Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 628

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

"Não posso deixar você concluir seu Desafio das Sombras", interrompeu o Sem Nome. Seu tom era equilibrado, invulgarmente imóvel. "Vou pedir que libere o Berserker."

Os pensamentos de Zagreus se despedaçaram como vidro.

Normalmente, ele não se sentiria traído assim.

Mas havia uma chance—apenas uma chance—de que o homem à sua frente fosse seu irmão. E agora esse mesmo irmão dizia que o trairia?

Zagreus ficou atônito.

Demorou alguns momentos para aceitar a realidade.

E então veio a raiva.

Zagreus cerrava os punhos e se virou para o demônio ao seu lado.

"Me dê—"

"Silêncio." A voz do Sem Nome ecoou, mas desta vez carregada de peso. Seu Conceito, [Verdade], curvou o mundo ao redor de suas palavras.

Zagreus quase engasgou no meio da frase.

A boca se abriu, mas nenhum som saiu.

Seus pensamentos tentaram se reunir, reforçar sua força diante do demônio, mas até isso foi cortado. Ele não conseguiu sequer pensar.

Seus pensamentos foram silenciados.

O "Silêncio" espalhou-se pelo espaço como uma onda.

Asmodea congelou a meio movimento, com os lábios levemente abertos para falar. Mas nada saiu. Leonora também vacilou, atônita, incapaz de falar ou canalizar sua magia.

Por um momento, até o som do vento desapareceu.

Então algo irrompeu.

Os olhos de Asmodea arderam num tom de vermelho.

Ela inspirou profundamente, extraindo o próprio sangue, conectando-se ao poder que recebeu de seu Deus.

Sua pele reluziu, escamas surgiram pelos seus antebraços e bochechas.

As pupilas se estreitaram em fendas, queimando com o poder dracônico.

Os olhos de Sem Nome empinharam. Aquilo não era força dela própria, vinha de algo antigo… algo adormecido dentro dela.

"Entendo", disse calmamente. "Você emprestou poder."

Sua mão levantou-se.

"Durma."

Dois Conceitos se fundiram—[Verdade] e [Sono Eterno]—e colidiram com ela como uma onda.

Ela resistiu, garras arranhando a terra enquanto lutava contra os efeitos. Mas o peso foi demais.

Ela desabou segundos depois.

Leonora já estava caída ao chão, e Zagreus a seguiu logo em seguida, com os olhos fixos em Sem Nome, cheio de fúria, até o momento em que sua visão se esvaiu.

Finalmente, o silêncio imperou.

Sem Nome virou-se para o Berserker.

"Acredito que já sabe por que estou fazendo isso", disse. "Mas, só para deixar claro, estou ajudando você por causa do que vi dentro do Portal Sagrado."

O Berserker não pareceu impressionado. "E o que faz você achar que preciso da sua ajuda?"

"Por causa disso."

O olhar de Sem Nome desviou além do ombro do Berserker.

Uma tempestade de energia rasgava ao longe, empurrando nuvens enquanto se aproximava. O céu gemia sob seu peso.

Barbatos.

Ele havia sentido a perturbação, a traição, os ataques a Asmodea, Zagreus e Leonora.

Agora vinha para derrubar o Berserker e Sem Nome.

"Se ele fizer algum movimento, você será esmagado", disse Sem Nome calmamente.

"Não tenho medo de um desafio—"

"Mas proteger o Sítio é mais importante", interrompeu.

O Berserker não discutiu.

Sua expressão permaneceu inalterada, mas um leve movimento de seus pés foi suficiente. Foi um acordo relutante.

Ele encolheu os ombros num gesto descontraído.

"E então, qual é o plano?"

"Por enquanto, vamos para sua base. Precisamos sair antes que Barbatos chegue."

"E o que te impede de atacar minha médium quando chegarmos lá?"

Sem Nome olhou fixamente para ele.

Poderia ter dado uma resposta lógica. Algo sobre equilíbrio, consequências, o risco de destruição do universo se machucasse a médium do Berserker.

