Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 373

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

De repente, aquilo não parecia mais divertido.

A expressão de Henry escureceu.

Ele se inclinou para frente e pressionou um pequeno botão embutido no canto da sua mesa.

Um bipe suave indicou a conexão com Sebastian, seu mordomo.

"Prepare um carro," Henry ordenou.

"Como desejar, senhor," Sebastian respondeu prontamente pelo interfone.

Henry desligou o botão e fechou o notebook.

"Vamos," disse, levantando-se da cadeira.

"Para onde?"

"Para resolver essa besteira de mal-entendido," Henry respondeu enquanto pegava o sobretudo no encosto da cadeira.

"Mal-entendido…?"

"Sim," começou Henry enquanto saíam do escritório. "Aquele cara—o pai—começou a treinar de verdade após o incidente no Labirinto. Ele contratou um treinador pessoal."

Neo franziu a testa enquanto desciam a grandiosa escadaria com Henry.

Henry continuou,

"A mulher que apareceu na casa dele era a treinadora."

"O pai sofreu uma ferida séria durante o treino há alguns dias."

"Ele não percebeu a ferida até voltar pra casa e não poder treinar no dia seguinte."

"A treinadora foi até a casa dele para ajudar. Ela tem uma habilidade de cura," explicou Henry.

Neo olhou para Henry, ainda tentando assimilar as informações.

"Por que ele escondeu tudo isso?" Neo perguntou, com a voz carregada de descrença.

"Mira—" Henry hesitou, tropeçando nas palavras.

Ele se corrigiu rapidamente.

"A mamãe fez o pai prometer que iria parar de caçar monstros."

"O quê?" Neo franziu a testa, parando por um instante na escadaria.

Henry fez uma breve pausa e olhou para trás.

"O incidente no Labirinto deixou ela com um trauma leve. Ela tenta evitar tudo relacionado ao que é místico."

Quando chegaram ao saguão, Henry explicou,

"Li o relatório do médico da Mira."

"O ataque do Minotauro que quase te matou, sua luta sem esforço, os centenas de monstros saindo pela Janela, os semideuses impotentes diante deles, e depois você novamente lutando com facilidade…

"Tudo isso fez ela pensar que, a menos que fossem fortes, suas vidas estariam sempre em risco. Por isso, ela tentou impedir que o pai se aproximasse de monstros."

Era uma reação normal, Neo pensou.

"O pai também ficou abalado com tudo isso. Por isso, está treinando, mesmo que isso signifique desobedecer à mamãe," Henry disse.

"Ele deve estar se sentindo impotente após o incidente no Labirinto," Neo respondeu, suspirando.

Ele se lembrou de ver semideuses naquele dia, com a face pálida e congelados de medo.

George—a reencarnação de Hades—não tinha se comportado como eles.

Ele estava preparado para lutar.

Mas, no fim das contas, era fraco demais para derrotar qualquer coisa.

Se Neo não tivesse intervenido e cuidado dos monstros por conta própria, deixando o trabalho para os Templários que chegariam depois, George e Mira estariam mortos.

"Você tem razão. O pai quer fazer de tudo para não se sentir impotente de novo. Ele está fazendo isso para proteger a mamãe," disse Henry.

Entraram no carro.

O delicado aroma de estofado novo misturado ao perfume de Henry ainda persistia.

Neo prendeu o cinto de segurança enquanto o carro começava a se mover.

"Como você sabe de tudo isso?" Neo perguntou, olhando para Henry.

"Fiz minha pesquisa quando você me pediu para ficar de olho neles," respondeu Henry, com um tom de irritação na voz.

"Foi só uns 30 minutos atrás."

" Cala a boca, vadia. Já estou irritado. Não me enche o saco mais."

Henry, claramente tentando se distrair, parecia perdido em pensamentos.

Murmurou algo baixinho enquanto os dedos batiam na porta do carro.

Estava assistindo ao drama mais cedo, esperando a resolução do mal-entendido entre Mira e George após suas brigas dramáticas.

Tudo deveria aproximá-los—era uma história de amor de drama, doce e teatral.

