Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 610

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

A pessoa que possuía o corpo de Leonora levantou uma sobrancelha, já sabendo o que ele queria.

"Ah?" ela disse de forma descontraída. "Bem, posso responder... mas quero alguma coisa em troca."

Barbatos não respondeu imediatamente. Respirou fundo antes de falar.

"O que você quer?"

Ela levantou a mão e, casualmente, estendeu um único dedo na direção de Morte Sem Nome.

"Eu quero ele," ela disse com um sorriso malicioso. "Ou melhor, quero que ele tenha filhos com minha filha."

Silêncio tomou conta.

Morte Sem Nome não se incomodou com suas palavras.

"Filha?" ele perguntou.

"Os Benevolentes possuem uma semente elemental única. Como vou pular a explicação chata, basta entender que Benevolentes são os filhos do Supremo."

Morte Sem Nome assentiu.

Depois, apenas deu uma olhada na figura de Leonora e balançou a cabeça.

"Rejeitada," disse ele. "Ela não é do meu estilo."

O Supremo estreitou os olhos, mas o sorriso sarcástico permaneceu.

"Por quê?"

"Prefiro alguém mais maduro. Não alguém que chorou metade do tempo."

Por um momento, o silêncio voltou. Então, inesperadamente, o Supremo riu.

Em vez de se sentir ofendida, ela flutuou um passo à frente, com as mãos agora atrás das costas, enquanto lentamente o circulava.

"E quanto a mim, então?" ela perguntou.

"Acho que—" Morte Sem Nome abriu a boca, mas antes que pudesse responder, Zagreus cortou.

"Não," ele disparou. "Pode dar o fora, se é isso que você quer."

O Supremo parou no meio do círculo e se virou para encará-lo. Ela inclinou a cabeça levemente.

"Você não tem medo de eu ficar brava se falar assim comigo?" ela perguntou.

"Você acha que eu não sei das suas restrições?"

O sorriso dela permaneceu, mas os olhos ficaram frios.

"Hmm… acho que esqueci dessas."

Ela flutuou para trás, dando espaço novamente a si mesma.

"Ainda assim," ela acrescentou, "não recomendaria falar assim com as Súper. Elas podem não levar isso na boa. Algumas não parariam até você estar morto, A Única."

Zagreus piscou involuntariamente ao ouvir o título.

Ele odiava esse título com paixão, mas tinha ficado com ele, já que todo mundo na sua planeta o chamava assim.

Antes que Zagreus pudesse falar novamente, Barbatos deu um passo à frente.

"Peço desculpas, Supremo, mas não podemos atender a esse pedido. Há algo mais que vocês aceitariam em seu lugar?"

"Não," respondeu o Supremo. "Quero que ele carregue minha linhagem. Porque ele vai criar um Novo Caminho. Se não puder ter isso, não quero mais nada."

Ela olhou para as próprias mãos—as mãos de Leonora—e falou:

"Parece que o tempo está quase acabando."

Ela pairava no ar, claramente sentindo o peso da possessão. A ligação estava se desfazendo. O tempo da Supremo da Água no corpo de Leonora estava quase no fim.

Mesmo assim, ela lançou um olhar astuto para Morte Sem Nome e piscou de leve.

"Minha oferta também vale para você. Se precisar de algo, posso fazer acontecer. O poder das Súper não é tão simples quanto você pensa. Basta aceitar o acordo."

Ela fez uma pausa, sorriu novamente e acrescentou:

"Na verdade, vou te dar uma de graça. Vá embora rapidamente se você—"

"Agora mesmo, querida," interrompeu uma voz nova.

O tom era suave, mas venenoso.

"Você não acha que está dando informações demais para eles?"

Todos se voltaram.

O espaço atrás deles se torceu e estalou.

Elementais do Caos fluíram juntos, contorcendo-se como sombras derretidas.

Eles se puxaram para dentro, dobrando-se até formar uma silhueta vermelha.

Berserker.

A voz dele acompanhou sua chegada.

"Há quanto tempo, querida," ele disse. "Ainda tão velha complaints como você era naquela época, vejo."

A forma possuída de Leonora se virou para ele. Ela não hesitou. Pelo contrário, parecia divertida.

"Haha. Vejo que ainda está magoado porque eu te rejeitei naquela época."

"Rejeitada?" ele afirmou. "Prefiro morrer solteiro do que ficar com uma vadia que se gaba de ser penetrada por um gigolô."

O sorriso dela não vacilou.

"Agora, agora," ela disse docemente, copiando as palavras dele, sabendo que o irritava. "Você tem certeza que quer falar assim dele? E se ele ficar bravo?"

A tensão aumentou novamente.

Morte Sem Nome e Zagreus perceberam que a Suprema da Água estava forçando o corpo de Leonora ao limite para manter a possessão.

E ela fazia isso por uma única razão: insultar Berserker por mais tempo.

Ele a olhou de forma estranha.

Contudo, Berserker apenas riu.

"Deixe-o ficar bravo," ele disse. "A covarde ficou se escondendo por anos. Não vai aparecer só por causa disso, e..."

Sua aura se intensificou.

"O que te faz pensar que ele venceria?"

Apenas por ser chamado de Berserker, isso não significava que ele não fosse o Supremo do Vazio.