Mas o Berserker já sabia de tudo isso.

Então, disse algo diferente.

"Por que está perguntando isso? Você tem medo de mim?"

Uma veia saltou na testa do Berserker.

Sem Nome acrescentou, "Além disso, você ainda não me deu uma recompensa por derrotá-lo da última vez. Ou desta vez. Então, considere isso uma forma de pagar sua dívida."

O Berserker não respondeu imediatamente. Mas também não discordeou.

Ele sabia que esse momento chegaria eventualmente. Era parte do motivo pelo qual não tinha levado a luta anterior muito a sério.

Pois planejou tudo isso.

Sorriu levemente e estendeu a mão. "Segure nela. Vamos teleportar daqui até minha base."

Sem Nome olhou para a mão com uma expressão levemente estranha.

O Berserker rolou os olhos, percebendo sua reação.

"Os teleportadores que você instalou na floresta não servem para essa troca. Eu sei que colocou eles para saídas rápidas, mas eles não chegam até minha base. Só aperte essa maldita mão."

Ao invés disso, Sem Nome colocou a mão no ombro do Berserker.

Os lábios do Berserker tremeram. "Claro."

Então—

"Par…a…"

A voz saiu tranquila, quase quase esganiçada, mas suficiente para alcançar ambos.

Sem Nome virou-se de repente.

Zagreus.

Ele estava de pé. Os joelhos tremiam, mas ele permanecia ereto. A boca aberta. Ainda conseguia falar.

Estava resistindo ao [Silêncio].

Sem Nome podia ver agora. As escamas nos braços dele, o brilho dos olhos vermelhos em fendas, sangue ardendo sob a pele.

Estava usando seu poder adormecido de sangue dracônico, ultrapassando os limites do que deveria suportar.

"Não… ouse…"

Ele olhava fixamente para Sem Nome, com um olhar cheio de fúria, traição e tristeza tudo ao mesmo tempo.

Sem Nome olhou por um momento, depois virou-se de vez.

Sem dizer nada, usou sua mente.

O corpo inconsciente de Leonora flutuou no ar, enquanto sua telecinese a controlava.

O Berserker franziu a testa.

"O que você está fazendo?"

"Ela vai comigo."

Sem Nome ajustou a posição de Leonora no ar, certificando-se de que a cabeça dela não ficasse inclinada de um jeito estranho.

O Berserker lançou um olhar estranho para ele.

"Está planejando aceitar a oferta da mãe dela—"

"Não."

O Berserker não insistiu. Encolheu o ombro e murmurou algo baixo, que soava suspeitamente como: "Já devia ter esperado isso."

E desapareceram em um instante.

Assim que o espaço que ocupavam foi desfeito, a onda de distorção que mantinha tudo no lugar desapareceu.

O 'Silêncio' cessou.

O ar parecia retornar ao seu tom normal.

Zagreus respirou fundo, com o peito arfando.

A pressão na garganta e os pensamentos sumiram.

Ele caiu de joelhos, suor escorrendo pelo queixo. Seus braços ainda estavam cobertos de escamas.

Mas a compulsão tinha desaparecido. O [Silêncio] fora levantado.

De frente para ele, Asmodea permanecia imóvel. Qualquer poder que ela tinha ativado antes de ser atingida por [Sono Eterno] não fora suficiente.

Antes que pudesse se arrastar até ela para verificar—

A terra explodiu.

Uma força como um meteoro atingiu a clareira. Terra, pedra e fragmentos metálicos soltos foram lançados para o alto, enquanto um cratero se formava no centro. Poeira engoliu a área por alguns segundos, depois se dispersou com uma pulsação de aura divina.

Barbatos tinha chegado.

Seu impacto havia aberto rachaduras no terreno, formando linhas estilhaçadas e fragmentos de pedra quebrada.

"Localizem eles", ordenou Zagreus. "Não podem ter ido muito longe."

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