
Capítulo 633
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
A respiração de Leonora era calma e regular.
A Morte Sem Nome permaneceu em silêncio por alguns momentos, observando-a.
"Acorde", ele disse. "Sei que você não está dormindo."
Leonora não reagiu.
Ela jazia sob a sombra da árvore de folhas prateadas, encolhida, com o rosto parcialmente de costas.
A Morte Sem Nome bateu a língua com desdém.
A razão de tê-la trazido para sua sombra era simples.
'Se Berserker não me conta como acessar meu Cosmos', pensou, 'então só preciso perguntar a mais alguém.'
Leonora continuou sua pequena encenação. Sua respiração permanecia ritmada. Sua presença permanecia passiva.
"Se você continuar assim, vou agarrar sua cabeça e usar controle mental para fazer você contatar sua mãe", ele disse de maneira direta.
Ainda sem se mover.
Ele deu um passo adiante.
No instante seguinte, água explodiu na sua frente.
Um jato denso, sob alta pressão, de líquido giratório surgiu de sua palma, afiado como lâminas e duas vezes mais rápido.
Ele rasgou o ar como se pudesse dividir o mundo ao meio. Bateu nele—
E se dispersou inofensivamente assim que tocou nele.
Leonora pulou para trás, com os olhos ferozes.
"Fica longe de mim!"
Ela não esperou por uma resposta.
Um flash de luz azul surgiu atrás dela.
O lago ondulou, o ar engrossou, e então a água se projetou para cima enquanto uma forma gigantesca emergia.
Uma baleia enorme, feita inteiramente de mana de água compactada.
Um Espírito da Água.
Seus olhos brilhavam em safira profunda enquanto pairava de forma inatural acima da superfície do lago.
Leonora levantou ambas as mãos. A baleia avançou.
A criatura abriu a boca e soltou um rugido ensurdecedor enquanto uma rajada de mana de água condensada disparava, atingindo Nameless Death como uma cachoeira de lanças.
Mais uma vez, nada aconteceu.
A Morte Sem Nome exalou pelo nariz e olhou para a baleia.
"Podemos conversar agora? Não vou te machucar."
O fôlego de Leonora estava pesado, mas suas mãos não abaixaram.
"Fica longe!" ela gritou. "Você me trouxe aqui pra falar com a Suprema da Água, né? Você quer formar um contrato com ela! Eu não vou ter filhos com ninguém!"
A boca de Nameless Death curled.
"Eu também não planejo fazer isso."
Ela piscou, surpresa com a resposta.
"Eu só te trouxe aqui pra conversar", ele acrescentou. "Se tiver outro jeito, gostaria de encontrá-lo."
Leonora bufou, ainda mantendo distância.
"A Suprema da Água já disse que não aceita mais nada. Por que você acha que consegue negociar?"
A Morte Sem Nome permaneceu em silêncio, simplesmente a encarando.
A expressão dela se distorceu. Ela puxou uma espada da própria mana, estreita, com uma lâmina azul prateada, e apontou-a para ele.
"Não chegue mais perto", ela avisou. Suas mãos tremiam. "Se você der um passo, eu me mato."
"Qual é o seu problema?" ele disse, exasperado. "Ainda nem fiz nada."
Leonora não respondeu.
Ele suspirou. "Olha. Planejo dar acesso ao meu Caminho direto para a Suprema da Água e seu povo. Não há necessidade de você e eu termos filhos."
"Não importa o que diga", ela começou, "a Suprema da Água não vai—"
Ela parou.
"O que você disse?"
"Verei ela de forma direta, acessando meu Caminho."
Leonora olhou para ele como se ele tivesse crescido uma cabeça extra.
Ela abaixou levemente a espada.
"Você está sério?"
"Sim."
"…O que você está planejando? Antes você recusou, mas agora quer dar o acesso ao Caminho para ela?"
"Planejar? Eu? Não estou planejando nada."
A Morte Sem Nome lhe sorriu inocentemente.
Seu olhar se estreitou. Aquele sorriso já era suficiente para confirmar o contrário.
"Você com certeza está planejando alguma coisa."
Elas ficaram em silêncio, encarando uma à outra por um longo tempo.