Berserker era apenas uma pequena parte do Supremo do Vazio, mas, ainda assim, era o Supremo.

É assim que funcionam os Elementais.

Eles eram fragmentos das Súper. Tirinhas que podiam agir com sua própria vontade, mas quando se uniam, se tornavam o Supremo.

Era como cortar o bolo em fatias.

As fatias seriam Elementais, e o bolo, o Supremo.

Por fim, Morte Sem Nome falou.

"Por que você está aqui?"

O Supremo da Água—ainda no corpo de Leonora—respondeu antes que Berserker pudesse.

"Ele está só com medo de eu revelar seus planos," ela disse, sorrindo.

Depois, ela voltou a flutuar para frente, casualmente envolvendo os braços ao redor de Morte Sem Nome por trás.

Ela se inclinou para perto e sussurrou no ouvido dele com uma voz sensual.

"Que tal?" ela perguntou. "Já que o Berserker veio, isso prova que meu conhecimento é útil. Aceite minha oferta, e eu entregarei para você."

Morte Sem Nome franziu a testa. Sua boca não se moveu, mas seus pensamentos já estavam adiantados, além das palavras dela.

Se a própria Supremo quer meus filhos só para acessar meu Caminho… então, o que isso diz sobre o que estou criando?

Não era bajulação. Era um aviso.

Um vislumbre de quão perigoso meu futuro pode se tornar.

O que faria se outra Supremo exigisse acesso? Ou se um Deus de Estágio 5 aparecesse, mais forte e mais convencido do que o último?

O que acontecer se eles obrigarem a compartilhar meu Caminho?

Não—

Com certeza me obrigariam a dividir meu Caminho, se ele fosse forte o suficiente.

Olhando para Zagreus, ele se perguntou: será que é por isso que eles estão ajudando? Para garantir que ele compartilhe seu Caminho com eles?

Fazia sentido.

Zagreus estava queimando seu potencial futuro. A menos que tivesse uma carta na manga—como um Novo Caminho criado por um Quebrador de Céus—ele ficaria incapaz após o demônio sair dele.

Posso me proteger se criar um Caminho?

Será… criar um Caminho uma escolha correta, se não tenho certeza de que não serei alvo?

Não existem respostas fáceis.

Ele ainda não tinha poder suficiente para dizer não se alguém realmente quisesse levar o que ele estava construindo. Ainda não.

Seriam usados novamente? Tratados como brinquedo? Transformados em ferramenta, como vinha sendo há 500 anos—

"Pare de hesitar," Berserker retrucou.

Seu tom não era gentil. Não era encorajador. Mas era honesto.

"Você pensa demais."

O olhar de Morte Sem Nome se virou para ele.

Berserker deu um passo à frente. Seus olhos não tinham charme, apenas uma compreensão brutal.

"Um verdadeiro guerreiro nunca hesita," ele declarou.

Não era a primeira vez que ele dizia isso. E provavelmente não seria a última.

Berserker ainda nutria ressentimento de Morte Sem Nome, não por ele ser fraco, mas por ter escolhido um caminho de respeito e cavalheirismo.

Berserker via aquilo como máscaras inúteis para um guerreiro.

Porém, ele odiava mais a vadia na frente dele do que qualquer rancor que guardasse contra Morte Sem Nome. Pelo menos, Morte Sem Nome ainda era um guerreiro, mesmo que não fosse sedento de sangue ou violento.

Por isso, ele continuou falando.

"Você acha que está forte agora por causa dessa Trevas e dessa habilidade de cópia?" ele perguntou. "Mas elas não são nada diante de um poder verdadeiro. Se alguém forte chegar, pode te esmagar antes que você consiga usar sua Trevas e sua habilidade de cópia."

Indicou para o Supremo.

"Você tem medo de vadias como ela? Mas sabe de uma coisa?"

"Elas têm mais medo de você."

Morte Sem Nome não respondeu, mas o franzir de testa dele se aprofundou.

Berserker percebeu as sobrancelhas tremendo da Suprema da Água e sorriu.

"Quando seu Caminho estiver completo," ele continuou, "você finalmente vai começar a crescer a um ritmo digno do título de Quebrador de Céus."

Olhou nos olhos de Morte Sem Nome.

"Quer ser forte o suficiente para que ninguém possa te obrigar a fazer algo que não quer? Então pare de hesitar e construa seu Caminho."

Ele olhou novamente para a Suprema.

"E, pelo que ela aparenta, seu Caminho já pode estar algo que ultrapasse os anteriores."

Ele sorriu, notando a reação dela.

De repente, a Suprema da Água sorriu.

"Olha só, apoiando ele como se fosse seu filho. Vai agir como se não tivesse acabado de fazer algo que possa destruí-lo—a todos aqui—completamente."

Enquanto todos a ouvia, a expressão de Zagreus mudou de repente.

Ao ouvir tudo e juntar as pistas, ele percebeu o que Berserker tinha feito.

"Precisamos voltar agora!" ele gritou com urgência, virando a cabeça rapidamente em direção a Barbatos. "Use sua habilidade! Rápido!"

"Príncipe, o que está acontecendo—"

"Ele está mirando na alma da mãe!"

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