
Capítulo 668
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Neo olhou fixamente para ele por alguns segundos.
Sua expressão permaneceu sem mudar.
Finalmente, ele deu uma pequena assentida.
— Tudo bem.
Ele realmente queria recuperar suas memórias. Por isso, aquilo já valia a pena.
Kevin olhou para o navio da Aliança que ainda flutuava acima deles.
— Volto já. Só espere aqui.
Ele voou para cima, desaparecendo no interior da nave com uma rajada de vento forte.
Dentro da nave, o caos aos poucos foi se acalmando.
Neo podia percebê-lo.
Kevin estava conversando com eles, provavelmente oferecendo algum tipo de palavra de conforto.
Pelando pelo quão tranquilo tudo parecia, parecia que Kevin tinha garantido a eles que seria ele quem cuidaria do Morto Sem Nome pessoalmente.
Alguns minutos depois, Kevin voltou à superfície do planeta.
Ele se aproximou de Neo e, então, puxou do bolso espacial uma nave grande, elegante e reluzente.
Ela cintilava ao sol, o metal polido refletindo o céu rachado, e tinha o tamanho de um estádio.
— Entre — disse Kevin.
Neo levantou uma sobrancelha ao olhar para a nave.
— Por que não usamos Teletransportadores? Não seria mais rápido?
Kevin não respondeu de imediato.
Ele se sentou na cabine de controle e ligou o motor.
— Muitas regiões do espaço têm turbulência espacial. Lá os portais não funcionam. A única opção são as naves.
Neo assentiu, entendendo o motivo.
— E, além disso, — acrescentou Kevin, — eu prefiro viajar de nave do que usar portais.
Neo soltou uma risadinha leve, apesar da situação.
Isso parecia mais a verdadeira razão.
Eles voaram por horas.
Depois, horas se transformaram em dias.
A nave ia incrivelmente rápido, mais veloz do que qualquer coisa que Neo já tinha experimentado.
No quarto dia, Neo inclinou-se para frente e perguntou: "Quão rápido essa coisa realmente está indo?"
Kevin não olhou para cima, só controlava os comandos.
— Mais rápido que um Deus no pico do Estágio 6.
— Espere. Quer dizer que isso aqui é mais rápido que um Deus usando toda a força?
— Sim. A gente consegue criar tecnologia que supera os próprios Deuses. Só que é caro, instável e difícil de achar. Por isso, não se vê muita coisa assim por aí.
Neo recostou-se, surpreso.
Depois de uma semana de viagem, a nave começou a desacelerar.
À frente, um planeta enorme apareceu na visão, completamente coberto por densas florestas verdes.
Desceram lentamente através de camadas de névoa branca até pousar em uma área limpa perto de um castelo.
Neo saiu e inspecionou o ambiente ao redor.
Não havia animais, insetos ou pessoas, só árvores infinitas.
Porém, a coisa mais estranha era a sensação no ar.
Ele podia sentir o poder do Tempo ao seu redor. Era… bastante denso.
Neo franziu a testa.
Os elementais do tempo na área eram normais.
Mas o planeta em si pulsava com a energia do tempo.
Isso não fazia sentido.
Ou seus sentidos estavam sendo entorpecidos por algum feitiço, ou esse planeta era realmente único.
Eles seguiram até o castelo, que era enorme, feito de pedra pálida e com runas brilhantes entrelaçadas na superfície.
Ao entrarem, dois gigantescos guardas de gárgula se curvaram silenciosamente para Kevin e Neo.
Neo ficou observando ao redor enquanto caminhavam pelos corredores.
— Você está bem calmo para alguém entrando num castelo cheio de incógnitas, — disse Kevin.
Neo apenas deu de ombros.
Finalmente, chegaram a um pavilhão no jardim, bem no fundo do castelo. Era simples, mas elegante.
No centro, uma mulher sentava sozinha a uma mesa branca, tomando chá.
Ela levantou o rosto ao perceber a aproximação deles.
Seu visual era refinado. As roupas eram graciosas e nobres. O rosto tinha uma beleza serena, quase algo que fazia as pessoas pararem sem perceber.
Neo ficou observando por um momento.
Ela era bastante bonita, só ficando atrás de Elizabeth.
Ela se virou para Kevin com um sorriso gentil.
— Finalmente voltou—
Sua fala parou quando ela notou Neo. O sorriso sumiu. Seus olhos se estreitaram.
— Sem Nome?
A tonalidade dela mudou instantaneamente. Sua voz ficou fria e distante. Seus olhos ficaram cinzentos opacos enquanto ela se levantava.
Ela olhou para Kevin.
— Por que você trouxe ele aqui?
— Ele precisa da sua ajuda para recuperar as memórias de sua primeira vida — explicou Kevin.
Ela não pareceu satisfeita.
Kevin soltou um suspiro silencioso.
Antes que ela pudesse protestar, Kevin fez um gesto para Neo.
— Este é Neo. Ou, Sem Nome da Morte, se preferir chamar pelo nome que conhece.
Depois, virou-se para Neo.
— Neo, conheça Vivienne. A Feiticeira do Tempo.
Neo assentiu minimamente.
Vivienne não retribuiu o gesto.
— Não vou ajudar ele — ela disse com firmeza.
— Vivienne…
Kevin se aproximou mais dela.
Ela virou a cabeça para o lado, evitando o olhar dele.
Ele segurou suas mãos nas dele e a olhou fixamente.
Ela continuava ignorando, mas sob o olhar penetrante dele, seus ombros ficaram firmes.
Ela fechou os olhos, murmurando algo inaudível.
—… Tudo bem — ela finalmente falou. — Mas farei isso só se você me der uma boa razão para isso.
— Se você ajudar ele, poderá se vingar — disse Kevin.
Vivienne hesitou.
Seus olhos se arregalaram um pouco, e ela olhou novamente para Neo.
— …Se ele se lembrar de tudo, então…
Ela não terminou a frase.
Ela se dirigiu a um banco próximo e fez sinal para Neo se sentar.
Neo permaneceu em silêncio a todo momento.
Ele se moveu sem dizer palavra e se sentou.
Vivienne ficou ao lado dele, colocando a mão em sua testa.
Neo assentiu.
Uma luz tênue envolveu sua cabeça. Sua visão ficou turva. Então, tudo escureceu.
Ele perdeu a consciência.
…
Sala do Soberano, 9º Éon
Uma câmara sombria se estendia em silêncio.
No centro, um cubo de prata flutuava no ar, emitindo uma luz branda.
A luz que emanava dele não era forte, mas suficiente para revelar o chão de pedra abaixo de si e projetar sombras longas nas paredes.
O cubo pulsava lentamente, liberando uma energia que parecia tanto caótica quanto refinada.
Então, ele caiu.
O cubo atingiu o chão e, na fração de segundo seguinte, a superfície se quebrou e se moveu.
De sua casca rachada, uma pequena figura emergiu.
Uma criança, respirando com esforço, jazia no chão.
Ele tinha cabelo preto e olhos vermelhos como sangue.
Seu corpo era pequeno e frágil, parecendo ter uns treze anos.