Finalmente, a Morte Sem Nome voltou a falar.
"Basta chamar a Suprema da Água", disse ele. "Ou eu te forçarei a fazê-lo."
A expressão dela se alterou.
Ela sabia que ele tinha razão. Ele poderia, com certeza, forçá-la a fazer isso.
Ela também sabia que ele tinha mostrado muito mais paciência do que o necessário. Dada a diferença de força entre eles, ela tinha sorte de ele não ter feito exatamente isso desde o começo.
Ela resmungou algo sob sua respiração.
Depois perguntou, quase tímida: "Você realmente não vai tentar nada? Nada... de filhos?"
"Não", respondeu Nameless Death, firme.
Ela assentiu, quase aliviada. "Ok. Confio em você."
Ela fechou os olhos.
Um suave encantamento saiu de seus lábios. Sua voz estava firme, embora sua postura permanecesse tensa.
A Morte Sem Nome observava ao lado, atento.
'Ela fez o mesmo na última vez. Deve ser assim que entra em contato com uma Suprema. Será que eu também posso invocar a Suprema das Trevas assim, se tentar?'
Depois de tudo, ela era sua Pessoa Amada.
Parte dele acreditava que daria certo.
Mas outra parte—o instinto aprimorado por cada batalha, cada passo na sua vida fragmentada—lhe dizia para não fazer.
Algo ao chamá-la parecia perigoso. Não só para ele. Para tudo.
Então, ele não o fez.
Ainda.
Leonora abriu os olhos.
"Ela não está respondendo."
A Morte Sem Nome franziu a testa. "O quê?"
"Ela não está respondendo", ela repetiu, desta vez mais firme.
"Por quê?"
Leonora hesitou, então disse: "Acho... que é porque você a recusou na última vez. Ela vai esperar até o último segundo, ou talvez mais, para te deixar mais desesperado pela ajuda dela."
A Morte Sem Nome a encarou.
"Ela é tão mesquinha assim?"
"Ela tem uma natureza cruel", assentiu Leonora. "A Suprema da Água não gosta de ser rejeitada. Então ela vai te deixar aqui, se contorcendo, até o momento final."
A Morte Sem Nome bateu a língua, irritada.
Então era isso.
A Suprema da Água provavelmente sabia como acessar seu Cosmos.
Mas ela estava esperando, deixando o tempo passar até que sua necessidade superasse seu orgulho.
Um jogo de poder.
Ela queria deixá-lo desesperado o suficiente para ceder completamente.
Ele bateu a língua, virou o olhar para o céu.
Assim seja. Se a Suprema da Água não responder agora, ele esperaria.
"Vou me concentrar em construir meu Caminho até lá", murmurou.
Ele se virou para ir à forja e começar a criar o Ventre do Diabo, que seria a base do seu Caminho.
Leonora, que permanecia em silêncio, finalmente falou: "Para onde você vai?"
"Para construir meu Caminho", disse de forma simples. "Você pode ficar aqui. Faça o que quiser até ela decidir responder. Quando ela responder, venha me procurar. Estarei nesta terra, no extremo leste. Tem uma forja lá."
Leonora piscou, surpresa.
"Espere… então pode me dar alguns jogos? Estarei entediada sem eles."
Ele parou. "Jogos?"
Leonora inclinou a cabeça, percebendo algo.
"Espere, não me diga... você não sabe o que é um jogo?"
"Não."
Seus olhos se iluminaram. "Ah! Então você vai adorar. Era bem famoso de onde eu vim. Jogos são experiências estruturadas. Podem ser físicas ou virtuais. Têm regras, objetivos, geralmente algum desafio ou história—"
Nameless Death escutou em silêncio.
Parecia interessado nesses chamados jogos.
Encorajada, ela se inclinou para frente, a voz acelerando, as palavras se misturando com entusiasmo crescente.
"Tem vários gêneros—estratégia, RPG, simulação. Tipo, tem um jogo onde você constrói cidades, gerencia recursos, e mantém seu povo vivo. Depois tem outro onde você é fazendeiro durante o dia e expedição de masmorras à noite. E os sistemas de combate—alguns são por turno, outros em tempo real, e alguns até deixam misturar magia com—"
"Leonora," roncou a baleia gigante ao seu lado, enquanto flutuava acima do lago. "Isso já está de bom tamanho. Acho que ele não precisa de todos esses detalhes."
