Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 630

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

"Você parou meu ataque."

Mesmo após dizer isso, as palavras não pareciam reais.

Então ele perguntou: "Como você conseguiu fazer isso?"

Death Sem Nome tossiu.

Umagota de sangue escapou do canto da boca enquanto ele respondia: "Aprendi... depois... de te observar... Tosse! Tosse!"

A poeira se dissipou completamente, revelando o que restava de sua estrutura quebrada.

Os elementais da Morte de Barbatos ainda grudavam nele, devorando corpo e alma.

Death Sem Nome tentou regenerar, reconstruir e até ressuscitar a si mesmo.

Nada funcionou. A Morte de Barbatos não o deixava em paz. Era como uma podridão que ignorava o tempo e o espaço, consumindo todas as defesas que ele criava.

Ele não podia se curar.

"Você aprendeu isso?" perguntou Barbatos, com os olhos estreitados. "Mas você—"

Ele se interrompeu.

Já tinha visto diversos gênios na vida, mas aquilo... aquilo não se encaixava em nenhum molde.

Na primeira vez que usou aquela técnica, Death Sem Nome morreu instantaneamente.

Ele nem chegou a ver o ataque. Não houve defesa, nenhuma reação, apenas um cadáver de pé.

Isso significava…

'Ele só viu na segunda vez que eu usei,' pensou Barbatos. 'E naquele instante… aprendeu e conseguiu bloquear?'

Não. Isso não podia ser.

Será que essa pessoa era realmente Neo?

O Neo original, da família real, nunca teve uma adaptabilidade monstruosa assim.

Ele tinha uma vontade inquebrável, sim, mas talento? Nem era mediano.

'Death Sem Nome tem um Darkness que devora tudo. Se isso inclui talento… faz sentido. Ele está absorvendo mais do que apenas poder.'

Barbatos expirou lentamente e avançou.

"Foi uma apresentação magnífica," disse no final. "O que você fez... ainda não tenho certeza de como foi possível. Por isso, darei uma segunda chance. Volte para o Príncipe, e não vou te matar."

Death Sem Nome fez uma careta.

O tom de Barbatos era firme e definitivo. "Você está gravemente ferido, e não consegue se curar. Mesmo que tenha bloqueado meu ataque uma vez, isso foi só uma tentativa. Você não pode me derrotar numa luta. Não consegue fugir de mim também. Rendição é sua única saída."

Ele não estava errado.

Death Sem Nome mal conseguia manter as costas retas.

Seus joelhos trepidavam. Sua visão escorregava constantemente. Sua alma pulsava de forma errática junto com seus Núcleos danificados, e o aura da morte que o ameaçava impedia que ele respirasse direito.

Ele olhou para sua espada.

'Ainda não passou o tempo de trinta segundos?'

Berserker estava ocupado fazendo sua parte. Ele só precisava de mais tempo.

Death Sem Nome tossiu novamente, então apertou ainda mais sua pegada na espada.

Ele encarou Barbatos.

"Entendo que você não está disposto a se render?" perguntou Barbatos.

"Prefiro morrer do que me render."

"Então está disposto a perder."

"Perder? Não. Eu vou vencer."

Death Sem Nome nunca poderia vencer se estivesse gravemente ferido após bloquear um ataque.

Mas os instintos de Barbatos gritavam.

A morte dele o alertava.

Algo perigoso estava prestes a acontecer.

Ele levantou sua foice, já não com a calma de antes.

Seus olhos fixaram-se em Death Sem Nome, esperando algum movimento estranho. Mas Death Sem Nome não atacou.

Em vez disso, falou.

"Barbatos, quero te fazer uma pergunta," disse.

Barbatos hesitou, então respondeu: "Continue."

"Você se lembra do Portão Sagrado?"

"...Sim."

"E do ser sombrio que o guardava?"

"Sim."

"Ele era o Sombra Suprema. Seu nome era Barbatos—"

Mal teve tempo de completar a frase.

E então sua voz desapareceu.

Death Sem Nome cambaleou.

Sangue jorrou das fissuras que se formavam em sua pele.

Sua boca se abriu, mas nenhum som saiu.

