
Capítulo 676
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Normalmente, ele voltava para ela dentro de um ano, no máximo cinco.
Mas já tinham se passado cinco anos. Depois, seis. Depois, sete.
E agora, oito.
Moraine sentou-se silenciosamente à sua mesa, olhando para o metal opaco da faca na sua mão.
Ela vinha preparando ingredientes para a padaria que abriu nesta vida.
Mas ele nunca entrou pela porta.
Seus pensamentos se enroscavam.
“Será que ele cansou de mim?”
Pensamentos sombrios rastejavam na sua mente, um após o outro.
“Será que ele me deixou… porque eu nunca o deixei se aproximar?”
“Será que ele achou outra pessoa?”
A respiração dela ficou gelada.
O peito dela se apertou.
Seu coração, que suportara a solidão de oito eras, parecia estar sendo esmagado logo após oito anos sem ele.
Talvez… ela tivera sido dura demais.
Ela deveria ter ligado a alma dele à dela e garantido que ele não sentiria nada por ninguém além dela.
Ou talvez, ela deveria ter gravado uma Runas no corpo dele. Uma que fizesse com que ele pudesse tocar apenas nela.
Mas ela não fez nada disso.
Ela dizia a si mesma que era porque o respeitava.
Porque o amor precisava ser verdadeiro, e não forçado.
Agora, ela se sentia uma tola.
Cada dia sem ele era pior que o anterior.
O vazio dentro dela só crescia.
Ele a consumia como um parasita.
Mesmo na escuridão que crescia, uma esperança tênue ardia em sua mente.
“Talvez… talvez eu tenha reencarnado no passado.”
Era a única teoria que fazia sentido.
Em todos os ciclos até então, ela sempre tinha ido para frente.
Uma vida após a outra, cada vez mais à frente no tempo.
Mas talvez… talvez sua sorte finalmente tivesse acabado.
Talvez, desta vez, o destino tivesse mudado de direção.
Moraine olhou para a faca nas mãos.
A lâmina refletia seus olhos cansados e vazios.
Seus dedos apertaram a empunhadura.
Mas ela não se moveu.
“Não, não posso me matar.”
Sempre lhe dissera para valorizar a vida.
Ela não podia trair esses ensinamentos.
Mesmo que ela acabasse com sua vida, não havia garantia de que reencarnaria no futuro.
Talvez ela voltasse ainda mais para trás.
Então, ela esperou.
Mais dois anos se passaram.
Dois anos longos e terríveis de dúvidas se ele ainda estaria vivo. Se ainda a lembrava. Se realmente escolhera seguir por um caminho diferente.
Eventualmente, ela não aguentou mais.
Engoliu seu orgulho e fez aquilo que jurara nunca fazer.
Desenhou uma Runas no chão.
Era uma formação simples na natureza, alimentada pela mana ambiente coletada do ar.
Alguém como ela — não despertada — não podia usar Feitiços complexos. Mas Feitiços simples assim eram diferentes.
Podiam ser utilizados através de Runas.
Ela se ajoelhou no centro da Runas, colocou a mão na última linha e a ativou.
Sua consciência foi arrancada do corpo.
Ao abrir os olhos, ela estava em um lugar fora do tempo.
Ao seu redor, havia um turbilhão de relógios dourados e fios verdes.
À sua frente, estava Vivienne, a Bruxa do Tempo.
“A mais jovem?” Vivienne piscou, surpresa. “Você realmente usou a magia que te dei?”
Moraine parecia envergonhada.
Aquela expressão dela provocou um sorriso irônico no rosto de Vivienne.
Vivienne sabia o quanto Moraine era orgulhosa.
Moraine odiava as bruxas que a olhavam de cima, mas agora ela estava aos seus pés, implorando por ajuda.
E isso agradou Vivienne, de uma forma cruel.
“O que foi? Por que rastejou até mim?” A voz de Vivienne era suave, mas carregada de veneno.
Moraine respirou fundo.
Ela explicou tudo a Vivienne.
O sorriso de Vivienne desapareceu à medida que a ouvia.
“O que?”
“Por favor. Só preciso encontrá-lo.”
