Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 689

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

“Eles têm o apoio dos Sóis Esquecidos. Se a coisa ficar feia, podem pedir reforços.”

Os olhos de Nyxtharion se estreitaram levemente. “Você sabe que Layla e os outros não gostam dos Sóis Esquecidos. Eles não pedirão ajuda até o último momento.”

Jack não respondeu de imediato. Ele deu uma meia-skeirada, sinalizando para um garçom que passava.

“Uma bebida,” disse, voltando a se recostar.

Enquanto a bebida era preparada, percebeu que Nyxtharion ainda o observava fixamente.

“O que você quer que eu faça então?” perguntou Jack. “Na última vez, quase escapei da Terra. Não quero voltar lá. Será só mais uma briga com ela.”

“Jack—”

“Não vou voltar, Nyxtharion.”

O tom da dragonesa abaixou um pouco. “Amélia sabe do seu passado com a Layla. Ela não teria te procurado se não fosse urgente.”

“…”

“Jack, você deveria voltar.”

Jack pegou a bebida quando chegou e ficou olhando fixamente para o copo por um longo momento.

Ele não respondeu que sim, mas também não repetiu sua negativa.

Ponto de vista de Morrigan

Planeta Olyndra

As ruas estavam cheias, embora os rostos fossem todos humanos.

No entanto, este não era a Terra.

As pessoas aqui eram de um ramo diferente da humanidade. Seus maneirismos e estilo eram distintos do que ela tinha crescido ao redor nesta vida.

Morrigan caminhava ao lado de Percival, ambos mantendo um passo firme.

As botas batiam contra o asfalto enquanto passavam por feirinhas e fileiras de edifícios desgastados.

“Julie é realmente aqui?” Morrigan perguntou sem virar a cabeça.

“Deveria estar,” respondeu Percival. “Mas, honestamente… rastreá-la nunca é simples. Estamos nisso há cinco mil anos, Morrigan. Não ficaria surpresa se fracassássemos de novo—”

Ele parou de falar quando seu olhar agudo cortou a frase dele.

Ele soltou uma risada suave, amarga.

Finalmente, chegaram à orla.

Ondas rolavam contra a areia pálida, e gaivotas semelhantes a pássaros circundavam acima.

Algum lugar adiante, seu alvo—Julie de Beaufort—deveria estar.

Morrigan de repente ficou rígida.

Ela segurou o braço de Percival e falou em voz baixa. “Não se mexa.”

“O que—”

Ele parou quando um homem passou por eles.

Percival percebeu-o apenas pelo canto do olho, mas no instante em que o viu, todos os músculos do seu corpo travaram.

Sua respiração parou por instinto.

Morrigan era igual.

Ela permaneceu congelada, imóvel.

Seu olhar fixo na direção do homem que seguia o caminho.

Ele não os olhou, só entrou na praia e desapareceu na multidão dispersa ali.

Só quando ele sumiu que eles respiraram novamente.

Percival se virou para ela. Sua expressão estava cheia de nervosismo.

Seus pensamentos quase gritavam na cabeça dela.

'Por que o professor Daniel está aqui? Não… será que é mesmo o professor Daniel? Só de estar perto dele—'

'Não é ele,' Morrigan respondeu na mente.

Ela manteve os olhos na praia para onde o homem tinha ido.

'Aquele é Veydran. O Líder dos Eternos.'

A voz mental de Percival se alarmou.

'O que ele está fazendo aqui? Ele deveria estar—'

Seu pensamento foi cortado. Ambos sabiam que pouco importava onde ele deveria estar. O que importava é que ele estava aqui.

O olhar de Morrigan permaneceu firme.

'Parece que Julie realmente está aqui, afinal.'

Finalmente, eles a encontraram.

Mas estavam atrasados.

No Praia

O sol da tarde era forte, e o ar carregava um leve cheiro de sal.

Julie estava esticada em uma espreguiçadeira.

A pele nua brilhava sob a luz.

Um chapéu de aba larga descansava ao lado dela, mas ela usava óculos escuros, mantendo os olhos fechados como se o resto do mundo não existisse.

Seu traje de praia era simples, confortável, e combinava com um sorriso discreto que transmitia uma satisfação tranquila.

O som de passos suaves no areia não a abalou.

Só quando uma sombra passou sobre seu rosto é que ela falou.

“Você trouxe o sabor que eu pedi—”

Ela parou no meio da frase ao abrir os olhos e ver o homem diante dela.

Ele vestia um terno, gravata e sapatos bem cuidados.

Ele usava um sorriso descontraído, como se nada fosse páreo para ele.

Num cenário repleto de shorts, biquínis e chinelos, sua aparência destoava a ponto de receber olhares curiosos.

Ele parecia nem notar ou se importar.

Julie ajustou um pouco os óculos, observou o rosto dele por um segundo, e então recostou-se novamente, fechando os olhos.

Seu corpo manteve-se relaxado.

Veydran sorriu ao ver a cena.

“Sinceramente, não esperava isso. Entrei neste universo por causa de outra coisa, e depois… bem, fiquei agradavelmente surpreendido.”

“É mesmo?” disse Julie, com um tom calmo e casual, como se estivessem falando do tempo.

Veydran deu um passo para o lado, ficando perto da sua espreguiçadeira, mas voltando o olhar para o mar.

A água se estendia infinitamente até o horizonte.

As ondas quebravam suavemente ao longe.

“O destino é uma coisa e tanto, não é?” ele disse. “Nunca conseguimos te localizar, não importa o quanto tentamos. E agora, sem nem procurar por você direito, te encontro aqui.”

“O destino sempre foi imprevisível,” respondeu Julie.

Ele riu. “Concordo totalmente com isso.”

Pausa. Então, seu sorriso voltou ao lugar de origem.

“Julie, já que nos encontramos, é melhor você saber que não pode fugir de novo. Me diga onde está a criança, e talvez eu te deixe ir.”

Ela permaneceu relaxada.

“Por que você fala como se tivesse poder de fazer eu responder?”

“Porque eu posso,” respondeu ele sem hesitar.

Ela curvou um pouco os lábios. “Será que é mesmo?”

Veydran a estudou por alguns segundos.

Antes que pudesse falar novamente, uma sombra se juntou a ele na areia, caindo parcialmente sobre a cadeira de Julie.

Ele se virou levemente para ver um homem grande atrás dele.

O recém-chegado ignorou completamente Veydran, avançando até ficar ao lado de Julie.

Na mão, segurava um copo alto, cheio de algo gelado. A condensação escorria pela superfície do copo.

“Aqui,” disse, entregando-o a ela.

Julie abriu os olhos só o suficiente para olhar para o copo. “Trouxe o sabor que pedi?”

“Se estiver errado, tente lembrar o nome na próxima. Já fiz cinco viagens de ida e volta,” ele disse, soltando um suspiro de irritação.

Julie riu baixinho.

Ela pegou a bebida, colocou o canudo entre os lábios e deu um gole devagar, sem sair da posição reclinada.

O olhar de Veydran se voltou totalmente para o homem agora.

Depois, voltou sua atenção para Julie.

“Então, Ultris estava com você. Isso explica sua confiança.”

Julie deu mais um gole, levantando só um pouco o canto da boca em resposta.

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