
Capítulo 609
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
A criatura examinou a área com movimentos lentos e cuidadosos até que seu olhar se fixou em Asmodea e Barbatos.
Naquele momento, ao reconhecê-los, o monstro ficou rígido.
Então Zagreus deu uma risadinha.
"Olha só," ele disse, inclinando a cabeça, "parece que você tá numa roubada danada."
O monstro virou o olhar para ele, confuso.
Por que uma das invadidoras estava agindo como se não estivesse envolvida em tudo aquilo?
Zagreus sorriu ainda mais aberto.
"Aquelas duas pessoas que você tem medo? São só guardas. Para ele."
Ele apontou para a Morte sem Nome.
"Aquele é um Quebrador de Céus. Ele está escolhendo sua guarda pessoal, quer ver como eles lutam."
O monstro piscou lentamente, processando as palavras.
"Escolha um deles," disse Zagreus. "Se você perder… bem, você conhece as regras deste lugar. Mas se vencer, concederemos um pedido."
A Morte sem Nome ficou mais confusa do que o próprio monstro.
"O que você está fazendo? Eu já te disse—"
Antes que pudesse terminar, o monstro soltou um rosnado metálico.
"Se eu vencer, você vai me deixar lutar contra aquele Quebrador de Céus," gritou, com sua voz rangendo como engrenagens. "Matei ele! E isso vai me tornar mais forte!"
Ele não sabia exatamente o que era um Quebrador de Céus.
Mas todos na floresta e no cosmos tinham ouvido o título.
E Cole Calloway e Ultris também eram Quebradores de Céus.
Este seria mais um?
Se pudesse matá-lo, então ganharia um poder imenso, suficiente para se aprofundar mais na floresta.
A Morte sem Nome já não prestava atenção no monstro. Seus olhos estavam fixos em Zagreus.
'Esse cara é o rei dos enganadores ou o quê?' pensou a Morte sem Nome.
Como o monstro atacaria a própria Morte sem Nome por causa de sua ganância, ele nem podia dizer que o monstro era inocente.
'Acho que pessoas como ele deveriam ser chamadas de demônios, ao invés daquele polvo.'
Zagreus ignorou seu olhar e levantou uma mão em direção ao monstro.
"Vai, escolha um."
O monstro voltou-se novamente para o grupo.
Percebeu que Asmodea era longe demais para ser derrotada por ele. E Barbatos? Nem sequer percebia sua presença.
Isso deixou apenas uma opção.
Apontou para Leonora.
"Ela é fraca demais. Ela vai ficar bem?" perguntou a Zagreus, com a Morte sem Nome.
Zagreus não respondeu. Em vez disso, fixou o olhar em Asmodea.
Os olhos da Ceifadora do Destino se estreitaram, mas sua voz permaneceu calma. "Ela é a Bênção da Água."
A Morte sem Nome não sabia muito bem o que aquilo significava. Ela tinha ouvido falar em "Bênção", mas não tinha ideia do que isso podia fazer.
Será que permitia que alguém no Nível 2 enfrentasse um nível 9?
Decidiu observar e descobrir.
Asmodea levantou uma mão e pronunciou algumas palavras.
Forme um terreno inquebrável. Permanecerá até que um vencedor se imponha."
Uma luz dourada cintilou pelo campo.
Um domo transparente e maciço surgiu do chão, crescendo em altura e largura até cobrir tanto Leonora quanto o monstro.
O domo reluzia como cristal polido, levemente reflexivo, mas claramente reforçado com energia.
Os olhos da Morte sem Nome se estreitaram.
'Ela usou Verdade?'
A Verdade era uma habilidade que só alguns no cosmos possuíam, usada para comandar o mundo com palavras que não podiam ser negadas.
Enquanto tivesse energia suficiente, tudo podia ser feito com a Verdade. Tudo.
Dentro dela, Leonora ajustou sua postura, tentando manter a respiração sob controle. Seu coração pulsava forte desde que entrou na cratera.
O monstro passou lentamente na sua direção.
Depois, sem aviso, avançou com velocidade.
O ar se rasgou com um estrondo avassalador quando seu punho disparou em direção ao seu crânio, rápido demais para não deixar uma rachadura no espaço.
Leonora mal teve tempo de piscar.
Era agora.
Ela não podia escapar.
Não era rápida o bastante. Sabia que não venceria, e seu mestre não a ajudaria.
Quando o braço do monstro desceu, Leonora ouviu uma voz calma.
"Leonora." A voz do mestre ecoou suavemente dentro de sua mente. "Chame o Supremo."
O estômago de Leonora se revogou.
Chamar o Supremo?
Ela queria chorar. A dor era intensa demais, e seu corpo sentiria dores por semanas, mas, por outro lado, seu mestre fazia aquilo para puni-la. É claro que haveria dor.
Seu corpo se mexeu antes mesmo que sua mente percebesse.
Ela fechou os olhos. Sua voz tremeu, mas falou claramente.
"Ó Supremo," ela sussurrou, "Ó minha Mãe, conceda-me sua bênção mais uma vez. Fique comigo neste campo de ruínas."
Assim que as palavras deixaram seus lábios, tudo mudou.
O punho do monstro nunca tocou.
Leonora abriu os olhos, e sua aura passou por uma transformação assustadora.
O espaço ao seu redor se curvou sutilmente, como se a gravidade estivesse se soltando.
Ela não tocava mais o chão. Flutuava pouco acima dele, cercada por fracos brilhos de luz azul.
A água se formou ao seu redor, girando para cima como fumaça, torcendo pelo ar como se tivesse vontade própria.
O monstro recuou instantaneamente.
Movendo-se para o extremo do domo, encostou as costas na barreira, tremendo visivelmente.
Seu corpo, que antes se movia com precisão mecânica, agora tremia como uma folha ao vento.
Ele olhava para Leonora com medo.
A expressão de Leonora também tinha mudado.
Seus olhos brilham suavemente, como se tocados por algo divino.
Um sorriso astuto travou-se nos cantos de seus lábios. Ela parecia igual, mas sua presença e aura estavam completamente diferentes.
"Q-quem? Você—"
O monstro ergueu a mão como se fosse falar, mas Leonora não esperou que terminasse.
Ela simplesmente levantou a mão direita e lentamente virou a palma para trás no sentido anti-horário.
E então o mundo respondeu.
Aos olhos da Morte sem Nome, o corpo do monstro convulsionou.
Estava ficando mais jovem.
A cada segundo que passava, mais dele desaparecia, até que sumiu completamente.
Apagado de vez.
O domo dourado rachou e se desfez em nada.
Barreira que Asmodea criara com a Verdade se dissolveu, conforme seu uso foi cumprido. Um vencedor tinha emergido.
Leonora virou-se para Asmodea.
A expressão sorridente, porém misteriosa, nunca desapareceu de seus lábios.
"Asmodea," ela disse, "espero que não dê tanto trabalho para minha filha. Ela é meio preguiçosa, sim, mas enviá-la para lutar contra um nível 9? Não acha que está exagerando?"
"Eu não precisaria fazer isso se ela fosse mais dedicada aos treinos."
Leonora—não, a que possuía seu corpo, riu suavemente ao ouvir a resposta de Asmodea.
Então, seus olhos se voltaram para a Morte sem Nome e Zagreus. Seu sorriso se aprofundou, só um pouco.
Barbatos deu um passo à frente. Não se curvou, nem ajoelhou, mas demonstrou respeito na postura.
"Ó Supremo," disse com voz firme, "há algo que desejo te pedir."