Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 674

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Ele se sentou ao lado dela, segurou sua mão e, pela primeira vez desde que a conhecia, chorou.

Lágrimas amargas escorriam por seu rosto enquanto seus ombros tremiam silenciosamente com soluços.

Ela olhou para ele, tentando levantar a mão para acariciar sua face, mas mal tinha forças para isso.

Percebendo sua dificuldade, ele se inclinou, e ela delicadamente apagou suas lágrimas com as costas de seus dedos trêmulos.

A palma de sua mão repousou na bochecha dele.

"Não chore."

Ele não conseguiu responder.

Tudo o que pôde fazer foi apertar sua mão com mais força.

"Você me fez sorrir por todos esses anos. Não consegue fazê-lo mais uma vez?"

Seu queixo travou. Seus olhos se fecharam firmemente enquanto ele balançava a cabeça.

“…Por favor… não morra…."

Depois que ela se foi, não dava para saber onde — e quando — ela reencarnaria.

As chances de encontrá-la novamente seriam infinitamente pequenas.

Talvez esse fosse realmente o último momento deles juntos.

E mesmo enquanto ele chorava, ela sentia um calor no peito.

Ele se importava com ela a ponto de chorar por ela, mesmo sempre tentando parecer mais forte do que realmente era.

"…Essa talvez tenha sido minha vida mais feliz."

Ele congelou. Seus olhos se arregalaram ao olhar para ela.

"…O quê?"

Ela sorriu suavemente.

Embora não tivesse a intenção de dizer aquelas palavras em voz alta, ela não se arrependeu.

"Nunca te contei sobre meu passado, né?" ela perguntou calmamente. Sua voz estava rouca, mas firme. "Nunca consegui me encaixar entre as bruxas. Meu talento era tão ruim que nunca consegui despertar, e minha [Autoridade] era fraca. Para elas, eu não passava de uma mancha no nome das Bruxas."

Ele a olhava, incapaz de dizer qualquer coisa.

As lágrimas continuavam a correr.

"Eu também não tinha lugar entre os mortais", ela continuou, passando o polegar pela face dele. "Como bruxa, me temiam. Como uma fraca, as bruxas me ignoravam. Eu não pertencia a lugar algum."

Ele segurou sua mão com mais força.

"Eu me sentia incrivelmente sozinha."

Ela podia sentir o quanto ele lutava para segurar tudo ali dentro.

"Acho… talvez por isso que eu comecei a criar a taberna. Pensei que, se eu fizesse um lugar onde as pessoas chegassem e fossem embora, isso preencheria o vazio no meu coração."

A mão dela estava úmida com as lágrimas dele.

Ela sempre odiou morrer.

Não porque temesse a morte, mas por causa da incerteza que vinha depois.

Que tipo de vida ela teria ao nascer na próxima encarnação?

Seria abandonada pelos pais? Sofreria uma doença? Seria descoberta e executada como bruxa?

Porém, desta vez, era diferente.

Desta vez, ela odiava morrer porque não queria largar o que tinha agora.

"Você preencheu o vazio no meu peito", ela disse, forçando o sorriso mais radiante que conseguiu.

A pele dela parecia enrugar, a voz estava rasgada, mas ela ainda queria ser bela aos olhos dele.

Ela torcia para que ele se lembrasse dela assim. Como uma luz maravilhosa, não uma figura triste.

"Eu também… ficava feliz com você", ele disse entre lágrimas.

Sua voz ficou mais firme e determinada.

"Então, na próxima… vamos abrir uma padaria juntas. Você gosta do meu jeito de cozinhar, né? Vou fazer doces para você. Então, Moraine, espere—"


Moraine abriu os olhos.

"Era aquele sonho de novo", ela murmurou.

Era o último momento de sua vida anterior.

Ela se perguntava o que ele ia dizer antes que tudo escurecesse.

Embora, na verdade, ela já tivesse uma boa ideia.

Ela sorriu, depois suspirou.

Era impossível.

De jeito nenhum ele conseguiria encontrá-la na reencarnação.

Nem mesmo sabia quanto tempo tinha passado desde sua morte, ou em que mundo exatamente ela agora estaria.

E provavelmente, ao perceber isso, ele já a tinha esquecido e seguiu em frente.

