
Capítulo 372
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Neo não se preocupou em tentar obter uma garantia da Esfinge.
A Esfinge nunca mentiu.
Ela poderia enganar, mas suas palavras sempre eram verdadeiras.
A Esfinge desapareceu.
Ela não reapareceu mais, como se estivesse dizendo que o encontro tinha acabado.
Neo deu a última olhada na sala vazia.
Seus passos ecoaram suavemente enquanto ele se virava e se afastava.
Um portal pulsou ao final do corredor.
Sem hesitar, ele atravessou.
Sentiu uma mudança.
A frieza e o silêncio do salão deram lugar ao calor familiar do sol do entardecer.
Neo reparou nos bonecos do diretor de pé na sua frente.
"Esperamos que sua reunião com a Esfinge tenha sido boa", disseram os bonecos com uma reverência.
"É", respondeu Neo.
A reunião tinha sido uma porcaria.
Principalmente porque a Esfinge sabia como mexer com a cabeça dos outros, e gostava de fazer isso.
Neo não viu motivo para revelar isso aos bonecos.
Antes de sair do prédio, os bonecos falaram em uníssono novamente:
"A Esfinge nos contou sobre seu próximo compromisso com ela."
"Quando quiser encontrá-la, pode vir aqui que nós teletransportaremos vocês até ela."
"Ótimo saber disso."
Neo deixou o prédio.
No caminho, continuou pensando na conversa com a Esfinge.
'Do jeito que ela me contou tudo, especialmente sobre a Mamãe e o Papai, é como se...'
'Como se ela não soubesse das Missões.'
Neo franziu a testa.
A Esfinge deveria conseguir ver sua tela de status.
Por isso, ela sabia de seus Conceitos e do nível de ascensão.
'Talvez seja possível que a Esfinge não saiba das Missões.'
'Afinal, só eu tenho na tela de status a seção de Missões. Pode ser algo que não esteja relacionado aos Registros Akáshicos.'
Todos tinham uma tela de status.
Mas não Missões.
Neo tentou pensar em uma explicação para isso.
Porém, não conseguiu chegar a uma conclusão convincente.
'Melhor focar nas coisas que estão na minha frente.'
Enquanto voltava, ligou para Henry.
"O que foi?" a voz de Henry saiu do alto-falante do dispositivo.
"A linha está segura?" Neo perguntou.
"…?"
Henry, do outro lado, franziu a testa.
Ele recostou na cadeira.
Era a primeira vez que Neo perguntava algo assim, e imediatamente deixou Henry tenso.
"Espere uns segundos", disse Henry.
Ele ativou uma série de protocolos de segurança antes de falar novamente.
"Agora está seguro."
"Canal de streaming Mi&Gi. Você lembra deles?" Neo perguntou.
"Lembro." Henry fez uma expressão de esforço para recordar detalhes. "Foram eles que transmitiram sua luta contra o Minotauro."
Neo ficou um pouco surpreso por Henry lembrar de um detalhe tão pequeno.
Pela razão óbvia, preferiu não comentar nada.
"Procure por eles e…"
Neo parou.
O que eles deveriam fazer depois de encontrar Mira e George?
"Apenas descubra onde eles estão agora e garanta que estejam seguros. Eu explicarei tudo quando chegar em casa", finalmente disse Neo.
"Beleza", respondeu Henry. "Mas isso precisa ser algo importante o suficiente para que eu perca meu tempo, sua idiota, ou você está morto."
"É importante. Confie em mim."
Neo desligou e retomou sua caminhada em direção aos portões.
Chamou um táxi e indicou ao motorista a mansão Hargraves.
Ao chegar, saiu do carro, entrou rapidamente e encontrou Henry em seu escritório.
"Oi", Neo cumprimentou levantando a mão.
Henry concordou com um gesto seco.
Seus olhos permaneceram fixos na tela do laptop.
"Vem aqui e veja isso", disse Henry.
Neo deu a volta na grande mesa e se inclinou para olhar a tela.
"O que há de tão interessante para você me pedir pra assistir assim que…"
As palavras dele travaram no meio da frase.
No monitor, uma transmissão ao vivo mostrava uma mulher—Mira—chorando descontroladamente.
