelos loiros dourados.

Os punhos de Arthur cerraram.

'Zeus.'

Um dos nove líderes dos Sols Esquecidos.

O homem que resgatou o líder supremo dos Sols Esquecidos.

O homem que Arthur odiasse mais do que qualquer um vivo.

Ilyana observou o corpo de Arthur ficar tenso.

Seu olhar era afiado o suficiente para queimar pedra, e seu maxilar travado parecia dolorido.

Ela se aproximou, usando telepatia, ao invés de falar alto.

'Não seja imprudente.'

Arthur não respondeu.

Suas unhas cravaram-se nas palmas até que o sangue ameaçasse emergir de sua pele.

'Se você agir agora, ele vai esmagá-lo,' alertou Ilyana, telepaticamente.

Arthur rangeu os dentes.

As lembranças vieram como um relâmpago, quer ele quisesse ou não.

Zeus foi alguém a quem um dia olhou com admiração. Alguém que quis visitar a qualquer custo e abraçar.

…Até descobrir que esse próprio homem tinha assassinado seu avô.

Zeus não olhou na direção deles, como se não tivesse percebido a presença deles.

Ele e seu grupo passaram pelo corredor, com vozes quase inaudíveis desaparecendo na passagem distante.

Só quando a última figura se foi, Arthur soltou a tensão em suas mãos.

Seus punhos relaxaram, e ele exalou pelo nariz.

Ilyana não falou nada.

Ela apenas o observou.

Finalmente, Arthur se moveu novamente, retomando seu caminho para frente.

Seu passo era firme, embora os olhos ainda queimassem.

A baía de transporte estava esperando.

"Preciso salvar a Terra. Vou pensar no Zeus depois."

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