A mudança na aura de Vivienne foi instantânea. A calma diversão sumiu, dando lugar a uma ira fria e pesada.
“Você… quer que eu te envie para um tempo onde possa encontrar esse… homem?”
“Sim, irmã mais nova.”
Como Bruxa do Tempo, o poder de Vivienne sobre o tempo permitia que ela controlasse de acordo com sua vontade.
Ela poderia enviar Moraine para o futuro ou para o presente, como desejasse.
“A mais nova, você perdeu a cabeça!? Quantas vezes te avisei!? Quantas vezes todos nós te dissemos para não se apaixonar por alguém?! E agora está aqui… me implorando para ajudar você a fazer isso?”
Moraine manteve-se firme, mesmo com o peso da presença de Vivienne começando a pressionar sobre ela.
Sua consciência tremia sob a força, ameaçando se despedaçar.
Mas ela não baixou o olhar.
Olhou nos olhos de Vivienne, como se ordenasse que ela ajudasse.
“Ainda não desistiu…? Você o ama tanto que enfrentaria até eu por ele?”
“Sim.”
“Você acha mesmo que esse homem vale a pena?”
“Sim.”
“Você é uma tola,” Vivienne cuspiu. “Acha que ele te olhará só por você para sempre? Vai levar alguns séculos, e ele vai seguir em frente. Vai achar alguém melhor.”
“Ele não vai.”
As respostas de Moraine enfureceram Vivienne.
“Mesmo que ele não te deixe, ele vai morrer um dia!”
“Ele tem o Sangue de Hades. É imortal.”
Vivienne apertou os punhos.
“Você não está pensando nas nossas irmãs. Naquelas que amaram alguém e depois perderam. Você lembra o que aconteceu com elas? Ficaram loucas. Procuraram por algo — qualquer coisa — para preencher o vazio. E algumas delas...”
Seu olhar escureceu.
“Algumas delas roubariam seu amor só para sentir algo de novo.”
A respiração de Moraine ficou presa na garganta.
“Elas vão tirá-lo de você. Uma fará por mágoa. Outras, por solidão. Você sabe disso. Já viu antes.”
“…Não me importo. Enfrentarei elas e o protegerei.”
Vivienne a observou.
“Você vai se destruir. Acontece toda vez! Por que acha que será diferente das nossas irmãs?”
“Prefiro ser destruída do que viver sem ele.”
Um silêncio longo caiu entre elas.
Finalmente, Moraine deu um passo à frente, a voz tremendo.
“Irmã, por favor. Deixe-me—”
“Não.”
A palavra cortou como uma faca.
Vivienne levantou a mão e estalou os dedos.
“E não ouse procurar por mim novamente. Não quero te ver destruída como as outras.”
A consciência de Moraine foi forçada de volta ao seu corpo.
Quando acordou, ela não se moveu.
Vivienne recusara a ajudá-la.
Ela não podia ir encontrá-lo.
Os dias que se seguiram foram piores do que qualquer coisa que ela já tivesse suportado.
Mais de uma vez, ela se pegou olhando para aquela mesma faca.
Se ao menos acabar com sua vida a enviaria ao futuro onde ele estava.
Essa era a única ideia que conseguia pensar.
Mas ela não podia se matar.
Ela não sabia como iria encará-lo depois.
Como olhar nos olhos dele depois de descartar tudo que uma vez lhe ensinou sobre vida e morte.
E, ainda assim…
Os pensamentos sombrios nunca cessaram.
E se isso não fosse o passado?
Se ela não tivesse ido para trás?
Se esse momento — essa vida solitária e vazia — fosse o futuro?
E o motivo de ele não ter vindo…
Era porque ele tinha encontrado outra pessoa?
O peso disso a esmagava.
Todo dia era mais difícil que o anterior. Toda manhã, ela acordava na esperança de que fosse naquele dia que ele viria buscá-la.
E toda noite, ela adormecia se sentindo vazia.
Ela queria encontrá-lo mais do que tudo.
Mas, ao mesmo tempo…
Ela tinha medo de que, se o fizesse, não sobrevivesse ao que encontrasse.