O ar ao redor dele distorceu-se. Seus Núcleos tremeram. Sua alma se fraturou.

Sua Semente da Existência rachou como porcelana.

Então ela quebrou.

Era a punição por pronunciar o nome de alguém muito além de si mesmo.

Nem Barbatos escapou dessa.

No instante em que ouviu o nome, seu corpo congelou.

Sintou como se uma mão maior que a própria realidade o envolvesse e se recusasse a soltá-lo.

'Barbatos... é o nome da Sombra Suprema?'

Uma dor intensa e ardente atravessou sua cabeça.

Era insuportável.

As regras do universo não permitiam que pessoas ao seu nível ouvissem nomes assim.

A única razão de tê-lo ouvido agora foi porque Death Sem Nome era um Quebra- Céus, e os Princípios Celestiais que deveriam impedir Death Sem Nome tinham pouco poder sobre os Quebra-Céus.

E por causa disso, Barbatos tivera ouvido tudo antes que os Princípios Celestiais reagissem.

'A Sombra Suprema... com o meu nome?'

Ele caiu de joelhos. Sua foice caiu no chão com um barulho metálico.

'Isso é impossível... Conheci a Sombra Suprema quando completei as Provocações Sombrio... Nós existíamos ao mesmo tempo. Não podia ter sido eu.'

'O tempo não permitiria que duas pessoas existissem no mesmo momento.'

Mas e aquele ser sombrio que protegia o Portão Sagrado?

'Será... uma segunda Sombra Suprema...'

Isso só aumentava as perguntas.

Quanto mais ele questionava, mais a dor pulsava em sua cabeça.

Sangue branco jorrava de seu capuz, e das fissuras que se formavam em seus braços ossudos.

Seu poder de Morte e de Sombra se descontrolava, destruindo tudo ao alcance.

O mundo tremeu. Até o céu parecia escurecer.

Foi quando uma nova presença surgiu no campo de batalha.

A Vontade Universal.

Ela olhou para o corpo fragmentado de Death Sem Nome. Ele estava lentamente—desesperadamente—se recompondo.

De novo.

'Maldito lunático,' pensou a Vontade Universal. 'Nem cem anos se passaram desde a última vez que ele fez uma besteira, e ele repetiu a dose.'

Estava furiosa.

O que esse louco achava que estava fazendo, revelando o nome de uma antiga Sombra Suprema de Éon? Queria mesmo morrer assim?

A Vontade Universal entendeu o que tinha acontecido.

Como Death Sem Nome não podia derrotar Barbatos sozinho, decidiu fazer um duplo suicídio ao revelar o nome da Sombra Suprema do Éon anterior.

Ao fazer isso, ele quebrou uma regra.

Dessa vez, podia ser punido—

'Droga, não posso puni-lo dessa vez também!'

A Sombra Suprema do Éon anterior não deveria existir neste Éon.

Se a Vontade Universal punisse Death Sem Nome por revelar seu nome, havia uma alta chance de que os Eons descobrissem por que ele foi punido.

'Ugh, se descobrirem que não denunciei a existência da Sombra Suprema do Éon anterior, vou acabar sendo implicado.'

Assim, mais uma vez, Death Sem Nome sairá ileso. Não porque fosse inocente. Nem porque merecesse misericórdia.

Mas porque puni-lo traria consequências piores.

A Vontade Universal não podia correr esse risco.

Ela tremeu de frustração.

Mesmo agora, não conseguia entender como Death Sem Nome tinha apostado de forma tão confiante.

Ele não deveria ter sabido que sobreviveria a algo assim. Não tinha motivo para achar que não seria apagado.

E, ainda assim, aquele louco falou o nome.

'Maldito lunático,' murmurou novamente, antes de focar na questão mais gerenciável.

Barbatos.

Ao contrário de Death Sem Nome, Barbatos estava firmemente dentro do escopo dos Princípios Celestiais.

Sua existência era registrada e monitorada, e ele não tinha proteção contra repercussões.

Sua mente tinha sido forçada a adquirir conhecimentos que não deveria. Isso, por si só, era suficiente para matá-lo lentamente.

A Vontade Universal estendeu a mão, suspirando profundamente.

'Esqueça,' ordenou.

