Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 374

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

O carro parou suavemente na entrada de cascalho.

Eles chegaram ao destino relativamente rápido.

Antes que Henry pudesse sair do carro, Neo abriu a boca.

— Espera um pouco.

— O que foi?

Henry parou no meio do movimento, com a mão na maçaneta da porta.

Percebendo a seriedade na expressão de Neo, hesitou e voltou a se acomodar no banco.

— Talvez não devêssemos encontrá-los. Seria muito chocante para eles descobrirem que são reencarnações—

— Por quê?— A voz de Henry cortou as palavras de Neo.

Seus olhos escuros se franziram, vasculhando o rosto de Neo em busca de respostas.

— Por que você está com medo?

— Eu não estou…— Neo parou de falar, suspirando, e fechou os olhos.

Ele se reclinou no assento de couro macio.

— A vida é mesmo uma desgraça, né?— disse de repente.

Henry franziu a testa.

Permaneceu em silêncio, esperando que Neo continuasse.

Neo levantou a cabeça, olhando para o teto do carro como se buscasse respostas.

— Nossa família é amaldiçoada. Quanto mais perto estamos uns dos outros, pior são as mortes que enfrentamos. Mamãe e papai estão prestes a ter um filho.

Ele fez uma pausa de alguns segundos.

— A maldição já deve estar bem forte sobre eles. Se tentarmos torná-los nossa 'família', o resultado não será nada bom.

Henry não respondeu imediatamente.

Nem perguntou a Neo onde tinha conseguido tal informação, tampouco questionou sua credibilidade.

Ele confiava o suficiente em Neo para saber que ele não soltaria besteiras sobre algo tão sério.

— Eles provavelmente já estão mortos— disse Neo.

Suas mãos se fecharam em punhos.

— Eu os salvei por sorte. Mas não posso garantir que posso fazer isso novamente.

A expressão de Henry escureceu.

— Como assim?

— Lembra do incidente do labirinto? Eles deveriam ter morrido naquela ocasião.

— Encontrei a Esfinge, e ela me disse como minha interferência mudou o destino previsto— explicou Neo, misturando verdades e mentiras.

— E aí? O que você planeja fazer? Não me diga que acha que devíamos evitá-los para sempre.

— Claro que não— Neo balançou a cabeça firmemente.

Seus lábios se pressionaram numa linha fina enquanto olhava pela janela para o céu que começava a escurecer.

— Papi era um Deus pelo menos de Nível 5— continuou Neo— Parece que ele não foi forte o suficiente para destruir a maldição que é responsável por nossas reencarnações.

— Tudo o que tenho que fazer é—

— Ser mais forte que o Papi— interrompeu Henry, completando a frase de Neo.

— Exato. Até lá, devemos manter distância deles.

— E quanto tempo você acha que precisa para superar o Papi?— Henry questionou, apertando ainda mais o volante de frustração.

As notícias que Neo revelou perfuraram seu coração como facas.

— Ele era o Governante do Submundo, Neo.

— Essa força que você pode alcançar tão cedo não é real— disse Henry.

Neo mordeu os lábios.

Ele queria ver os pais tanto quanto Henry desejava, mas…

'Não podemos fazer isso. A não ser que queiramos que eles morram de novo.'

Neo apertou os punhos, as unhas cavando na palma das mãos enquanto um sentimento de impotência tomava conta.

— Você pode ficar aqui se quiser— disse Henry de repente, empurrando a porta do carro.

— Para onde vai?

— Vou encontrar o Papi e ajudá-lo a esclarecer o mal-entendido com a Mamãe.

— Eu acabei de te falar—

— Não podemos ser uma família, mas pelo menos podemos ser amigos. Mesmo que só como conhecidos, já está bom— disse Henry.

Henry não entrou imediatamente no centro de treinamento visível ao longe.

Ele parou na entrada, virou-se e olhou de volta para Neo.

— Você não vai encontrá-lo?

— Não— Neo respondeu balançando a cabeça.

— Faça o que quiser— Henry respondeu, embora um leve desencanto ainda pairasse em seus olhos.

Neo assistiu enquanto Henry entrava no local.

As portas automáticas se fecharam atrás dele.

Os punhos de Neo ficaram ainda mais cerrados.

Henry era forte—muito mais forte que Neo.

Por isso, ele se sentia confiante ao pensar em encontrar George, uma reencarnação de Hades.

'Ele sabe que pode proteger o Papi.'

Mas até quando Henry conseguiria fazer isso?

E…

'Tenho certeza de que ele também quer que eu conheça o Papi, mas isso só ia reforçar a maldição.'

Henry lidaria com as consequências que surgiriam após sua interferência na vida dos pais deles.

Ele carregaria o peso da maldição que sua presença poderia trazer.

'Ele me convidou para ir com ele porque também está planejando lidar com o efeito da maldição causado pela minha presença.'— pensou Neo.

'Mas não há como eu fazer isso.'

Neo respirou fundo lentamente.

Já não era mais uma criança.

Não podia ignorar a maldição, sobretudo quando nem mesmo conseguia lidar com os perigos que surgiriam após ele entrar na vida da atual reencarnação dos seus pais.

Henry podia, mas Neo não.

— A vida é uma droga— murmurou Neo.

Fechou os olhos por um momento e ativou o Feitiço de Salto Sombrio.

As sombras sob ele ondularam.

Elas o puxaram para dentro.

Parecia estar caindo numa água fria e sem fim.

Ele se moveu pelas sombras, e quando abriu os olhos novamente, reapareceu dentro do centro de treinamento.

O interior bem iluminado vibrava com uma atividade suave.

O tilintar de pesos e passos abafados ecoava no espaço amplo, moderno.

Fileiras de equipamentos brilhavam sob as luzes fluorescentes fortes, e o cheiro de metal e suor impregnava o ar.

De um canto, Neo avistou George.

George estava no chão, sangrando.

Suas respirações eram superficiais, e o rosto dele se contorcia de dor enquanto o sangue manchava o chão sob ele.

Parece que levaram um golpe poderoso na região abdominal, que o deixou sem fôlego, totalmente impotente.

Mesmo assim, suas feições marcantes estavam claramente visíveis.

— Devemos parar o treino hoje?— perguntou a treinadora, preocupada. — Você tem um compromisso importante. Melhor pará agora.

— Eu- estou bem— George disse, limpando o sangue dos lábios e se levantando com esforço.

Ele tentou esconder a dor com um sorriso fraco.

— Qual é a graça de treinar se toda hora que estiver ocupado tenho que parar?

Seus braços tremiam de cansaço.

Suas pernas vacilaram um pouco.

Gotas de suor escorriam pelo rosto dele, e o peito seurava com respirações ofegantes.

Parecia à beira de desmaiar, mas não tinha intenção de desistir.

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