
Capítulo 629
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Ponto de Vista da Morte Sem Nome
Eles escaparam sem alarde.
Num instante, desapareceram das ruínas do Sítio; no seguinte, estavam sob um céu repleto de estrelas sem fim.
A terra sob eles era suave, coberta por uma areia branquíssima que se estendia até onde a vista alcançava.
Toda volta, restava o que restara de colunas brancas esmagadas, parcialmente enterradas como ossos de um titã há muito morto.
A Morte Sem Nome olhou ao redor. Seus olhos vasculharam as ruínas uma, duas vezes.
Franziu a testa.
Este lugar... parecia familiar.
Então, uma frase surgiu em sua mente.
[Barreira do Céu]
Seu sobrancelha se contraiu.
Ele não sabia por que o nome veio à sua cabeça, nem de onde veio.
Não importava quanto tentasse puxar a lembrança à tona, ela escorregava pelos dedos.
Finalmente, desistiu de tentar recordar e, em vez disso, observou com mais atenção ao redor.
"Este lugar..." murmurou. "Então é por isso que Barbatos nunca o encontrou, mesmo após décadas de busca."
"Sim. Este é um Cálice do Espaço-Tempo. Mas não é minha base, se é isso que está pensando. Tenho várias Cálices de Espaço-Tempo no Sítio."
"Eu os uso durante minhas viagens, por isso meus movimentos não podem ser detectados." Berserker sorriu de lado, ao seu lado.
A Morte Sem Nome lançou-lhe um olhar, mas ficou quieto.
"E se você já está tão surpreso assim," continuou Berserker com meio sorriso, "é melhor—"
Um som o interrompeu.
Estalos.
Ambos congelaram.
Viraram a cabeça em uníssono.
Seus olhos fixaram em um ponto específico no ar, não muito longe de onde estavam.
Uma fina rachadura apareceu, atravessando diagonalmente o espaço.
A fissura pulsou com uma luz branca fraca e começou a se ampliar lentamente.
A face de Berserker mudou.
"O quê...?"
Ele não podia acreditar.
A Morte Sem Nome estreitou os olhos.
Cálices do Espaço-Tempo não existiam no espaço ou no tempo. Encontrá-los, muito menos forçar a entrada, deveria ser impossível.
Por isso, ambos estavam tão boquiabertos com o que acontecia.
Por trás da rachadura crescente, uma figura entrou na prisão.
Barbatos.
Seu pé tocou a areia branca com um baque surdo.
Assim que houve contato, uma força avassaladora emanou de seu corpo.
Mortos e sombras saíram num instante, formando ondas de choque carregadas de relâmpagos vermelhos e negros.
O ar se partiu ao redor dele, a terra tremeu sob sua presença.
"Peço desculpas por entrar assim," disse Barbatos em tom calmo. Sua voz era firme, mas a ameaça subjacente era inconfundível. "Mas preciso que vocês dois voltem. O Príncipe ainda quer falar com vocês."
A Morte Sem Nome e Berserker ficaram em alerta máximo.
Nenhum deles se moveu, mas suas auras começaram a vibrar subtilmente.
As palavras de Barbatos não eram um pedido. Eram uma ordem disfarçada de cortesia.
A Morte Sem Nome cerrava a mandíbula.
Droga.
Será que ele poderia vencer?
Ele era forte, esmagadoramente forte.
E tinha confiança suficiente para afirmar que apenas Blessed Ones de Nível 4 ou Pessoas Amadas poderiam ter alguma chance contra ele.
Blessed Ones e Pessoas Amadas podiam obter força dos Supremos, mas mesmo assim, ninguém podia garantir que venceriam a Morte Sem Nome.
Mas Barbatos não era de Nível 4.
Ele era de Nível 5.
E pior—
Ele é um Ceifador de Categoria 2… e o único que completou três Desafios das Sombras.
Mesmo completar um Desafio das Sombras era quase impossível.
