
Capítulo 684
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
"Hades lhe deu um nome?"
"Não."
O olhar dela caiu.
Será que foi por isso que ele nunca mencionou o casamento até o último momento?
Mesmo assim, ele só falou nisso porque não havia mais tempo.
A ideia doeu.
'Eu deveria ter dito sim.'
Lágrimas voltaram a surgir em seus olhos.
'Por que eu disse que esperaríamos até o próximo Éon?'
O arrependimento era cruel.
Sempre chegava tarde demais.
'Deveria ter dito sim quando ele me pediu no Nono Éon.'
Severant não disse nada.
Ele sabia que "ele" tinha ficado ansioso quando pediu o casamento.
Aquela proposta tinha sido por ela.
Podia ter lhe deixado boas lembranças.
Mas ela recusou, e agora virou uma memória amarga e dolorosa.
Vornaz continuou suas histórias.
A técnica de transferência de talento que "ele" criou nasceu do conhecimento que acumulou de inúmeros lugares, combinado com seu talento natural.
A partir daquele dia, Moraine parou de tentar se suicidar tão cedo.
Ela pediu a Severant que não cortasse suas memórias.
O contrato permitia que ela recusasse, então o demônio saiu.
Vornaz ficou.
Ele a encontrava em cada nova reencarnação.
Às vezes, quando ela estava em lugares difíceis de alcançar, o demônio tinha dificuldade em encontrá-la.
Ele precisava de um contratante para usar todo o poder de sua Autoridade, necessário para localizá-la.
Nesses casos — quando tinha um contratante — ele trazia essa pessoa até ela.
Ela os conhecia, fazia seus pedidos e oferecia conhecimento em troca.
Ia se tornando uma rotina.
Ela começou isso porque Vornaz se recusava a deixá-la passar todos os dias chorando.
Ele chamava isso de terapia.
Ela ainda não conseguia sorrir.
Ainda tinha vontade de morrer.
Mas sabia que, se "ele"visse aquilo, odiaria a si mesmo por isso.
Então tentou.
Ela tentou fazer melhor.
Melhorar.
Não foi fácil.
Haviam dias em que ela ainda pensava em acabar com tudo.
Mas, com o tempo, conseguiu manter-se em movimento.
Encontrou pequenas coisas que ocupariam sua mente, e deixou a presença constante de Vornaz evitar que ela se afundasse demais.
E justo quando a mais tênue sensação de estabilidade começava a enraizar, ele apareceu.
"O que foi que você disse?"
Os olhos de Moraine se estreitaram.
Ela fixou o olhar no homem à sua frente.
Depois, virou o olhar para Vornaz.
A coruja parecia incomodada.
O demônio encarava seu contratante como se quisesse queimar o contrato ali mesmo.
Se soubesse que seu parceiro atual era o Demônio do Éon Dez, nunca teria trazido ele até ali.
O homem tinha acabado de assinar com Vornaz há uma semana.
E tinha exigido que Vornaz o levasse até ela.
"Estou dizendo, me ajude, e em troca, ajudarei você a reviver a Morte Sem Nome."
As palavras eram como a tentação de um demônio.
Eram exatamente o que ela queria ouvir.
Mas ela não se moveu.
Sabia que era melhor não agarrar esperança falsa.
Sabia que era impossível trazê-lo de volta.
"…Como você sabe dele?"
O homem na sua frente não era um demônio. Não era uma Maga usando magia de transformação.
Ele não teria estado presente no Éon anterior.
Não deveria saber sobre 'ele' que viveu no Oitavo Éon.
"Eu tenho meus métodos. Ah, esqueci de me apresentar. Você já sabe meu nome. Daniel Caelum. Mas acho que também devo apresentar minha principal identidade…"
Ele sorriu, como se estivesse gostando da reação dela antes mesmo de ela acontecer.
"Sou o Demônio do Décimo Éon, Ouroboros."
"Saia."
A voz de Moraine foi fria.
Ela não se importava se ele era um Demônio ou não.
Vornaz, porém, congelou.
Ele não sabia que o contratante que o abordara era o Demônio do Éon atual.
"Pelo menos me escute," disse Ouroboros.
"Eu disse para sair—"
"E se eu realmente souber uma maneira de revivê-lo?"
Ela parou.
As palavras cortaram sua raiva.
Moraine olhou para ele por um longo momento antes de perguntar: "Como?"
"Vamos retroceder o tempo até o começo do Nono Éon."
"Isso é impossível."
Ele riu.
"Não com o meu plano. Você só precisa concordar em se juntar a mim."
Ela hesitou antes de responder.
"Moraine, não caia nessa!" a voz de Vornaz foi firme.
Ela ignorou.
"…O que eu preciso fazer?"
Ouroboros sorriu ainda mais.
"Ajude-me a matar Hades."
"….!"
"Acho que você fica surpresa. A maioria ficaria. Ele é considerado o mais forte. Uma existência invencível. Sobreviveu ao fim de Éons. Mas você sabe…"
Ela franziu o rosto.
"Sabe o quê?"
"Sabe qual é o sonho dele?"
Moraine balançou a cabeça.
Ela sabia que Hades tinha um objetivo.
Mas os detalhes? Ninguém os conhecia.
Ele guardava seus segredos a sete chaves.
"Pense bem. Que tipo de objetivo levaria Hades a criar um Demônio?"
"…."
"Você consegue descobrir, não é? Ele quer acabar com o Cosmo."
"Isso é impossível," ela respondeu secamente. "O Cosmo será reanimado, assim como Bruxas e Demônios."
"E é por isso que Hades fracassou até agora. Mas ele é imortal. É só uma questão de tempo até encontrar uma forma de torná-lo permanente."
Moraine não ficou surpresa.
Hades, que viveu tanto quanto as Bruxas e Demônios, talvez estivesse cansado.
Talvez quisesse acabar com tudo.
Ela podia entender esse tipo de exaustão.
"Vocês Demônios, Bruxas, até Hades. Podem estar cansados de viver," disse Ouroboros. "Mas o direito de viver é de cada um. Hades não deveria poder matar todos só porque está pronto para partir. Por isso, tenho que matá-lo. Me ajude, e eu ajudarei você em troca."
Moraine pensou sobre isso.
E então percebeu…
Que ela não se importava se Hades viveria ou morreria.
"…Como posso saber se você está mentindo?"
"Moraine!" gritou Vornaz, mas ela não olhou para ele.
"Venha comigo. Vou te mostrar provas," disse Ouroboros.
Ela observou-o por alguns segundos.
Depois, lentamente, assentiu.
Pela primeira vez em muito tempo, uma esperança voltou a nascer no seu peito.