Ela pulou para cima, com o rosto levemente corado.
"Ah... certo. Desculpe. Fiquei empolgada."
A Morte Sem Nome permaneceu imóvel. Então, inesperadamente, falou.
"São coisas incríveis. Esses jogos."
Leonora olhou para cima, surpresa com a sinceridade no tom dele.
"… Você gosta deles?"
"Sim."
"Mas nunca jogou um jogo antes?"
"Sim, nunca joguei. Mas já parecem incríveis, só pelo que você disse."
Ele fez uma pausa, depois acrescentou, "Vem comigo. Me conte mais sobre eles. Vou integrar o funcionamento desses jogos ao meu Caminho. Assim resolvo muitas dores de cabeça."
Leonora piscou.
"Huh? Wait—o quê?"
"Vem comigo. Eu explico no caminho."
Ela se levantou rapidamente, a curiosidade crescendo, enquanto acelerava para acompanhar seu ritmo.
Os dois começaram a caminhar em direção à borda leste, onde a forja ficava no extremo do pedaço de terra flutuante.
Enquanto caminhavam, Nameless Death a lançou um olhar.
"Você sabe que todo Heavenbreaker deve construir seu próprio Caminho, né?"
Leonora assentiu. "Claro."
"Pretendo construir um Caminho que una todos os poderes que adquiri até agora. Todos os Caminhos que percorri. E, no centro de tudo… vou criar um [Registro Akáshico]."
Ela levantou as sobrancelhas.
"Um [Registro Akáshico]? Tipo um sistema que armazena tudo?"
"Sim. Um sistema vivo. Vai guardar todos os poderes, todas as técnicas, todas as autoridades. Mas, mais importante, vai evoluir eles repetidamente."
Leonora freou seus passos.
"Como vai evoluí-los repetidamente?"
"Vou te mostrar depois", ele disse. "É difícil de explicar agora. Mas essa parte já está resolvida. O que ainda não descobri é… como conectar esse Caminho às dos outros."
"Quer dizer, como dar esses poderes às outras pessoas. Através de bênçãos? Ou devo fazer isso aleatoriamente na hora do nascimento? Ou talvez dar poderes a algumas pessoas e deixar que elas passem esses poderes por linhagens?"
"Tenho pensado nisso até agora."
Ele olhou à frente, os olhos levemente apertados.
"Mas acho… que vou usar a estrutura que você mencionou. A interface do jogo."
"Interface do jogo? Como assim?"
"Classes. Níveis. Habilidades."
Ela parou de caminhar.
Ela percebeu a implicação do que ele disse.
Era… assustador e incrível ao mesmo tempo.
Nameless Death se virou para ela e sorriu.
Seu rosto ficou pálido.
"Você… realmente planeja construir um Caminho assim?" ela perguntou. "Se for um Caminho que usa classes, níveis e habilidades, então—"
"Sim", ele respondeu simplesmente. "Um Caminho onde todo mundo pode evoluir. Onde esforço é recompensado. Será um Caminho onde qualquer um pode chegar ao topo, se dedicar."
Ela o encarou, sem palavras.
Todos os Caminhos existentes até hoje tinham limitações diferentes para garantir que nem todos se tornassem fortes.
Era feito para diminuir o número de pessoas capazes de alcançar o topo.
Se alguém tivesse chance de se tornar o mais forte, isso geraria bastante caos.
Mas o Desconhecido Planejador pretendia criar um Caminho assim?
'Como ele vai lidar com o caos que um Caminho assim provavelmente vai gerar?'
Ainda, ele não tinha contado tudo para ela.
Isso era apenas a estrutura básica.
Um esqueleto para tornar o Caminho acessível.
O verdadeiro profundo do que ele planejava ia além da evolução de poderes.
Afinal, até o Caminho de Ultris tinha o poder da evolução.
'Mas o Caminho de Ultris tem muitas limitações.'
'Não pode crescer infinitamente.'
'É mais fraco que o Caminho dos Elementais.'