Sua mão invisível passou por Barbatos, e, como mágica, as memórias se apagaram.

Tudo desde o momento em que Death Sem Nome começou a pronunciar o nome foi apagado.

O corpo de Barbatos ficou insensível, e ele caiu de joelhos, parecendo um fantoche com os fios cortados.

O silêncio voltou.

No campo de batalha destruído, o corpo de Death Sem Nome começou a se recompor.

Sua carne demorou um pouco para se recuperar.

A Morte de Barbatos era insidiosa, ainda agarrada à sua alma.

Mas, pouco a pouco, ele começou a se curar.

"Ei!" uma voz soou animada. Uma mão lhe deu um tapinha forte nas costas. "Isso foi sensacional!"

Rugido de Berserker ecoou ao redor deles.

"Ainda estou me recuperando," resmungou Death Sem Nome.

"Sim, sim," disse Berserker, sorrindo largo. "Mas, sério! Aquilo foi loucura. Como diabos você teve a ideia de fazer uma coisa tão doida?"

Death Sem Nome não respondeu de imediato.

Ele limpou uma mancha de sangue do queixo e olhou para as fissuras em sua pele.

Elas estavam se fechando, mas lentamente.

Levaria tempo até que estivesse totalmente curado e estável.

"Sabe—"

"Cala a boca. Tô cansado."

Berserker riu mais alto, claramente sem se importar.

Death Sem Nome deixou Berserker colocar seu braço sobre seu ombro para apoio.

"Vamos sair daqui antes que aconteça mais alguma besteira."

"Combinado."

E assim, os dois desapareceram. O ar onde estavam brilhou uma última vez, depois ficou quieto.

Algum tempo depois, Barbatos acordou.

Um suspiro agudo escapou de seus lábios enquanto ele piscava, desorientado.

"O que... aconteceu aqui?"

Ele tentou se levantar, mas cambaleou. Suas pernas estavam fracas. Sua cabeça doía com uma dor afiada toda vez que tentava focar.

Fragmentos de memória flutuavam em sua mente.

Ele se lembrou de lutar. Death Sem Nome. Berserker. A foice. Mas, depois disso, as coisas ficaram confusas.

Ele colocou uma mão na lateral da cabeça.

Uma pontada aguda de dor rasgou seu crânio.

"Argh."

Por mais que tentasse, não conseguia se lembrar do que o fazia perder a consciência.

Seus instintos diziam que algo importante tinha acontecido, algo que ele não deveria esquecer.

Mas toda vez que se aproximava do pensamento, ele desaparecia como fumaça.

Ele olhou ao redor.

"Eles escaparam."

Não havia sinais de Death Sem Nome ou Berserker. Ele não conseguia sequer sentir a direção para onde haviam ido.

Claramente, passou tempo enquanto ele esteve inconsciente, e isso significava que eles poderiam estar em qualquer lugar.

Barbatos amaldiçoou baixinho.

Ele queria persegui-los, mas o Sítio estava cheio de prisões de Espaço-Tempo, muitas das quais ele nem sabia que existiam.

Se Berserker tivesse escapado para uma dessas recentemente, Barbatos poderia localizá-lo, mas já havia passado muito tempo.

"O Príncipe vai ficar revoltado."

Suas palavras saíram mais baixas do que esperava.

Não adiantava ficar por aqui.

Com um último olhar para o campo de batalha vazio, Barbatos suspirou e se virou. Ele entrou de volta no núcleo do Sítio, já se preparando para o relatório que teria que fazer.

Em algum lugar do espaço labiríntico de uma prisão escondida, Death Sem Nome permanecia quieto, olhos semi-fechados.

Berserker encostava na parede ao lado, braços cruzados, ainda sorrindo como uma criança que tinha testemunhado a maior brincadeira do mundo.

"Ainda não consigo acreditar que você fez isso," disse ele após um tempo. "Você tentou realmente nomear a Sombra Suprema na frente do Barbatos."

Death Sem Nome não respondeu imediatamente.

Depois de um tempo, abriu os olhos e olhou para Berserker.

"Vamos falar das coisas mais importantes. Como estamos trabalhando juntos, espero que você seja sincero."

"…?"

"Onde está a formiga?"

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