Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 337

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

"É a regra! Quantas vezes você vai ignorar as ordens do Senado!?"

O olhar dela poderia ter perfurado-o se pudesse.

Neo resmungou.

Ele poderia ter saído sem dar atenção alguma a ela.

Não era como se ela pudesse impedi-lo com força.

Porém, ele optou por confrontá-la.

"Regras", Neo apertou os lábios. "Você está dizendo que eu deveria me deixar ser interrogado por você, talvez até ser preso, já que é uma regra capturar os Desbravadores?"

"Sim."

"Então, isso resolve o problema."

O sorriso de Neo desapareceu.

"De acordo com as regras, você não tem autoridade para me interrogá-lo."

"Huh, o que você—"

"Eu sou Neo Hargraves."

"Sou líder do clã da Grande Família da Morte, o Ceifador nº 73 e o Segundo Príncipe do Submundo."

O ar ao redor dela pareceu ficar mais pesado enquanto sua presença a intimidava.

Se antes a pressão havia sido sufocante, agora parecia que ela estava sendo esmagada por um oceano, sem conseguir respirar, sem poder lutar ou resistir.

"Me diga, quem é você para ousar dizer que tem autoridade para me interrogar?"

"Eu…."

Signora deu um passo atrás sem perceber.

Seu coração pulsava forte no peito.

Ela congelou, percebendo que se sentia dominada por sua presença.

Uma onda de raiva e desafio surgiu dentro dela.

"Sou Signora Everly, a décima sétima discípula do senador Sir Nicolas Montague!"

"Décima sétima?"

Um olhar de dúvida surgiu no rosto de Neo.

"Não estou entre os top 3 ou top 5? Mas em 17º lugar? É um posto de orgulho?"

"Sim—"

"Claro que acha. É por isso que exibe com orgulho essa autoridade patética."

A pressão de Neo aumentou novamente.

Quase a derrubando de joelhos.

"Diga ao Senado para trazer alguém que tenha autoridade de verdade para me interrogar."

"Então, de acordo com as regras, eu responderei às perguntas dele."

Neo virou-se.

Ele olhou para Dorothy.

Ela tinha uma expressão entusiasmada, esperando ver mais da força de Neo.

Parece que ela não tinha intenção de ajudar Signora.

'Louca, minha,' pensou ele e falou: "Vamos —"

"E quanto à Janela?" ela perguntou.

"Ela vai fechar em breve."

Ele deixou uma Cópia de Intenção lá.

Dorothy resmungou, dando um jeito de colocar a língua pra fora.

Perdeu a chance de vê-lo em ação.

"Remova o Paradoxo do Tempo antes de irmos."

"Não."

Claro que Neo não podia dizer que não tinha como remover o Paradoxo do Tempo.

Assim que Neo saiu da Janela, Beelzebub pulou do bolso dele.

'Aquele filho da mãe. Eu até estava achando que ele se importava comigo.'

'Mas, não!'

'Ele me trocou por comida assim que voltamos.'

Neo quis chorar, mas não tinha lágrimas.

Ele não podia remover o Paradoxo do Tempo, nem que quisesse!

Por que diabos todo mundo achava que Neo tinha usado o Paradoxo do Tempo?

Beelzebub ativou a habilidade.

Ele fez isso para garantir que ninguém o perturbasse enquanto buscava comida pelo país.

Até a aura que Signora sentiu de início era de Beelzebub.

Ele tentava parar o tempo dela também, mas não conseguiu.

Neo não pressionou Signora com sua aura até falar com ela alguns segundos atrás.

Na verdade, nem lembrava quem ela era até ela revelar o nome.

'Vou arrebentar com aquele idiota e alimentá-lo para Morrigan quando ele voltar.'

Dorothy e Neo se dirigiram em direção à abertura da barreira que Dorothy havia criado.

O ar estava carregado com o cheiro de terra úmida.

Uma névoa tênue se enrolava nas bordas da barreira quebrada.

Neo usou o feitiço Salto Sombrio para se teleportar junto de Jack.

Dotty, com sua velocidade física, acompanhou sem esforço.

Seus passos pareciam não tocar o chão.

'Considerando que ambos temos mais ou menos a mesma velocidade, ela deve estar no Nível 2 ou Nível 1 de Paragon neste momento,' pensou Neo.

Os dois chegaram à borda da barreira destruída.

Passaram por ela e entraram em uma floresta abandonada.

As árvores estavam tomadamente crescidas.

Seus galhos retorcidos formavam um dossel natural que filtrava a luz fraca do sol.

Dotty havia quebrado a barreira em um lugar escondido, que dificilmente chamaria atenção.

"Vamos pegar carona daqui," disse Neo, sua voz ecoando um pouco na floresta silenciosa.

"Pode ser," respondeu Dorothy.

"Eu… tô bem… Não precisa se preocupar… comigo…"

Jack murmurou, lutando para falar.

Seu corpo suava demais, e a pele estava pálida.

O poder puro de Neo era demais para Jack suportar.

Estar perto demais enquanto Neo usava feitiços e liberava energia era pesado demais para ele atualmente.

O trio deixou a floresta.

Emergiram em um bairro tranquilo, com casas pitorescas e ruas estreitas.

O sol do fim da tarde lançava sombras longas sobre as calçadas.

"Espera, vou chamar um táxi," disse Dorothy, pegando seu dispositivo.

Neo olhou pra ela com uma expressão estranha.

"É só chamar seu motorista particular."

"Não."

Dorothy balançou a cabeça sem pensar duas vezes.

Ela tinha entrado em Aubern após quebrar a barreira que protegia o país.

Sabia quem era seu motorista, mordomo e guardião—e que ele reclamaria dela por agir de forma tão imprudente se viesse buscá-la.

'Pois é, não vou chamá-lo na frente desses caras.'

Ela virou a cabeça novamente, mais firme desta vez.

Antes que Neo pudesse pedir o dispositivo de Dorothy e chamar um motorista de casa, o táxi chegou.

O trio entrou nele.

Os assentos estavam um pouco gastos, mas eram confortáveis.

O veículo os deixou na estação de trem.

Tomaram o trem-bala para Skovia, onde fica a Demigod Academy.

De lá, pegaram outro táxi até a academia.

"Hahaha," Dorothy riu sem jeito.

Contrariando seus pensamentos, Neo não tinha problema em transporte público.

Embora, passar por cima de um templar, afirmar que ele era uma autoridade de alto nível, só para ficar na fila comprando passagens do trem, foi uma experiência bem humilhante.

Em qualquer lugar, os olhares estranhos os acompanhavam.

Jack era bonito—graças ao consumo de muitas coisas e ao ganho de atributos secundários relacionados à aparência.

Dotty era uma beleza natural.

Ela chamava atenção por onde passava.

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