Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 336

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Ele estava no mesmo telhado que a Signora e Dorothy, a apenas alguns metros de distância.

«Quando eles saíram da Janela?! Eu não percebi nada!»

Ele vestia um sobretudo que escondia a maior parte do corpo, mas Signora podia ver as cicatrizes nas palmas das mãos, nos dedos e no pescoço dele.

Outra cicatriz curta atravessava seus lábios e outra passava sobre a sobrancelha.

Seu olhar era vazio, como o de uma pessoa cega e indefesa.

Porém, a postura dele dava arrepios em Signora.

Outro homem estava atrás dele.

Ele tinha cabelo preto e olhos verdes.

Parecia ter uns vinte e poucos anos, mas a sabedoria em seu olhar indicava que era bem mais velho.

Signora avaliou-os por menos de um instante, somente sua aparência.

«Eles são pelo menos Paragons de Grau 5 ou superiores! Droga, são verdadeiramente Deuses Errantes,» ela pensou, equivocadamente.

Ela rapidamente tocou seu intercomunicador.

— “Todo mundo, ataquem!”

Signora estava prestes a enfeitiçar o espaço e atacar os homens à sua frente.

Dorothy balançou sua foice e usou a Morte para eliminar os Elementais do Espaço de Signora.

Signora não conseguiu ativar seus feitiços.

— “O que você está fazendo!?”

— “Sou uma reforço, eu já te avisei.” Dorothy encolheu os ombros.

Signora ficou confusa com as ações dela.

Em vez de tentar convencê-la, olhou ao redor, sabendo que seus colegas ajudariam.

Mas—

— “O quê…?”

Eles estavam congelados no ar.

Era como se não tivessem se movido nem um milímetro desde que a Fenda se abriu ao transformar-se numa Janela.

Signora percebeu que o Tempo tinha parado.

Ela expandiu suas percepções sensoriais.

Mesmo que os colegas ao redor estivessem travados na Parada do Tempo, os mais distantes ainda poderiam se mover.

À medida que suas sensações se espalhavam, ela descobriu uma verdade horrenda.

Todo o país estava congelado no tempo.

Os demais Templários, que eram Paragons, não eram diferentes.

— “Como isso é possível?” — ela perguntou, incapaz de entender a situação.

O tamanho do mundo aumentou após a ascensão do mundo, séculos atrás.

O país de Aubern, de tamanho médio, agora era duas vezes maior que o maior país que existia antes da Era dos Deuses.

«O poder da Parada do Tempo não deveria ser tão forte se o alcance é tão grande.»

Embora quisesse negar o que seus olhos viam, não podia.

Um calafrio percorreu sua espinha.

— “Acho que já deu o tempo suficiente para entender a situação?” — Neo disse, com um sorriso tênue.

O telhado tremeu sutilmente sob a presença dele.

Signora piscou ao encontrar seus olhos.

Ele era cego, tinha certeza disso.

No entanto, ela sentia como se ele pudesse ver claramente.

— “Sim, eu posso te ver,” — disse Neo, tendo lido seus pensamentos através de sua Intenção. — “E não, eu não sou cego.”

— “Perdi meus olhos, mas… bem, acho que tecnicamente sou cego.”

As piadas dele não entraram na cabeça de Signora.

— “Neo, acho melhor você soltar a Parada do Tempo. Está assustando ela,” — disse Jack.

— “Vamos ser atacados por centenas de semi-deuses se eu fizer isso.

— “Ou conversa com ela, explica a situação e sai discretamente, ou faz o que você sugeriu e luta contra todos,” — respondeu Neo.

— “Hum, então deixa pra lá, é isso?”

Jack coçou a bochecha com um sorriso constrangido.

Ele sabia que a abordagem de Neo era a melhor.

Os semi-deuses teriam atacado se Neo não tivesse usado a Parada do Tempo.

Neo não teria outra alternativa que não fosse revidar.

Se Neo tivesse derrotado todos com força, isso poderia virar um desastre político.

— “E quem é você?” — Neo perguntou a Dorothy, embora já soubesse quem ela era.

— “Dorothy, uma Templária do Templo da Morte,” — ela respondeu sorrindo.

— “Por que você me ajudou?”

— “Isso aqui.”

Dorothy tirou uma pilha de documentos.

O papel suave soou ao ser manuseado.

— “A Academia entrou em contato com o Templo da Morte e pediu que fizesse de reforço, caso fosse você vindo pela Janela.”

— “Por que… a Academia e o Templo da Morte… estão interferindo?” — perguntou Signora.

Ela sentiu a respiração ficar difícil.

Auras de Neo pareciam garras de Morte fechando em volta de sua garganta.

— “Ok, chega. Você vai matar ela.”

Dorothy usou sua aura para proteger Signora.

— “Estou aqui para ajudar, mas vai ficar difícil se você atacar ela assim.”

— “Ela não estaria viva se eu quisesse atacar.”

Quando ouviu Neo, Jack sorriu amargamente.

Sabia que uma Templária chamada Signora tentou forçá-lo a se casar e até atacou quando ele recusou.

Provavelmente, a mulher na sua frente era ela mesma.

Depois que Dorothy ajudou Signora a respirar normalmente, ela perguntou ao invés de agradecer:

— “Por que o Templo da Morte e a Academia estão interferindo na tarefa do Senado?”

— “Você pode ler estes documentos.”

Dorothy entregou os papéis para Signora.

As bordas estavam marcadas com selos oficiais.

— “Neo é aluno da Academia.

— “Proteger ele é responsabilidade da Academia. Eles me contrataram para essa missão.”

— “E o Templo da Morte concordou? Eu não sabia que vocês eram mercenários,” — disse Signora, com os dentes cerrados.

A situação atual, em que o Wanderer — Neo — lidava facilmente com sua equipe, representava um golpe duro na sua reputação.

Iria manchar sua carreira.

— “Não sei por que o Templo aceitou o pedido da Academia, e na verdade nem me importa,” — Dorothy encolheu os ombros. — “Só vim aqui porque queria conhecer o Príncipe do Submundo.”

Ela sorriu de forma selvagem.

Sua mão formigava por uma luta, sentindo a aura poderosa de Neo.

— “Fico feliz por ter vindo aqui.”

A aura dela explode, provocando Neo a lutar.

Neo piscou, frustrado.

Era por isso que ele havia ficado irritado assim que voltou.

Dorothy era completamente louca.

— “Podemos resolver isso logo? Gostaria de ir embora, estou ocupado,” — Neo disse.

Dorothy pisou em falso, confusa. A aura de Morte de Neo era sufocante, prova de que ele também era um viciado em batalha, como ela.

No entanto, ele recuava de uma luta.

— “Tch, tudo bem.”

Dorothy guardou sua foice.

Ela se virou para Signora.

— “Estou levando ele.”

— “Não pode. Isso não é permitido. O Senado me mandou impedir que qualquer um saia da Fenda.”

— “Signora—”

— “Cala a boca!”

Signora se virou para Neo.

— “São as regras! Quantas vezes você vai ignorar as ordens do Senado!?”

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