Uma parte egoísta dela desejava que não fosse assim.

Mesmo que, se ele a lembrasse, lutaria para encontrá-la, ela ainda torcia para que ele não a tivesse esquecido.

"Ele sempre foi tão dependente de mim", ela sussurrou, cruzando as mãos sobre o peito. "Mas… acho que agora, ele já deve ter crescido. Décadas, talvez séculos tenham passado. Ele deve ter seguido em frente."

Ela sorriu, mas havia melancolia nela.

Uma voz chamou do corredor.

"Senhorita, você está acordada?"

Era sua criada particular.

Moraine se sentou.

Ela tinha reencarnado em uma família nobre menor, em um mundo feudal.

Não havia sinais de poderes despertos aqui.

Pelo menos, entre os plebeus ou nobreza menor.

Talvez a família real tivesse esse tipo de força, mas Moraine não tinha visto provas disso.

Ela era a quinta filha de sua casa. Sua autoridade mal passava de uma camada acima dos camponeses.

Depois de se vestir, saiu acompanhada de sua criada.

"Senhorita, hoje é o dia que você deve escolher seu cavaleiro pessoal. Alguns mercenários vieram se candidatar. Você precisa escolher um", lembrou a criada.

Moraine assentiu.

Normalmente, o cavaleiro pessoal seria escolhido entre os cavaleiros treinados da família.

Essas pessoas eram leais, disciplinadas e criadas com os valores da casa.

Mas ela não era importante o bastante para isso.

Por isso, estavam deixando ela escolher entre os mercenários bárbaros.

Mesmo assim, nada de novo.

Ela já estava acostumada a ser ignorada.

Enquanto caminhavam pelo corredor em direção ao campo de treinamento, o ruído de uma pequena multidão chegou até eles.

Quando chegaram lá, viram outros membros da família e funcionários assistindo de lado.

"Quem é ele?"

"Derrotou todos os mercenários tão facilmente."

"Você viu ele lutar? Piscando, acabou tudo."

"O que está acontecendo?" Moraine perguntou, estreitando os olhos.

Sua criada parecia tão surpresa quanto ela. "Parece que um dos mercenários derrotou todos os outros…"

"Já?" Moraine franziu o cenho. "A seleção não deveria começar só depois que chegamos?"

Ela se aproximou, com a curiosidade crescendo.

Foi então que ela o viu.

Congelou.

Tudo ao redor dela — as vozes, os sussurros, o vento — tudo ficou em segundo plano.

O homem estava no meio do campo de treinamento, calmo e controlado.

Seu cabelo preto.

Seus olhos vermelhos como sangue.

Seu sorriso.

“…Como?”

Seu rosto tinha uma cicatriz, mas, fora isso, parecia o mesmo da última vez.

Ele a viu então.

E quando seus olhares se cruzaram, seu sorriso se abriu um pouco mais.

Ele deu um passo à frente.

"Minha senhorita", disse, abaixando-se. "Derrotei os outros mercenários e provei minha força. Se possível, gostaria de servir como seu cavaleiro pessoal."

A criada ao lado de Moraine piscou, atônita. "Espera um momento. Ainda nem começamos o teste—"

"Ele foi aceito", interrompeu Moraine.

A criada se virou para ela, chocada. "Mas, senhorita—"

"Você me ouviu. Desde hoje, ele é meu cavaleiro."

Sua voz não deixou espaço para discussão.

Ele ficou ali, sorrindo para ela novamente.

E, embora o coração dela estivesse acelerado, ela fez questão de manter uma expressão calma.

As formalidades seguintes eram cansativas.

Designar um cavaleiro pessoal envolvia uma pilha de papeis e protocolos.

Haviam formulários para assinar, permissões para carimbar, nomes para registrar.

O mordomo da casa insistiu em verificar o passado do mercenário, mas Moraine cortou as perguntas rapidamente.

Ela não tinha paciência para os procedimentos naquele dia.

Até o entardecer, tudo foi resolvido.

Ele foi oficialmente seu cavaleiro pessoal.

Quando entraram em seu quarto, ela fechou a porta silenciosamente atrás deles.

Então, seus ombros começaram a tremer.

"Minha Senhora?" ele perguntou.

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