Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 466

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

A consciência de Neo despertou.

Seus olhos se abriram de repente, enquanto uma dor aguda pulsava em cada fibra do seu corpo.

Sua respiração vinha entrecortada e superficial.

A visão de sua Intenção ficou turva enquanto ele observava ao redor.

Ele jazia sobre uma pedra áspera e irregular. O cheiro de terra úmida e algo levemente metálico preenchia suas narinas.

Uma caverna. Uma cavernona.

O teto irregular e pontiagudo pairava a centenas de metros acima, com fungos bioluminescentes frágeis grudados na superfície.

— Onde é que eu tô—

Um grito agudo e inumano interrompeu seus pensamentos.

Neo focou seus sentidos, e viu. Uma criatura avançava em sua direção, com oito patas se arrastando pelo chão de pedra.

Seu exoesqueleto e músculos se fundiam numa mistura grotesca.

Seu corpo era coberto por uma armadura grossa e segmentada, escura e brilhante como obsidiana polida.

Oito olhos vermelhos brilhavam com uma inteligência estranha, fixos nele.

Suas mandíbulas se mexiam, clicando umas contra as outras como se degustasse o ar, e um veneno gotejava de seus caninos curvos, que se projetavam da boca grotesca.

Neo rangeu os dentes e tentou se erguer.

Seus braços tremiam, as pernas fraquejavam. Ele caiu de volta sobre a pedra fria.

Seu corpo estava destruído.

A luta contra o Tártaro havia o levado além de seus limites.

Ele havia consumido cada centímetro de sua Energia, até mesmo a Energia Mundial Condensada que sustentava sua forma física.

Seus ossos, seus órgãos, seu sangue—tudo era formado de Energia Mundial, e agora, a maior parte disso havia sido destruída.

Por sorte, seu corpo não tinha se despedaçado completamente, mas ele não conseguia lutar naquela condição.

A criatura se aproximava.

Neo cerrava os punhos.

Podia simplesmente ficar deitado. Deixar a fera destruí-lo, satisfazer sua fome e deixá-lo em paz. Seria fácil. Ele poderia se ressuscitar depois. É imortal.

Porém, a raiva fria e voraz dentro dele se recusava a deixá-lo fazer isso.

Tártaro.

Ele odiava aquele nome. Odiava ainda mais a si mesmo. Sua fraqueza, seu fracasso.

Perdeu ela. Porque era fraco.

A fúria ao seu redor borbulhava na cabeça, gritando por libertação.

Ele precisava matar algo.

A dor explodiu em seus braços enquanto ele se esforçava para se levantar novamente.

Rachaduras se espalharam pela pele como porcelana quebrada. Uma dor insuportável invadiu sua mente, mas ele forçou seu corpo a mover-se.

A aranha avançou. Seus membros monstruosos se movimentaram pelo ar—

Estilo Oitavo de Espada Divina: Kami no Shinpan.

A lâmina sem forma rasgou a carapaça do monstro com um corte limpo e implacável.

O sangue jorrou em arco enquanto o corpo da criatura se dividia ao meio, caindo inerte no chão.

Neo exalou com força.

A dor era insuportável, mas ele mal a reconhecia. Sua raiva o mantinha em movimento.

Como tinha sentido, a caverna tinha mais deles.

Os irmãos do monstro emergiram das sombras.

Alguns eram maiores, cinco vezes o tamanho do primeiro, e mais fortes.

Seus corpos blindados brilhavam com veias vermelhas fracas pulsando sob a superfície, como se lava derretida corresse por dentro deles.

Suas mandíbulas escorriam algo espesso e corrosivo, chiando ao corroer a pedra sob seus dentes.

Seus membros eram mais afiados e mais longos.

Neo não focava neles.

Sua mente permanecia na cena que se repetia em sua cabeça.

Sorriso dela, seus olhos serenos, e suas últimas palavras.

Palavras que ela tentou dizer, mas não conseguiu.

Agora, elas estavam perdidas para sempre.

O monstro mais próximo avançou, atacando.

Ele desviou para o lado e trouxe sua espada em um arco brutal. Sua estocada encontrou resistência.

O exoesqueleto daquele era mais espesso.

Sua lâmina cortou, mas não atravessou de imediato.

Com um rosnado, ele concentrou mais força no corte, empurrando sua espada entre músculos e ossos.

A aranha gritou enquanto seu corpo se partiu.

Porém, outro já avançava na sua direção.

Uma perna do tamanho de uma lança acertou seu lado. Ossos trincaram. Neo cambaleou, mal conseguindo torcer o corpo para evitar o segundo golpe.

Seu corpo gritou em protesto, mas ele não parou de se mover.

Outro veio por trás.

Ele girou, torceu a lâmina com a empunhadura invertida e a empurrou para trás.

Um grito de agonia saiu quando atingiu um dos olhos brilhantes do monstro.

Outro salto de cima.

Ele rolou para frente, quase sendo esmagado. Seu pé escorregou na pedra lisa, mas ele se estabilizou a tempo de enfrentar a próxima investida.

Sua espada passou pelo ar, cortando a carapaça, arrancando membros, atravessando carne.

Seu corpo se fracturou ainda mais, incapaz de suportar a tensão. Sua pele se abriu como uma máscara quebrada, revelando carne exposta e crua.

Cada movimento trazia uma dor nova, infernal.

Ele precisava dessa dor. Ela o ajudava a ignorar seus pensamentos.

Por que sempre ele era quem sobrevivia? Por que tinha que assistir às pessoas que amava morrerem toda hora?

Neo não tentou usar o Rio do Tempo replicado.

Tinha passado tempo demais, e os Elementais do Tempo não o deixariam voltar.

ELES não gostavam dele, especialmente depois que ele levou Daniel, seu Querido, pelo caminho errado, e agora, ele tinha cometido um crime ainda pior.

Ele forçou uma Linha do Tempo artificial a se tornar real. Não uma, mas duas vezes.

Uma dor cortante atravessou sua cabeça.

Ele puxou a perna do monstro que estava prensada no seu peito e retribuiu a agressão.

Outro monstro caiu. Depois outro.

Seus corpos se empilhavam ao seu redor, e sangue grosso se acumulava sob seus pés. O cheiro de morto impregnava a caverna.

Porém, eles não paravam de vir.

Seus movimentos começaram a diminuir. Sua respiração ficou ofegante. Seus braços tremiam pelo cansaço extremo.

E mesmo assim, ele lutava.

Horas se passaram até que finalmente caiu. Mas nenhum monstro aproveitou a oportunidade. Eles não estavam vivos para isso. Todos estavam mortos.

Neo jazia ali, entre montanhas de cadáveres.

Ele mordia os lábios e cobria os olhos.

A ausência de dor e combate fez seus pensamentos irem adiante.

Como ele iria encontrar sua versão reencarnada no Cosmos infinito? E se ela tivesse reencarnado no passado? Nunca poderia encontrá-la se isso acontecesse.

E se ele nunca a visse novamente?

A ideia gelou seu coração.

Suas unhas cravaram na palma da mão.

Ele não deveria ter pedido ela em casamento. Deveria ter mantido o coração fechado e fingido que não se importava com as emoções.

Talvez assim, não se sentiria destruído ao assistir sua morte.

Uma vazio vazio tomou seu rosto.

Que classe de homem ele era? Nem conseguiu proteger a mulher que amava—

Seus pensamentos pararam de repente, congelados.

Ouroboros.

A Magia do Mundo e do Tempo gravada em suas costas.

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