Barbatos completou três. Era o único que tinha feito isso.
'Vou ganhar tempo. Vocês encontram uma forma de escapar,' pensou a distância na mente de Berserker, transmitindo telepaticamente.
'Não. Quero lutar com ele,' respondeu Berserker, seu corpo já tenso com a vontade de agir.
'Se não sairmos agora, nunca mais terei chance de criar meu Caminho,' retrucou a Morte Sem Nome. 'Me diga—você quer enfrentá-lo agora? Ou esperar até eu terminar de criar meu Caminho?'
Silêncio.
Depois, Berserker rangeu os dentes, frustrado.
Trinta segundos?
Era um pedido absurdo.
Naquele nível, uma troca verdadeira de golpes poderosos poderia envolver mais de quatrilhões de ataques em um único batimento de coração.
Berserker faria melhor em pedir que ele derrotasse Barbatos de uma vez.
Mas não tinha jeito.
Arespirou lentamente, deu um passo à frente e falou em voz alta agora.
"Obrigado por aguardarem enquanto conversávamos," disse para Barbatos.
Seu tom era calmo, quase casual.
Ele não tinha dúvidas de que Barbatos sabia que eles estavam se comunicando telepaticamente. O fato de não ter interrompido confirmava isso.
Barbatos ofereceu um leve aceno de cabeça.
"Ao menos, é o mínimo que posso fazer, considerando que entrei na casa de alguém sem convite."
"Ah? Então me permita fazer uma pergunta antes de começarmos a lutar." A Morte Sem Nome parou alguns passos à frente, braços soltos ao lado do corpo. "Como foi que você entrou neste lugar?"
"Encontrei os Cálices do Espaço-Tempo neste planeta algumas semanas atrás e comecei a investigá-los. Essa pesquisa atrasou meu retorno à sua batalha com o Supremo do Vazio. Quando finalmente cheguei, descobri que o Supremo do Vazio usou um dos Cálices para escapar."
Ele deu um passo à frente.
"Então, eu o segui."
A Morte Sem Nome demorou a responder.
A explicação não fazia sentido.
Os Cálices do Espaço-Tempo não existiam no espaço ou no tempo.
São dimensões dobradas, escondidas entre o universo material e um vazio conceitual.
Como um Ceifador de Nível 5 poderia encontrá-los, quanto mais forçar a entrada?
Porém, novamente, era Barbatos.
O Ceifador que atravessou três Desafios das Sombras e sobreviveu.
Que a lógica normal não se aplicava mais a ele.
"Obrigado pela resposta," murmurou a N° Sem Nome.
Não que ajudasse. Se Barbatos pudesse entrar em um lugar selado como esse, não havia lugar seguro mais.
"Agora, por favor, retorne ao Príncipe. Ele… está chateado."
"Receio que não possa fazer isso."
Então, nove orbes apareceram atrás das costas da Morte Sem Nome.
Eles giraram lentamente, emitindo um brilho tênue.
Fios do tempo se entrelaçaram neles. Cada orbe continha um mundo comprimido.
Aquietou-se em voz baixa:
[O Mundo]
As orbes pulsaram enquanto os Mundos do Tempo eram implantados.
O ar torceu-se, dobrando a realidade em laços de causalidade.
A areia branca sob seus pés parou em queda, presa por uma dilatação temporal.
Acima dele, o céu cintilava, as estrelas piscando de forma errática, como se sua luz tivesse sido perturbada.
A Morte Sem Nome não hesitou.
Milhares de técnicas foram ativadas em sequência, multiplicando sua velocidade por dezenas de vezes.
Seu corpo se turvou, então desapareceu.
De longe, pareceria que ele simplesmente se teleportou.
Mas isso não era um truque de luz.
Ele tinha realmente comprimido o tempo ao seu redor e avançado rapidamente, a lâmina arqueando em direção ao pescoço de Barbatos.
A lâmina da Espada da Morte Verdadeira reluziu sob a luz das estrelas.
