
Capítulo 465
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
A figura de Tartarus se transformou num borrão que se estendia em direção a Neo.
Sua lança da Morte apontava para o seu crânio.
A visão de Neo ficou embaçada — não, ela se expandiu.
Em um piscar de olhos, ele viu três futuros.
Dois terminavam com seu corpo dilacerado e sua alma se desintegrando.
Mas havia um — apenas um — onde ele sobrevivia.
Neo agarrou essa possibilidade.
Ele usou o Todo-Sombra para entrar naquele futuro.
Linhas do tempo se torceram, e os Elementais do Tempo saíram do controle.
Neo sentiu uma enorme resistência rasgando seu corpo ao pedaços.
Ele acionou seu Todo-Sombra ao máximo e continuou ativando-o.
A linha do tempo curta criada por sua Bênção se fundiu à linha do tempo principal e a sobrepôs.
O cenário ao redor de Neo mudou abruptamente.
Uma grande cicatriz percorreu seu abdômen. Não conseguiu deixar uma ferida profunda.
"O que foi isso?" Tartarus franziu a testa e olhou para as mãos. "O que você fez?"
Neo não respondeu.
Estava com dificuldades para ficar de pé, e uma dor de cabeça latejante continuava a pulsar em sua mente.
A energia em seus vasos sanguíneos estava esgotada. Era como se ácido estivesse fluindo em suas veias.
Seus músculos gritavam, seus pulmões queimavam, e ele havia perdido metade de suas reservas de energia.
Energia do Mundo. Energia para seu Núcleo de Semi-Deus. Mana infinita da Lua.
E mesmo assim, não era suficiente.
Ele duramente usou sua Vontade para criar novamente uma quantidade homogênea de Energia do Mundo. Mana infinita da Lua inundou seus reservatórios.
Porém, o processo era lento.
Gerar Energia do Mundo levava tempo, e embora a Mana da Lua fosse teoricamente infinita, ele só podia absorver uma quantidade fixa por segundo.
Tartarus avançou com o ataque.
Somas de sombras surgiram do chão, assumindo a forma de lâminas que rasgavam Neo de todos os lados.
Ele viu os resultados novamente — cada caminho levava à sua desmembramento.
Exceto um.
Neo usou Todo-Sombra.
A linha do tempo curta se fundiu à principal, e o mundo ao redor de Neo mudou instantaneamente.
Ele respirou com dificuldade, sua visão de Intenção mal alcançava alguns metros de diâmetro.
Ele tinha perdido a mão.
As bênçãos se agitavam, tentando regenerar seu braço, mas não havia energia suficiente para isso.
"Entendi. É assim que você está fazendo", disse Tartarus.
A sensibilidade de Neo ao perigo gritou.
Ele viu quase ao mesmo tempo a palma de Tartarus se abrir antes que uma esfera de Morte e Escuridão condensadas explodisse a queima-roupa.
Não havia tempo para reagir.
Sem futuros para escolher.
A explosão o consumiu.
Dor como nunca tinha sentido antes rasgou seu corpo.
A sua pele rachou, seus ossos se esmigalharam, sua alma tremeu à beira do colapso.
Mas ele permaneceu de pé. Precisava. Recusava-se a cair ali.
Um estrondo ensurdecedor partiu o campo de batalha. A cúpula de Escuridão que aprisionava Zera e Elizabeth se quebrou.
A atenção de Tartarus se desviou para ela.
Neo viu os futuros novamente. A visão —
"Não. Não saia!"
Tartarus se moveu antes que Neo pudesse impedi-lo.
Ele estendeu a mão. Sua Morte fundiu-se à Vácuo de Zera, e os dois elementos se torceram em algo diferente.
Caos.
Tartarus concentrou o Caos em uma lança de destruição giratória.
Ele a lançou direto contra Elizabeth. Tudo aconteceu em um instante.
Os olhos de Elizabeth se arregalaram. Ela levantou a mão para tentar reverter o tempo.