Mas agora, ao saber que seus pais eram os protagonistas dessa confusão, Henry percebeu uma nova verdade.

"Gênero de drama é uma porcaria do caralho," ele murmurou de repente.

"O que você está dizendo?" Neo perguntou, franzindo a testa.

"Nada," respondeu Henry de forma seca, recostando-se na cadeira.

O carro acelerou.

Sombros de árvores passando refletiam nos vidros.

Henry colocou a mão no bolso e puxou um cigarro.

Acendeu com um estalo de seu isqueiro.

Deu uma tragada profunda.

"Dirija mais devagar," disse Neo. "Depois de um ou dois minutos atrasado, é melhor do que dirigir loucamente."

"Vamos ficar atrasados demais," Henry respondeu. "Mamãe—Mira—é do tipo que vai esfaquear o pai na cabeça assim que descobrir que ele está traindo."

"Ela gritou com a amiga no café. Está claro que a raiva está tomando conta da dor dela aos poucos. E o pai vai encontrá-la em uma hora. Temos que ser rápidos."

'Você estava curtindo algo assim há poucos minutos?'

Neo não falou seus pensamentos em voz alta.

Mas Henry percebeu seu olhar.

"Vadia, por que diabos você está me olhando desse jeito?"

"Nada," respondeu Neo, usando as próprias palavras de Henry contra ele.

Henry Rangeu a língua de irritação e focou na estrada à frente.

O ronco do motor preenchia o silêncio enquanto aceleravam pela rua.

Poucos minutos se passaram enquanto Neo ficava atento a Henry.

"Filho da puta, eu tava observando tudo sem interferir porque não sabia o que você ia fazer," disse Henry, com os dedos levemente apertando o volante. "Você pediu pra eu ficar de olho neles."

"Era pra eu invadir e dizer que tudo aquilo que ela viu era um mal-entendido? Ia ser desastre se você estivesse planejando usar o mal-entendido deles."

"Não transfira a culpa pra mim. Você tava gostando de assistir," retrucou Neo.

"Vai se foder," cuspuiu Henry.

Hoje, Henry decidiu que o gênero de drama é uma porra sem graça.

O carro parou num semáforo vermelho.

Henry bateu as mãos impacientemente no volant.

"Por que a Mamãe quis impedir o pai de lutar contra monstros? Ela não parece daquele tipo que recua quando tem medo," Neo perguntou de repente, quebrando o silêncio.

Depois de tudo, de acordo com Henry, Mira ia "esfaquear a cabeça do George."

Parecia bastante "corajosa" para Neo.

"Porque ela não se preocupava só com o pai, mas também com a criança deles," disse Henry, expirando a fumaça do cigarro entre os dedos.

"Entendi. Ela se preocupa com… Espera, o quê?"

Neo, que pouco costuma demonstrar tantas reações, não conseguiu segurar dessa vez.

"Vamos ter um irmão ou irmã?"

"Vamos ter um em alguns meses," respondeu Henry casualmente. "Ela planejava contar ao pai a novidade depois que ele propusesse para ela hoje."

Finalmente, Neo entendeu por que Henry estava tão preocupado.

Mira e George se reconciliariam após resolverem o mal-entendido.

Isso aconteceria até à noite.

Mas, até lá, Mira permaneceria na tristeza, chorando pelo que acreditava ser traição.

Henry não ia deixar sua mãe passar por esse sofrimento por muito tempo.

"Vai tomar no cu, seu filho da puta, por gostar de assistir a essa porra de drama," disse Neo.

"E cala a boca. Você faria o mesmo na minha situação."

Neo massageou as sobrancelhas.

"Será que o pai sabe que vai virar... pai de verdade?"

"Sim, ele sabe. Por isso quer ficar mais forte."

"Quer proteger tanto a mãe quanto o filho deles. Vai propor pra ela hoje à noite, e bem... droga, tô caindo de cabeça nisso, odeio gostar de drama," disse Henry, dando mais uma tragada no cigarro.

O luz voltou a ficar verde, e o carro voltou a se mover.

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