Porém, Barbatos não se moveu nem tentou bloquear. Em vez disso, falou calmamente.
"Peço desculpas por isso antecipadamente."
Sua voz atravessou o tempo distorcido.
"Ainda há uma possibilidade de que você seja o Segundo Príncipe. Por isso, não ataquei, mesmo após receber a ordem do Primeiro Príncipe."
Os cabelos da N° Sem Nome se eriçaram.
Como Barbatos conseguia falar com tanta clareza?
Seu corpo deveria estar congelado no tempo, ou pelo menos desacelerado ao máximo.
Afinal, a própria respiração dele era uma manipulação tão agressiva do tempo que sua alma e seu corpo estavam sendo dilacerados, mesmo usando inúmeras técnicas de defesa.
E, mesmo assim, a voz de Barbatos passava facilmente por tudo isso.
"…no entanto," continuou Barbatos, "se desejar lutar, então esteja preparado para morrer."
Os instintos da N° Sem Nome gritaram.
Um ataque perigoso se aproximava.
Seus membros ficaram lentos.
O ar ficou pesado.
Parecia que ele havia pisado numa lama grudenta.
Cada movimento trazia o peso de correntes de ferro.
A Morte Sem Nome cerrava a mandíbula, tentando aumentar a velocidade do golpe com a espada. Mas—
Seus pensamentos ficaram vazios.
Sem dor. Sem som. Apenas escuridão.
E então—
"Acorde!"
Uma voz cortou a névoa.
A Morte Sem Nome deu um grito, respirando com dificuldade. Seu peito subia e descia, ele estava de joelhos, o mundo girando ao seu redor.
"Por quanto tempo mais pretende ficar aí parado?!" gritou Berserker ao seu lado, com tom agudo. "Sai dessa!"
A mão de A Morte Sem Nome foi rápida até o pescoço.
Um suor frio escorreu por suas costas. Ele olhou para seus dedos trêmulos.
'Fui morto…'
Não havia dúvida.
Não era uma sensação de quase morte, nem uma visão do futuro.
Seu corpo se lembrava de ter sido despedaçado num único movimento, mesmo que sua mente não se recordasse de nada do tipo.
Só estava vivo graças à sua habilidade de reviver.
"Que tipo de ataque foi aquele..." murmurou.
Então virou o olhar para Barbatos.
O Ceifador agora estava a alguns passos, segurando uma foice enorme e negra em uma mão.
A lâmina brilhava intensamente, exalando a morte no ar.
"Por favor, não subestime o Nível 5. A diferença entre Nível 4 e 5 não é só força bruta ou velocidade. É algo totalmente diferente."
"Não há motivo para ficar envergonhado por perder."
"Em vez de ficar inseguro, encare isso como uma lição," disse Barbatos. "Essa é a força de um Nível 5."
A Morte Sem Nome permaneceu calado.
Não havia o que dizer.
Barbatos ergueu sua foice e a abaixou.
O céu tremeu.
Um domo negro e vermelho surgiu do chão como uma tempestade.
Mortos e sombras surgiram em todas as direções, e uma onda de pressão se seguiu.
A areia branca explodiu no ar, cegando os sentidos e deixando tudo sem jeito. Até Berserker cambaleou, levantando o braço para se proteger.
Barbatos respirou fundo.
Ele esperava que a Morte Sem Nome morresse facilmente outra vez.
Mas...
'O quê?'
Barbatos não sentiu nenhuma morte estranha que deveria ter aparecido após a morte da Morte Sem Nome.
'Ele sobreviveu?'
'Isso não deveria ser possível.'
Seu ataque era algo que apenas um Nível 5 podia contrapor ou bloquear.
"Cough! Cough!"
A figura da Morte Sem Nome emergiu da poeira.
"Obrigado... pela lição..."
Perdera a mão, e a pele de todo o corpo havia se rompido. Sua alma estava a um passo de se despedaçar.
Porém…
"Você impediu meu ataque."