Porém, o Caos infectou seu elemento. Seu poder falhou.
A lança perfurou seu peito. O Caos explodiu dentro de seu corpo e a consumiu.
Seu corpo começou a se desintegrar, apagado da existência em si.
"Elizabeth!"
O grito de Neo rasgou o campo de batalha.
Elizabeth tossiu sangue.
Em vez de tentar reverter o tempo novamente, ela olhou para ele com olhos sofridos, mas serenos.
Sorriu e abriu a boca para falar.
Mas antes que pudesse dizer algo, ela desapareceu.
Neo congelou por um momento, até que seus instintos de batalha entraram em ação.
Ele usou Sombra para imitar o Rio do Tempo e retroceder no tempo.
Porém, não tinha energia suficiente para isso.
Nervos em chama, sentia como se milhares de agulhas quentes estivesse sendo cravadas nos poros de sua pele.
Começou a devorar a si mesmo para sustentar o Rio do Tempo que havia criado na imitação, e quando conseguiu, os Elementais do Tempo imitados se recusaram a ajudá-lo.
Ele forçou seus pensamentos na mente deles e manipulação sua vontade, mas cada momento que desperdiçava significava usar mais energia para voltar no tempo — energia essa que ele não tinha.
Zera se moveu.
Antes que Tartarus pudesse aproveitar a vantagem, Zera liberou seu Mundo dentro do Santuário da Escuridão e o detonou.
Uma colossal explosão de Vácuo emanou dela, rasgando o Santuário da Escuridão.
A realidade se quebrou, e o Mundo do Pesadelo cintilou de volta, rachado e danificado.
Tartarus bufou, indiferente à destruição. Sua escuridão avançou.
Zera não hesitou.
Ela quebrou seu Núcleo.
Vácuo irrompeu violentamente, e um abismo brilhante a engoliu por completo.
Ela não segurava mais energia nem se guardava. Uma parte do Mundo do Pesadelo, já danificada pelas batalhas anteriores, foi obliterada num piscar de olhos.
Uma abertura.
Ela se virou para Neo. Sua mão transformou-se numa massa gigante e deformada de carne.
Ela atingiu Neo como um caminhão, jogando-o para fora do Mundo do Pesadelo pela abertura.
Neo rolou pelo abismo sem fim. O pequeno buraco negro rachado revelou o Mundo do Pesadelo de Tyr dentro dele.
"Não se preocupe com Elizabeth e comigo. Somos bruxas. Reencarnaremos."
A voz de Zera ecoou em sua mente.
"Então concentre-se em se proteger."
As rachaduras no Mundo do Pesadelo começaram a se reparar sozinhas.
A última coisa que Neo viu foi a escuridão de Tartarus se intensificar e consumir metade do corpo de Zera com uma única mordida.
Depois — nada.
Neo havia desaparecido.
Tartarus ficou sozinho. Seu olhar fixo nas rachaduras do Mundo do Pesadelo por onde Neo escapara.
Pela primeira vez, ele franziu a testa.
"Ele escapou."
Levrou a mão e manifestou seu Rio do Tempo.
Justamente então, metade restante do corpo de Zera começou a liberar um som de crepitar.
Ela se transformou numa massa deformada de carne que desafiava a lógica. A realidade ao redor dela se distorcia, e apenas olhar para ela mataria uma criatura de nível baixo.
A massa deformada crescia infinitamente em tamanho.
O vácuo emanando do cadáver distorcia o Rio do Tempo, tornando impossível que ele voltasse atrás.
Os lábios de Tartarus se torceram.
Quanto mais tempo ele levasse, mais difícil seria voltar.
"Tudo bem, dessa vez você ganhou."
Ele soltou seu Rio do Tempo e concentrou-se em impedir que a massa deformada destruísse o Mundo do Pesadelo de Tyr, e também o corpo de Tartarus — uma das Colunas — junto com ela.