Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 669

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Ele estava nu e tremendo.

Seus olhos piscavam rapidamente, tentando entender o que via.

A mente dele estava nebulosa, cheia de fragmentos de algo que ele não conseguia compreender completamente.

O ar ao redor era frio, e o lugar, escuro.

Isso o angustiava.

Passos ecoaram.

O menino virou-se na direção do som.

Um homem alto saiu das sombras.

Ele entrou na luz que emanava do brilho fraco do cubo que começava a se apagar.

Ele tinha cabelos negros longos, olhos de um vermelho profundo, dois chifres levemente curvados na testa e um rosto que tinha uma semelhança assustadora com a do menino.

"Fique de pé."

Ele jogou algo aos pés do garoto.

Uma espada.

Ela fez barulho ao cair no chão, o metal ecoando contra a pedra.

O som assustou a criança, que não entendia o que estava acontecendo.

"Levante-se e pegue a espada."

O menino não se moveu.

Suas pernas tremiam, seus braços se mexeram, mas ele permaneceu agachado, assustado demais para agir.

Então vieram os sussurros.

"Por que ele não responde?"

"Será que tem algo errado com a Ventrícula do Demônio? Ele já deveria ter algum conhecimento."

"Ele parece perdido. Mais uma falha?"

Os olhos do menino se arregalaram.

Ele olhou ao redor.

A sua visão se ajustou.

Na escuridão que cercava a câmara, ele viu figuras de jalecos brancos.

Eles estavam de pé nas paredes, com pranchetas na mão, anotando tudo que ele fazia ou como reagia.

Ele os encarou, confuso e assustado.

Começou a respirar ofegante.

"Pare de ficar olhando ao redor."

A voz fria cortou sua mente como uma lâmina.

Seus olhos voltaram rapidamente para o homem à sua frente.

O rosto do homem não demonstrava expressão alguma, mas algo no olhar dele fez o estômago do menino revirar.

Ele tinha certeza de que o homem começava a se irritar.

Tremeroso, ele se moveu.

Cada movimento parecia errado. Seus membros estavam rígidos, como se não lhe pertencessem. Mas ele se esforçou para se mover.

Sentia a presença do homem o tempo todo.

Uma voz profunda dentro dele o alertava: se não atendesse às expectativas, algo ruim aconteceria.

Então, com dedos trêmulos, ele pegou a espada.

Ele se esforçou para se levantar.

O peito dele subia mais rápido, e sua respiração ficou descompassada.

A lâmina parecia fria e pesada em suas mãos.

"Ataque-me com sua melhor técnica."

O menino piscou surpreso.

Mesmo assim, segurou a espada com ambas as mãos.

Fez uma respiração trêmula, tentando entender aquela arma estranha que segurava.

Devagar, quase que inconscientemente, seus instintos começaram a despertar.

Algo dentro dele mudou.

Ele começou a entender o equilíbrio da arma, seu peso, como balançá-la.

Mas não atacou de imediato.

Sabia que um movimento normal não impressionaria o homem.

Precisava de algo melhor.

A energia ao redor dele se concentrou.

Relâmpagos vermelhos piscaram ao redor da lâmina.

Gritos de surpresa saíram dos jalecos brancos, mas o menino não notou.

Ele estava totalmente concentrado na arma e no que seus instintos lhe mandavam fazer.

Levou a espada para cima e cortou com toda força que conseguiu.

Um relâmpago explodiu à sua frente.

Ele avançou com um zumbido feroz na direção do homem de chifres.

A energia caótica crepitava no ar.

Mas, bem na hora de tocá-lo, a energia foi dispersada pelo aura do homem.

O menino ofegava, apertando ainda mais a espada.

Ele ouviu as vozes novamente.

"Isso foi quase uma técnica de mestre na magia da Morte."

"Ele foi criado há apenas alguns momentos… e já está assim?"

"Hahaha! Conseguimos criar um Demônio Artificial!"

"Ele herdou o sangue do Soberano. É mais forte do que imaginávamos."

O menino ficou parado, sem saber o que fazer a seguir.

Porém, ao ouvir essas palavras, sentiu algo despertar dentro de si. Uma sensação de calor.

Não entendia bem o que significava 'Soberano', mas presumiu que fosse o homem na frente dele.

O reconhecimento na voz o fez endireitar-se um pouco.

Embora o medo ainda existisse, ele parecia ter ficado um pouco mais fraco.

Talvez ele tivesse feito um bom trabalho.

O Soberano respirou fundo e soltou um suspiro alto.

"É uma falha," disse ele.

As palavras o atingiram com força, quase sem ar.

Silêncio tomou conta da sala.

As vozes cessaram.

Até mesmo os que estavam de jaleco pareciam confusos, trocando olhares entre si.

"Este é o melhor resultado que conseguimos com a Ventrícula do Demônio," continuou o Soberano. "Mas, no final… ele é patético. Não deveria esperar algo melhor de uma ferramenta que me foi concedida pela vergonha das Bruxas."

O coração do menino afundou.

Os que estavam de jaleco hesitaram.

Alguns olhavam para o menino, outros para o homem.

Expressões de confusão e incredulidade misturaram-se em seus rostos.

Finalmente, um deles falou, com voz baixa:

"Mas, Soberano… seu talento é claramente—"

O homem virou-se ligeiramente, com os olhos brilhando.

"Esse nível de talento é inútil. Não precisamos de poder. Precisamos de um milagre. E essa… criatura não é."

Depois disso, o ambiente ficou ainda mais frio.

Os jalecos brancos pararam de falar.

Um por um, eles baixaram a cabeça.

Ninguém mais defendeu o menino.

Todos compreenderam que o Soberano tinha razão.

"A partir de agora, encerramos as experiências na Ventrícula do Demônio."

O Soberano virou-se e foi embora.

O garoto ficou ali, espada na mão, ainda levemente tremendo.

Os ecos dos passos do Soberano foram se dissipando, mas o silêncio que se instaurou era ainda mais pesado.

Um por um, os jalecos brancos começaram a sair.

Não disseram mais nada.

Nem olharam de novo para o garoto.

Simplesmente foram embora silenciosamente, com as pranchetas firmemente apertadas nas mãos.

Eventualmente, o ambiente ficou vazio.

O menino permaneceu ali, sem saber o que fazer.

Não sabia se deveria esperar alguém ou se tinha sido abandonado.

Horas se passaram, talvez dias.

Ele não conseguia distinguir.

Sem ter o que fazer, tentou usar o conhecimento que tinha na cabeça.

Formatou um tecido escuro ao redor do corpo, usando técnicas simples de tricô.

Suas mãos eram desajeitadas, mas conseguiu se cobrir.

O tecido mágico parecia áspero, mas era melhor do que o ar frio.

Continuou praticando com a espada.

Era a única coisa que sabia fazer bem.

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