Ela estava sentada com uma amiga em uma pequena cafeteria.
"Por que ela está chorando?" Neo perguntou, com o rosto preocupado.
"O namorado dela está traindo ela", respondeu Henry.
"Hã?"
Neo piscou, confuso.
Ele se perguntou se tinha entendido errado Henry.
'Papai está traindo a Mamãe?'
Antes que Neo pudesse expressar seus pensamentos, Henry ergueu a mão para pará-lo.
"Não me interrompa agora. Deixa eu ver isso. Não é fácil encontrar um show de punk como esse todo dia."
O olhar de Henry permanecia fixo na tela, como se estivesse assistindo ao seu programa de TV favorito.
A voz trêmula de Mira saiu pelos alto-falantes do laptop.
"Eu—achava que ele ia me pedir em casamento…"
A voz dela quebrou.
Ela fungou, segurando um lenço enquanto continuava.
"Hoje completamos cinco anos. Já devia ser a hora dele me pedir em casamento, m-mas…"
Suas palavras se transformaram em soluços incoerentes enquanto ela enterrava o rosto nas mãos.
Outros clientes da cafeteria cochichavam entre si, lançando olhares discretos na direção de Mira.
O garçom se aproximou da mesa.
"Senhora, a senhora está atrapalhando os clientes."
A amiga de Mira, visivelmente desconcertada, acenou pedindo desculpas.
"Desculpe, minha amiga. Vamos embora em breve. Só nos dê um minuto", pediu com tom suplicante.
O garçom assentiu de forma seca e foi embora.
A amiga de Mira, Júlia, massageou as costas de Mira gentilmente, tentando consolá-la enquanto ela chorava sem controle.
"Você tem certeza que viu ele com outra mulher? Quero dizer, pode ser só uma amiga dele."
"Não precisa achar que ele está te traindo", disse Júlia calmamente.
"Estamos juntos há anos. Conheço todos os amigos dele."
"Como assim eu não conheço nenhuma garota que seja próxima o suficiente para encontrá-lo na nossa casa?" retrucou Mira.
Júlia fez uma expressão pensativa antes de falar:
"Talvez—"
"Talvez o quê!" Mira gritou. "Ele conheceu ela enquanto eu estava fora. Quando perguntei, ele agiu como se nada tivesse acontecido!"
Sua voz atraiu uma lágrima e ela apertou as mãos na borda da mesa.
"E por que você está defendendo ele?" exclamou Mira, encarando-a com reprovação.
"Desculpe se falei algo insensível", respondeu Júlia.
Neo, que observava tudo pelo laptop de Henry, ficou boquiaberto.
"Por que... por que você colocou uma caçada nela assim? Tem um mínimo de decência, vai?" Neo reprochou.
"Eu coloquei alguém na caçada porque um idiota qualquer me pediu há trinta minutos para ficar de olho nela", respondeu Henry, sem tirar os olhos da tela.
Seu tom era indiferente, como se estivesse justificando suas ações.
"E para de olhar pra mim como se eu fosse criminoso."
Henry recostou na cadeira, os olhos ainda fixos na tela.
"Não é minha culpa que justo naquele dia a relação dela esteja em perigo", completou Henry com um encolher de ombros.
Neo tentou rebater, mas fechou a boca de imediato, sem palavras.
Ficou massageando a testa.
Henry, impassível, continuou assistindo ao drama se desenrolar.
Seu sorriso discreto revelava seu divertimento.
Enquanto fixava o olhar na tela, falou para Neo:
"Por que você me mandou ficar de olho nesses dois?"
"Fui ao Submundo, e me disseram que nossa família de quatro vem reencarnando há eras", ele falou ao invés de responder direto.
Henry parecia completamente indiferente, para surpresa de Neo.
Ele permanecia calmo, quase apático, diante da notícia.
"E daí?" Henry perguntou.
"Mira e George são as reencarnações da Mamãe e do Papai", explicou Neo.
Henry finalmente desviou o olhar da tela.
Olhou para Neo, como se estivesse achando que ele estivesse brincando.
"Tô falando sério."
"Ah."
Henry voltou para a tela, ao drama que ele tinha assistido poucos instantes antes.